Artigo publicado pelo escritor e ex-deputado Joaci Góes, intitulado “O trauma das Forças Armadas”, divulgado desta quinta-feira (05/03/2026) no jornal Tribuna da Bahia, analisa o clima de inconformismo dentro das Forças Armadas brasileiras após as condenações relacionadas aos desdobramentos políticos do processo eleitoral de 2022. No texto, o autor discute o impacto institucional das decisões judiciais envolvendo militares e manifestantes, critica a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente do ministro Alexandre de Moraes, e avalia possíveis desdobramentos políticos, como o debate sobre anistia aos condenados e as especulações eleitorais envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Debate político e militar após as condenações ligadas aos atos pós-eleitorais
No artigo, Joaci Góes afirma que existe, segundo sua avaliação, um sentimento de inconformismo entre setores das Forças Armadas em relação às condenações impostas a militares e civis acusados de envolvimento em tentativas de ruptura institucional no contexto da sucessão presidencial de 2022.
O autor argumenta que parte desse descontentamento estaria relacionado à interpretação jurídica dada aos episódios investigados. Segundo Góes, houve discussões internas e especulações políticas sobre possíveis cenários institucionais naquele momento. Na visão apresentada no artigo, tais debates foram posteriormente enquadrados judicialmente como tentativa de golpe de Estado.
Ao longo do texto, Góes sustenta que o episódio teria produzido repercussões profundas no ambiente político e militar brasileiro, afetando a percepção pública sobre o papel histórico das Forças Armadas na vida institucional do país.
Críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal
Uma parte central do artigo é dedicada à atuação do Supremo Tribunal Federal e, em particular, do ministro Alexandre de Moraes, responsável por relatar diversos processos relacionados aos atos políticos que ocorreram após as eleições presidenciais.
Joaci Góes afirma que Moraes acumulou funções no processo judicial que, segundo sua interpretação, poderiam gerar questionamentos institucionais. O autor sustenta que o ministro teria assumido simultaneamente papéis de investigação, acusação e julgamento, interpretação que ele considera controversa.
O texto também aborda as condenações de manifestantes envolvidos na destruição de patrimônio público durante protestos políticos. Góes reconhece que houve atos de vandalismo que deveriam ser punidos conforme a legislação, mas questiona a tipificação jurídica adotada em alguns casos.
Em determinado trecho do artigo, o autor escreve que “da infração ao enquadramento como tentativa de golpe de Estado existe uma distância de interpretação jurídica”, defendendo que algumas condenações teriam sido desproporcionais.
Debate sobre anistia e repercussão nas Forças Armadas
Outro ponto analisado no artigo é o debate político sobre uma eventual anistia aos condenados pelos atos políticos relacionados ao período pós-eleitoral.
Segundo Góes, a possibilidade de aprovação de uma medida desse tipo no Congresso Nacional estaria sendo discutida no ambiente político e poderia produzir repercussões institucionais relevantes.
O autor afirma que a hipótese de anistia geraria, entre setores militares, uma expectativa de redução das tensões institucionais acumuladas desde os julgamentos.
No texto, ele também menciona que a imagem pública das Forças Armadas teria sido impactada pelas investigações e condenações, apontando que historicamente a instituição manteve elevado índice de confiança da população brasileira.
Repercussões culturais e manifestações nas redes sociais
Joaci Góes observa ainda que o debate político tem se refletido em manifestações culturais e sociais, incluindo composições musicais e conteúdos que circulam nas redes sociais, criticando lideranças políticas e decisões institucionais.
Segundo o autor, essas manifestações estariam associadas ao ambiente de polarização política que permanece presente no país desde o ciclo eleitoral recente.
O artigo também menciona interpretações e expectativas sobre os próximos ciclos eleitorais. Entre elas, o crescimento de especulações políticas sobre o cenário de 2026, incluindo discussões sobre possíveis candidaturas e estratégias eleitorais.
Cenários políticos e especulações eleitorais
No trecho final do artigo, Góes aborda o cenário político nacional e levanta hipóteses sobre o futuro da disputa eleitoral.
Segundo ele, a evolução do ambiente político e institucional pode influenciar decisões estratégicas das principais lideranças do país. O autor menciona especulações sobre a eventual desistência de uma candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, interpretação apresentada no texto como uma possibilidade discutida em círculos políticos.
Essa avaliação é apresentada como análise pessoal do articulista sobre o impacto da polarização política e das disputas institucionais no cenário eleitoral brasileiro.
*Joaci Góes, advogado, jornalista, escritor, empresário e político brasileiro, nascido em Ipirá, Bahia, em 1938, preside o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), mais antiga e uma das mais importantes instituições culturais do estado, com sede em Salvador.








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