Brasília, terça-feira (17/02/2026) — O avanço de iniciativas no Congresso relacionadas ao caso Banco Master ampliou a pressão institucional sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre a Polícia Federal (PF) após a saída de Dias Toffoli da relatoria. A CPI do Crime Organizado e a CPMI do INSS passaram a discutir requerimentos para acesso a relatórios e medidas de quebra de sigilo envolvendo a empresa Maridt e o conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto parlamentares e partidos divulgaram notas públicas, em alguns casos desautorizadas por membros da própria bancada, em meio a divergências sobre como se posicionar diante da crise.
CPI do Crime Organizado: quebra de sigilos da Maridt e pedidos de informações ao Coaf
No Senado, a CPI do Crime Organizado avançou com proposta para votação de requerimento de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt Participações S.A., apontada como ligada a Dias Toffoli. O requerimento foi apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE) e recebeu endosso do presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), com sinalização de apoio de parlamentares de diferentes campos políticos.
Segundo as informações relatadas, o pedido inclui solicitações ao Coaf (para relatórios de inteligência financeira) e também requisições envolvendo dados telemáticos, com menção a pedidos a empresas de tecnologia e operadoras. O objetivo declarado é identificar fluxos financeiros, beneficiários e vínculos operacionais que possam se relacionar ao objeto investigado na CPI.
Além do requerimento de sigilos, foram citadas discussões sobre convites a ministros do STF. Ainda que convites não criem obrigação de comparecimento, o debate aponta para o esforço parlamentar de manter o tema no centro da arena pública.
CPMI do INSS: tentativa de acesso ao relatório da PF sobre o celular de Vorcaro
Em paralelo, a CPMI do INSS recebeu requerimento da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) solicitando que a Polícia Federal compartilhe com o colegiado dados, laudos e relatórios produzidos a partir da análise do celular de Vorcaro — documento descrito como tendo cerca de 200 páginas.
O argumento é que o material técnico produzido por órgão oficial poderia trazer elementos úteis para compreensão de conexões institucionais e eventuais fluxos financeiros com repercussão sobre o objeto da CPMI. A votação do requerimento foi indicada para sessão posterior ao Carnaval, dentro do cronograma do colegiado.
Notas públicas, defesa de Toffoli e disputa de narrativa no Congresso
A crise também se deslocou para o campo político por meio de notas divulgadas por lideranças partidárias. Foi mencionada uma manifestação de dirigentes da federação União Progressista (envolvendo União Brasil e Progressistas) em defesa do ministro Toffoli, com críticas ao que classificaram como narrativas que colocariam a opinião pública contra o magistrado e com apelos a equilíbrio institucional.
Ao mesmo tempo, surgiram reações internas. Um grupo de senadores do PP — com destaque para Tereza Cristina (PP-MS) — divulgou nota desautorizando a manifestação partidária, afirmando que o posicionamento não representava a bancada e não havia sido debatido previamente no Senado. A lista de signatários incluiu senadores que reforçaram que a declaração pública da direção partidária não poderia ser tomada como orientação unificada.
Esse movimento revelou um padrão típico de crises em Brasília: a nota formal tenta fechar fileiras, mas a bancada, exposta ao custo político do tema, abre dissidência para se preservar institucionalmente — sobretudo quando o assunto envolve STF, PF e investigações de alta sensibilidade.
Pressões por “contenção” e temor de escalada institucional
No ambiente político, foi relatada a existência de pressões para “contenção” da PF, com queixas de que a corporação estaria avançando sem freios e com receio de agravamento de conflito institucional. Também foi mencionado que um dos focos de pressão seria a apuração de vazamentos de informações sob sigilo do caso, questão que passou a integrar a disputa pública de legitimidade entre atores.
Nesse contexto, parlamentares investigados ou sob escrutínio no STF tendem a agir de forma estratégica: ora defendem “respeito às instituições”, ora atacam vazamentos e pedem providências, conforme o custo e o benefício do alinhamento circunstancial.
*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agência Brasil.
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