Caso Master: ex-presidente do BRB pede novo depoimento à PF enquanto investigações avançam no STF e rombo do FGC supera R$ 51 bilhões

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, solicitou na segunda-feira (17/02/2026) à Polícia Federal (PF) a realização de um novo depoimento no inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master e operações com o banco público do Distrito Federal. A iniciativa ocorre em meio ao avanço das investigações, mudanças na relatoria do processo no Supremo Tribunal Federal (STF) e ao aumento do impacto financeiro decorrente das liquidações de instituições ligadas ao caso, cujo custo estimado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já ultrapassa R$ 51,8 bilhões.

Segundo fontes ouvidas pela imprensa, o ex-executivo mantém conversas com investigadores e busca apresentar novos documentos. As tratativas, porém, não configuram, até o momento, um acordo formal de colaboração premiada.

Investigação sobre carteiras sem lastro

A Polícia Federal apura se Costa participou de suposta falsificação de documentos após a aquisição, pelo BRB, de carteiras de crédito consignado sem lastro atribuídas ao Banco Master, no valor estimado de R$ 12,2 bilhões. A investigação também envolve a entrega de outros ativos em troca dessas carteiras e a eventual participação do banqueiro Daniel Vorcaro e sócios em operações que resultaram na compra de ações do BRB por meio de fundos ligados à gestora Reag.

Costa nega irregularidades e afirma ter atuado dentro de sua função, com base em decisões colegiadas e boas práticas. Em declarações, sustentou que sua colaboração visa fornecer informações para o esclarecimento dos fatos, sem intenção de firmar acordo de delação.

O ex-presidente do BRB prepara nova rodada de documentos, incluindo comunicações enviadas ao Banco Central sobre fundos que passaram a integrar a base acionária da instituição. Sua defesa argumenta que a atuação do executivo foi estritamente técnica.

Divergências em depoimentos e acareação

No final de dezembro de 2025, Costa e Vorcaro prestaram depoimento no STF e participaram de uma acareação determinada pelo então relator, ministro Dias Toffoli. Durante o procedimento, os dois apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito.

Vorcaro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que os créditos eram originados por terceiros. Costa, por sua vez, declarou que entendia tratar-se de carteiras originadas no próprio Banco Master, posteriormente negociadas com terceiros e recompradas antes de serem revendidas ao BRB.

Segundo o ex-presidente, a ligação com a empresa Tirreno só teria sido identificada entre abril e maio de 2025, após análises técnicas detectarem padrões documentais distintos nos contratos. Ele sustenta que a identificação tardia ocorreu porque a origem final do crédito não integra, normalmente, os documentos analisados em operações desse tipo.

Estratégia de defesa e divergências com auditoria

A defesa de Costa busca demonstrar que ele atuou em favor dos interesses estratégicos do BRB, dentro de um plano de expansão nacional. O pedido de novo depoimento teria sido motivado pela avaliação de que o primeiro esclarecimento foi incompleto.

Entre os argumentos apresentados:

  • A aprovação e homologação dos aumentos de capital pelo Banco Central;
  • A comunicação formal à autoridade monetária sobre irregularidades nas carteiras;
  • A revisão de relatórios e reforço dos mecanismos de controle após suspeitas;
  • A exigência de garantias adicionais nas operações com o Master.

O ex-presidente também contesta relatório preliminar de auditoria independente que apontou indícios de gestão temerária nas operações com o banco privado.

Mudança na relatoria do caso no STF

O inquérito no Supremo passou para a relatoria do ministro André Mendonça, após o afastamento de Dias Toffoli. O novo relator aguarda relatório detalhado da Polícia Federal para decidir os próximos passos.

Segundo interlocutores, decisões anteriores podem ser revistas, dependendo das conclusões dos investigadores. Mendonça também conduz outro inquérito de grande repercussão, que apura fraudes no INSS, o que amplia o peso político de sua atuação em ano eleitoral.

Liquidações ampliam impacto financeiro

O caso Master também provocou uma série de liquidações no sistema financeiro. O Banco Central já decretou a liquidação extrajudicial de oito instituições ligadas ao conglomerado, incluindo o Banco Master, o Will Financeira e o Banco Pleno.

Com a decisão mais recente, o custo estimado ao FGC chegou a R$ 51,8 bilhões, distribuídos da seguinte forma:

  • Banco Master: R$ 40,6 bilhões
  • Will Financeira: R$ 6,3 bilhões
  • Banco Pleno: R$ 4,9 bilhões

As liquidações começaram em novembro de 2025 e envolvem instituições controladas ou ligadas a ex-sócios do Banco Master. O fundo tinha cerca de R$ 122 bilhões em caixa no primeiro semestre de 2026.

Substituição de ativos e risco de perdas

O Banco Central apontou irregularidades em R$ 12,2 bilhões em carteiras adquiridas pelo BRB. Do total, cerca de R$ 10 bilhões foram substituídos por outros ativos.

Ainda assim, o regulador estima que o potencial de perdas possa chegar a R$ 5 bilhões, embora o BRB afirme que a qualidade dos novos ativos ainda está em avaliação.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agência Brasil.


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