PF e PGR investigam Vorcaro e Zettel por fraude no sistema financeiro; documentos citam voos com casal Moraes, que nega vínculo

Na terça-feira (01/04/2026), documentos revelados pela Folha de S.Paulo indicaram que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, teriam utilizado aeronaves vinculadas a empresas associadas ao empresário Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeitas de crimes financeiros. As informações decorrem do cruzamento de bases oficiais de aviação e abrangem voos realizados entre maio e outubro de 2025, período que coincide com a vigência de contratos milionários entre o escritório da advogada e o Banco Master.

Cruzamento de dados oficiais identifica voos entre maio e outubro de 2025

A identificação dos voos foi realizada a partir de três bases distintas: registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), vinculado à Aeronáutica, e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB). A partir desse cruzamento, foram apontados oito voos associados aos nomes do ministro e de sua esposa.

Desses deslocamentos, sete teriam ocorrido em aeronaves da empresa Prime Aviation, especializada no compartilhamento de bens de luxo, da qual Daniel Vorcaro foi sócio por meio do fundo Patrimonial Blue entre setembro de 2021 e setembro de 2025. O oitavo voo, realizado em agosto de 2025, teria utilizado um jato Falcon 2000 pertencente à empresa FSW SPE, que, segundo a reportagem, não possui autorização para operar como táxi aéreo.

Segundo os documentos, um dos proprietários dessa aeronave é o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também investigado pela PF e pela PGR no âmbito de apurações sobre fraudes no sistema financeiro. Ambos são citados em investigações conduzidas pelos órgãos federais e que tramitam no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça.

Gabinete de Moraes e escritório negam qualquer vínculo direto

Em nota, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes afirmou que as alegações são “absolutamente falsas” e classificou a reportagem como fantasiosa. Segundo o posicionamento oficial, o ministro jamais utilizou aeronaves de propriedade de Daniel Vorcaro, tampouco manteve relação com o empresário ou com Fabiano Zettel, que, conforme a nota, não é conhecido pelo magistrado.

O escritório Barci de Moraes declarou que realiza contratações regulares de serviços de táxi aéreo e confirmou que a empresa Prime Aviation esteve entre as prestadoras eventualmente utilizadas. No entanto, afirmou que nenhum dos voos contou com a presença de Vorcaro ou Zettel e que todos os pagamentos foram realizados dentro dos termos contratuais, inclusive com compensação de honorários advocatícios.

A defesa acrescentou que não há qualquer relação pessoal ou direta entre integrantes do escritório e os investigados, reiterando a regularidade das operações.

Contrato com Banco Master amplia relevância do caso

O caso ganha maior dimensão diante de revelação anterior feita pelo jornal O Globo em 2025, segundo a qual o escritório de advocacia de Viviane Barci mantinha contrato com o Banco Master no valor superior a R$ 3,5 milhões mensais, ao longo de três anos, totalizando aproximadamente R$ 129 milhões.

A simultaneidade entre a vigência desse contrato, os voos identificados e as investigações conduzidas por PF e PGR eleva o interesse público sobre o episódio, sobretudo em razão da posição institucional ocupada pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal.

Investigações avançam e incluem possibilidade de delação premiada

Daniel Vorcaro é investigado por suspeitas que incluem fraudes de grande escala no sistema financeiro, corrupção e atuação estruturada em organização criminosa. Fabiano Zettel também é apontado nas investigações como operador financeiro vinculado ao grupo.

Em março de 2026, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, etapa preliminar que pode evoluir para um acordo de delação premiada, potencialmente ampliando o alcance das apurações em curso.

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