Na sexta-feira (20/02/2026), o caso envolvendo o Banco Master voltou ao centro do noticiário político-institucional com a convergência de três movimentos simultâneos: a investigação sobre o vazamento de uma reunião sigilosa no STF, a ampliação das frentes de apuração pela Polícia Federal (PF) — inclusive em temas correlatos ligados a acesso indevido a dados — e a consolidação do impacto regulatório e financeiro decorrente da série de liquidações extrajudiciais decretadas pelo Banco Central (BC) desde novembro de 2025.
O conjunto dos fatos reforça a dimensão sistêmica do episódio: não se trata apenas de um caso de insolvência bancária, mas de um enredo que atravessa governança do sistema financeiro, cadeia de custódia de provas, sigilo processual, confiança institucional no STF e ressarcimentos bilionários pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As informações reunidas apontam para um cenário no qual decisões judiciais, diligências policiais e medidas regulatórias caminham em paralelo, com repercussões políticas e jurídicas em múltiplas frentes.
Vazamento de reunião reservada no STF expõe crise de confiança
A investigação interna sobre o vazamento de uma reunião sigilosa do STF relacionada ao caso Master se tornou um dos pontos mais sensíveis do episódio. O encontro teria ocorrido em ambiente reservado, em sala de videoconferência próxima ao gabinete do ministro Edson Fachin, justamente com o objetivo de preservar confidencialidade.
De acordo com as informações relatadas no material fornecido, a apuração indicou que apenas ministros teriam condições técnicas de registrar e divulgar o conteúdo. O registro do encontro teria se limitado a três computadores logados: um equipamento na sala e outros dois associados aos ministros Luiz Fux e André Mendonça. Ambos negaram envolvimento, enquanto a apuração considerou também a hipótese de vazamento por meio de uso de celulares durante a reunião.
A reprodução de trechos e falas atribuídas a ministros em publicações externas elevou o custo institucional do episódio, consolidando uma percepção de quebra de confiança dentro da Corte. O material aponta que, nos bastidores, a reunião passou a ser vista como um erro de estratégia, já que a discussão sobre atos concretos do processo poderia — segundo avaliação mencionada — ter ocorrido em sessão pública, como regra de transparência do tribunal.
Mendonça reduz sigilo e amplia autonomia operacional da PF
No campo processual, outra mudança relevante foi atribuída ao ministro André Mendonça, descrito como novo relator do caso no STF desde 12/02/2026. O material informa que Mendonça decidiu reduzir o nível de sigilo do procedimento, de quatro para três, ao mesmo tempo em que autorizou um arranjo que amplia a autonomia operacional da PF na condução de diligências.
A decisão mencionada também reforça o princípio de “compartimentação” das informações, estabelecendo que apenas os agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos devem ter acesso ao material, sob dever de sigilo profissional. Segundo o conteúdo fornecido, o alcance desse sigilo seria aplicado inclusive em relação a superiores hierárquicos e outras autoridades públicas, com o efeito prático de limitar a circulação interna de informações na estrutura estatal.
O texto descreve ainda uma justificativa operacional: a PF teria informado ao STF que, para extrair dados de 100 dispositivos eletrônicos, um único perito levaria cerca de 20 semanas, o que embasaria a necessidade de adoção de fluxo ordinário de trabalho e distribuição de demandas entre peritos habilitados, com preservação da cadeia de custódia.
Além disso, Mendonça teria autorizado diligências ordinárias — como oitivas — nas dependências da própria PF, desde que respeitada a compartimentação e sem necessidade de autorização judicial específica para atos rotineiros dentro desse escopo.
Banco Central instala comissão para apurar liquidações do conglomerado Master
No plano regulatório, o Banco Central definiu uma comissão de inquérito administrativo para apurar as causas das liquidações de instituições ligadas ao conglomerado Master. A equipe é descrita como composta por cinco técnicos do BC, com prazo inicial de 120 dias, prorrogável por mais 120 em caso de necessidade.
O escopo indicado inclui a apuração de responsabilidades de administradores e controladores no período de cinco anos anteriores às liquidações, com possibilidade de análise de contabilidade, documentos, arquivos e outros elementos. O material sugere que o inquérito deve resultar em relatório sobre causas, estimativa de prejuízos e eventual encaminhamento às autoridades competentes, inclusive com reflexos judiciais, conforme as regras do sistema de resolução bancária.
Esse movimento reforça a face institucional do caso: além das investigações criminais, a autoridade monetária busca definir responsabilidades administrativas e contábeis no âmbito do sistema financeiro nacional, em um contexto de liquidações em série.
Liquidações em série: oito instituições relacionadas ao Master desde novembro de 2025
O material fornecido lista oito instituições financeiras com alguma relação com o Banco Master que foram submetidas a liquidação extrajudicial ou regimes correlatos pelo Banco Central entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.
A sequência inclui quatro integrantes do conglomerado liquidado em 18/11/2025 (Banco Master S.A., Banco Master de Investimento, Banco Letsbank e Master CTVM), além do Regime de Administração Especial Temporária (Raet) no Banco Master Múltiplo. Em 2026, ocorreram novas medidas: liquidação da Reag Trust DTVM em 15/01/2026, liquidação da Will Financeira em 21/01/2026, e, em 18/02/2026, liquidação do Banco Pleno S.A. e da Pleno DTVM.
A justificativa regulatória mencionada para a liquidação do Pleno inclui deterioração de liquidez, comprometimento econômico-financeiro, infringência normativa e descumprimento de determinações do BC. O material também destaca que, com a liquidação, ficam indisponíveis bens de controladores e administradores, como prevê a legislação.
Impacto no FGC ultrapassa R$ 50 bilhões e projeta efeitos sobre o sistema
O aspecto mais sensível do ponto de vista do mercado e dos consumidores é o impacto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), descrito no material como próximo de R$ 51,8 bilhões apenas em garantias, somando casos relacionados ao Master, Will Bank e Banco Pleno. O conteúdo aponta ainda uma comparação: esse valor corresponderia a cerca de 48% do lucro combinado dos principais bancos brasileiros em 2025.
O texto também detalha a dinâmica do ressarcimento: clientes com garantias cobertas já estariam recebendo valores no caso do Master; no Will Bank, haveria adiantamento parcial; e, no caso do Pleno, a liberação dependeria do envio de informações detalhadas pelo liquidante ao FGC. Trata-se de um processo burocrático e operacional, com efeitos diretos sobre pessoas físicas e empresas que tinham recursos depositados ou investidos nas instituições liquidadas.
PF investiga acesso a dados e possível conexão com ex-chefia de inteligência da Receita
Em outra frente, o material registra que a Polícia Federal apura uma investigação sobre acesso a dados ligados a ministros do STF, com possível conexão entre um servidor investigado e um ex-integrante da Receita Federal que ocupou cargo de chefia na área de inteligência no início do governo Jair Bolsonaro.
O conteúdo aponta que o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes teria relação com Ricardo Pereira Feitosa, ex-chefe da inteligência da Receita. Mansano teria sido alvo de operação por suspeita de acesso a dados relacionados a uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes. Em depoimento, o auditor teria alegado acesso acidental vinculado à busca por dados de pessoa ligada ao ex-chefe, mas os investigadores considerariam necessário esclarecer se houve atuação conjunta.
O material menciona que a PF deve incluir a possibilidade de quebra de sigilos telefônico e fiscal para verificar eventuais repasses financeiros. Também registra a existência de outros alvos, incluindo servidor do Serpro cedido ao Fisco e mais investigados, com mandados cumpridos em diferentes estados.








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