A aprovação do título de cidadão soteropolitano ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela Câmara Municipal de Salvador provocou reação do deputado federal Afonso Florence (PT-BA), que classificou a homenagem como uma “afronta ao bom senso” e afirmou que o episódio evidencia o alinhamento político entre o grupo ligado ao ex-prefeito ACM Neto, o prefeito Bruno Reis e o bolsonarismo. Segundo Florence, a concessão da honraria a um parlamentar sem vínculos administrativos ou serviços prestados à capital baiana transforma uma distinção pública em instrumento de sinalização eleitoral. A Câmara Municipal de Salvador é o Legislativo da capital baiana e tem sede na Praça Thomé de Souza, no Centro da cidade.
Afonso Florence vê gesto político em homenagem a Flávio Bolsonaro
A proposta de concessão do título foi aprovada por vereadores da base política associada ao grupo de ACM Neto e Bruno Reis. Para Afonso Florence, a votação não deve ser analisada apenas como uma homenagem legislativa, mas como um gesto de posicionamento no tabuleiro político baiano e nacional.
“Esse gesto escancara um alinhamento que antes tentavam esconder com a política do ‘tanto faz’. Na prática, é a confirmação de que ACM Neto está ao lado do bolsonarismo e fará campanha para Flávio Bolsonaro”, afirmou o deputado.
Na avaliação do parlamentar petista, a aprovação do título retira da honraria seu caráter institucional e a aproxima de uma estratégia partidária. Florence sustenta que a concessão de títulos de cidadania deve estar vinculada a contribuições concretas ao município, à sua população ou à sua vida pública.
Deputado questiona ausência de serviços prestados a Salvador
Afonso Florence também criticou a justificativa da homenagem ao senador. Segundo ele, não há registro de atuação pública relevante de Flávio Bolsonaro em favor de Salvador que sustente a concessão do título de cidadão soteropolitano.
“Flávio Bolsonaro não tem qualquer serviço prestado a Salvador. É legítimo perguntar o que está sendo homenageado”, declarou Florence.
O questionamento se concentra no critério político e simbólico da honraria. Para o deputado, quando uma Câmara Municipal concede título de cidadania a um agente público de outro estado sem relação direta com a cidade, a homenagem passa a ser interpretada como manifestação de apoio político, e não como reconhecimento institucional.
Críticas incluem histórico político da família Bolsonaro
Florence associou a homenagem ao histórico político do senador e da família Bolsonaro. O deputado mencionou, em sua crítica, investigações e controvérsias envolvendo temas como rachadinhas, suspeitas relacionadas à venda de joias, apurações sobre vínculos políticos e acusações ligadas aos atos contra a ordem democrática.
“Não se trata apenas de falta de contribuição. Estamos falando de um conjunto de fatos que marcam negativamente a vida pública”, pontuou o deputado federal.
No caso das chamadas “rachadinhas”, investigações envolvendo Flávio Bolsonaro foram alvo de disputas judiciais. A Reuters registrou, em checagem publicada em 2024, que o STJ anulou decisões de quebra de sigilo no caso e que a Justiça fluminense decidiu arquivar tentativas de reabertura das investigações pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Florence associa votação à disputa política na Bahia
Afonso Florence situou a aprovação da homenagem em um cenário mais amplo de disputa política no estado. Para o deputado, o gesto da Câmara de Salvador indica uma tentativa de aproximação pública do grupo carlista com o bolsonarismo, especialmente diante da reorganização das forças políticas para as eleições de 2026.
“A Bahia é Lula, isso está em todas as pesquisas. Aqui, não é pai, nem filho, nem neto Bolsonaro”, afirmou Florence, em referência ao desempenho eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado e à resistência do campo governista baiano ao bolsonarismo.
A declaração também busca vincular o debate municipal à correlação de forças no estado. Na leitura do parlamentar, a Bahia consolidou, nas últimas eleições, uma maioria política favorável ao campo liderado por Lula, Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues.
Governador Jerônimo é citado como contraponto político
Ao criticar a homenagem, Florence contrapôs o gesto da Câmara Municipal ao projeto político conduzido pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) em parceria com o governo federal. O deputado citou obras estruturantes e investimentos públicos em áreas como mobilidade, saúde e educação.
“O melhor presidente da história do Brasil, junto com Wagner e Rui, garantiu muitos investimentos e melhoria da vida da população. E agora, com Jerônimo, estamos avançando com obras como o metrô, o VLT, a Ponte Salvador-Itaparica e a entrega da nova rodoviária, além de ações na saúde e na educação, fruto da parceria com o governo Lula, levando mais qualidade de vida para o povo baiano”, concluiu Florence.
A fala reforça a tentativa do deputado de deslocar o debate da homenagem para uma comparação entre projetos políticos. De um lado, Florence apresenta o campo governista como responsável por obras e programas públicos; de outro, enquadra a homenagem a Flávio Bolsonaro como sinal de adesão da oposição baiana ao bolsonarismo.








Deixe um comentário