O senador Jaques Wagner (PT-BA) defendeu neste sábado (23/05/2026), durante plenária do Programa de Governo Participativo 2026 (PGP 2026) realizada em Macaúbas, no Território de Identidade Bacia do Paramirim, que a formulação de políticas públicas na Bahia deve partir da escuta presencial da população nos diferentes territórios do estado. Ao afirmar que “é preciso pisar onde o povo pisa”, Wagner sustentou que gestores públicos não devem limitar sua atuação aos gabinetes da capital, mas conhecer diretamente as dificuldades enfrentadas por comunidades que convivem com falta de água, ausência de energia, problemas de infraestrutura e demandas por serviços públicos. A agenda em Macaúbas integra o ciclo de encontros do PGP 2026, apresentado pelo grupo governista como mecanismo de participação social para construção de diretrizes políticas e administrativas para o próximo período.
Durante o encontro, Wagner afirmou que a presença de governantes nas regiões do interior é condição necessária para compreender a realidade da população. Segundo o senador, “não adianta ficar sentado na capital, achando que as coisas vão se resolver”, em referência à necessidade de deslocamento dos gestores para os locais onde os problemas se manifestam de forma concreta.
O parlamentar relacionou sua fala a uma concepção de governo baseada na observação direta das demandas locais. Para ele, é necessário “passar no lugar onde falta água” e “no lugar onde falta energia” para que as decisões administrativas não sejam tomadas apenas a partir de relatórios, reuniões técnicas ou percepções distantes da realidade social.
Wagner classificou o PGP 2026 como um método de planejamento político e administrativo. De acordo com o senador, o programa não deve ser tratado como uma ação simbólica, mas como um instrumento voltado a reduzir erros de formulação de políticas públicas e aproximar as prioridades do governo das necessidades apontadas pela população.
PGP 2022 é citado como referência de planejamento
Ao defender a continuidade do modelo de escuta territorial, Wagner citou o ciclo anterior do Programa de Governo Participativo. Segundo ele, o PGP de 2022 reuniu aproximadamente 670 propostas populares, encaminhadas por diferentes segmentos sociais e regiões da Bahia.
O senador afirmou que, faltando sete meses para o fim do governo de Jerônimo Rodrigues, cerca de 90% das propostas recebidas já teriam sido resolvidas ou encaminhadas. A informação foi apresentada por Wagner como exemplo da efetividade do programa na organização das prioridades administrativas.
A menção ao ciclo de 2022 também serviu para reforçar o argumento político do grupo governista de que a escuta territorial pode funcionar como ponte entre participação popular, planejamento estatal e execução de obras, serviços e programas públicos.
Senador destaca entregas do grupo governista na Bahia
Wagner também utilizou a plenária para fazer um balanço das ações atribuídas ao grupo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Bahia ao longo dos últimos 19 anos. Entre os dados citados, o senador afirmou que o estado passou de uma universidade federal para seis instituições federais de ensino superior.
O parlamentar também mencionou a expansão da educação profissional e técnica. Segundo ele, a Bahia conta atualmente com 37 institutos técnicos e deverá chegar a 45 unidades, dentro da estratégia de ampliação da formação profissional em diferentes regiões do estado.
Na área da saúde, Wagner citou a implantação de 26 policlínicas regionais e a previsão de construção de mais 8 unidades. O senador apresentou esses números como parte do histórico administrativo do grupo político que governa a Bahia e como elemento de comparação para o debate eleitoral de outubro.
Agenda em Macaúbas integra mobilização nos 27 territórios de identidade
A plenária em Macaúbas ocorreu no contexto da mobilização do PGP 2026 — Encontros para o Futuro, iniciativa que pretende percorrer os 27 territórios de identidade da Bahia até julho. Antes da etapa na Bacia do Paramirim, Wagner já havia participado de encontros em Irecê, Seabra, Feira de Santana, Jacobina e Serrinha, conforme o material apresentado.
A agenda territorial tem como objetivo reunir lideranças políticas, movimentos sociais, representantes comunitários, juventudes, gestores locais e cidadãos interessados em apresentar propostas para o futuro plano de governo. O formato busca combinar debate regional, escuta pública e articulação política.
Segundo publicação anterior sobre o início do programa, o PGP 2026 foi apresentado como uma iniciativa de escuta participativa da população, com passagem prevista por todos os territórios do estado e participação de lideranças, movimentos sociais e sociedade civil.
Juventude foi ouvida em ato anterior à plenária geral
Na sexta-feira, 22/05/2026, Macaúbas também recebeu o Ato da Juventude, Cultura e Educação do PGP 2026, com participação do governador Jerônimo Rodrigues e de jovens da Bacia do Paramirim. O encontro abordou temas como educação, cultura, ensino técnico, permanência escolar e implantação do IFBA no território.
Durante atividade voltada à juventude, Wagner citou um exemplo de Vitória da Conquista para ilustrar a importância da escuta popular. Segundo o senador, uma comunidade enfrentava casos recorrentes de bronquite asmática entre crianças, e a solução inicialmente imaginada seria a construção de uma unidade básica de saúde.
Após a escuta da população, a equipe teria identificado que o asfaltamento de uma estrada poderia ser mais efetivo para reduzir a poeira e, consequentemente, os problemas respiratórios. O caso foi apresentado por Wagner como exemplo de como políticas públicas podem mudar de direção quando o diagnóstico parte da realidade vivida pelos moradores.
Escuta popular e calendário eleitoral ampliam peso político do PGP
Embora apresentado como instrumento de planejamento participativo, o PGP 2026 ocorre em um ano eleitoral, o que amplia seu peso político. As eleições gerais de 2026 estão previstas para outubro e envolvem disputas para governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas, além da eleição presidencial. O próprio TSE mantém informações e serviços eleitorais atualizados sobre o processo de 2026.
Nesse contexto, as plenárias do PGP funcionam simultaneamente como espaço de consulta social, prestação de contas e mobilização de base. A presença de Wagner, Jerônimo Rodrigues e outras lideranças do grupo governista em diferentes territórios reforça a tentativa de consolidar uma narrativa de continuidade administrativa e proximidade com municípios do interior.
A estratégia tem relevância especial em regiões como a Bacia do Paramirim, onde demandas por infraestrutura, água, energia, educação, saúde regionalizada e qualificação profissional costumam ter impacto direto sobre a avaliação de governos estaduais. Ao levar o debate para o interior, o grupo busca associar planejamento público à presença territorial.








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