O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23/07/2026) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que a Bahia registrou 5.473 Mortes Violentas Intencionais em 2025, com taxa de 36,8 vítimas por 100 mil habitantes. Embora o número represente redução de 9,6% em relação a 2024, o estado permaneceu com a segunda maior taxa do país, atrás apenas do Amapá, e concentrou cinco dos dez municípios brasileiros com os maiores índices de violência letal: Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro.
Brasil registra menor taxa de mortes violentas desde 2012
O Brasil contabilizou 40.775 Mortes Violentas Intencionais — MVI — em 2025, contra 44.220 no ano anterior. A taxa nacional caiu de 20,8 para 19,1 vítimas por 100 mil habitantes, retração de 8,2%, alcançando o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012.
A categoria MVI reúne vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais. O indicador permite comparações nacionais mais abrangentes que aquelas baseadas exclusivamente nos registros de homicídio.
Entre 2012 e 2025, a taxa brasileira diminuiu de 27,7 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, uma redução acumulada de 31%. Em números absolutos, o país passou de 54.694 vítimas, em 2012, para 40.775, em 2025. O pico da série ocorreu em 2017, quando foram contabilizadas 64.079 mortes violentas intencionais.
O perfil das vítimas permaneceu marcado por desigualdades demográficas e raciais. Em 2025, 90,8% das vítimas eram homens, 41,6% tinham entre 18 e 29 anos e 79,7% eram negras, segundo o levantamento. O Anuário é elaborado com informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, polícias civis, militares e Federal, além de outras bases oficiais.
Bahia reduz mortes, mas permanece entre os estados mais violentos
Na Bahia, o número de mortes violentas caiu de 6.047, em 2024, para 5.473, em 2025. Foram 574 vítimas a menos, correspondendo à redução de 9,6%. A taxa estadual recuou de 40,7 para 36,8 por 100 mil habitantes.
Mesmo com a queda, a Bahia apresentou a segunda maior taxa entre as 27 unidades da Federação. O índice baiano ficou 92,6% acima da média brasileira, de 19,1, e 16,5% acima da média do Nordeste, calculada em 31,6 mortes por 100 mil habitantes.
Em números absolutos, a Bahia liderou o país, reunindo aproximadamente 13,4% das 40.775 mortes violentas intencionais registradas no território nacional. O total baiano superou os números do Rio de Janeiro, com 3.890 vítimas; de São Paulo, com 3.615; e do Ceará, com 3.220.
A composição dos registros baianos incluiu 3.765 vítimas de homicídio doloso, 60 de latrocínio, 78 de lesão corporal seguida de morte e 1.570 mortes decorrentes de intervenções policiais. As ocorrências envolvendo ações policiais corresponderam a aproximadamente 28,7% de todas as MVI do estado.
As forças policiais baianas responderam por cerca de 23,8% das 6.602 mortes decorrentes de intervenções policiais registradas no Brasil em 2025. Com taxa de 10,6 mortes por 100 mil habitantes, a Bahia ocupou a segunda colocação nacional em letalidade policial, atrás do Amapá, que apresentou taxa de 17,1. Sergipe ficou em terceiro lugar, com 8,4.
Ranking das Mortes Violentas Intencionais por estado em 2025
O ranking considera a taxa de MVI por 100 mil habitantes, critério que permite comparar unidades federativas com populações distintas.
| Posição | Unidade da Federação | Vítimas em 2025 | Taxa por 100 mil | Variação sobre 2024 |
|---|---|---|---|---|
| 1º | Amapá | 343 | 42,5 | -5,9% |
| 2º | Bahia | 5.473 | 36,8 | -9,6% |
| 3º | Ceará | 3.220 | 34,7 | -7,5% |
| 4º | Alagoas | 1.066 | 33,1 | -6,6% |
| 5º | Pernambuco | 3.159 | 33,0 | -9,3% |
| 6º | Maranhão | 2.082 | 29,7 | -2,2% |
| 7º | Rio Grande do Norte | 1.007 | 29,1 | +19,6% |
| 8º | Pará | 2.477 | 28,4 | -3,7% |
| 9º | Rondônia | 493 | 28,1 | +7,5% |
| 10º | Paraíba | 1.023 | 24,6 | -3,9% |
| 11º | Mato Grosso | 890 | 22,9 | -23,2% |
| 12º | Rio de Janeiro | 3.890 | 22,6 | +2,1% |
| 13º | Sergipe | 508 | 22,1 | -3,0% |
| 14º | Espírito Santo | 907 | 22,0 | -8,4% |
| 15º | Acre | 191 | 21,6 | +6,3% |
| 16º | Mato Grosso do Sul | 591 | 20,2 | +4,9% |
| 17º | Roraima | 144 | 19,5 | +5,8% |
| 18º | Tocantins | 307 | 19,3 | -2,2% |
| 19º | Amazonas | 799 | 18,5 | -32,5% |
| 20º | Piauí | 579 | 17,1 | -15,7% |
| 21º | Goiás | 1.222 | 16,5 | -12,7% |
| 22º | Paraná | 1.844 | 15,5 | -15,5% |
| 23º | Minas Gerais | 2.770 | 12,9 | -14,2% |
| 24º | Rio Grande do Sul | 1.266 | 11,3 | -25,7% |
| 25º | Distrito Federal | 287 | 9,6 | +5,8% |
| 26º | São Paulo | 3.615 | 7,8 | -3,9% |
| 27º | Santa Catarina | 622 | 7,6 | -11,1% |
Apenas sete unidades federativas registraram aumento da taxa de mortes violentas: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. A taxa baiana foi quase 4,8 vezes maior que a de Santa Catarina, estado com o menor indicador nacional.
Nordeste concentra sete dos dez estados com maiores taxas
A distribuição regional mostra que a redução nacional ocorreu de maneira desigual. O Nordeste apresentou a maior taxa regional, com 31,6 mortes violentas por 100 mil habitantes, seguido pelo Norte, com 25,3; Centro-Oeste, com 17,3; Sudeste, com 12,6; e Sul, com 11,9.
Entre os dez estados com as maiores taxas de MVI, sete estão no Nordeste: Bahia, Ceará, Alagoas, Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Norte e Paraíba. Amapá, Pará e Rondônia, integrantes da Região Norte, completaram o grupo.
Entre 2012 e 2025, as taxas diminuíram 49,9% no Centro-Oeste, 48,8% no Sul e 35,9% no Sudeste. As retrações foram menores no Norte, com 28,1%, e no Nordeste, com 17,1%, demonstrando que a redução da violência letal avançou em ritmo mais lento nas duas regiões que permanecem com os maiores indicadores.
Bahia ocupa cinco posições entre as dez cidades mais letais do Brasil
O ranking municipal do Anuário considera somente cidades com população igual ou superior a 100 mil habitantes. Todos os dez municípios com as maiores taxas de MVI em 2025 estavam localizados no Nordeste.
A Bahia concentrou metade das posições. O Ceará apareceu com três municípios, enquanto Pernambuco e Paraíba tiveram uma cidade cada.
| Posição nacional | Município | Estado | Taxa de MVI por 100 mil |
|---|---|---|---|
| 1º | Maranguape | CE | 100,3 |
| 2º | Eunápolis | BA | 85,1 |
| 3º | Maracanaú | CE | 80,7 |
| 4º | Porto Seguro | BA | 71,2 |
| 5º | Simões Filho | BA | 68,1 |
| 6º | Jequié | BA | 67,4 |
| 7º | Caucaia | CE | 66,6 |
| 8º | Cabo de Santo Agostinho | PE | 65,1 |
| 9º | Santa Rita | PB | 60,9 |
| 10º | Juazeiro | BA | 55,8 |
A taxa de Eunápolis foi mais de quatro vezes superior à média brasileira. O município do extremo sul baiano não estava entre as 20 primeiras posições do ranking de 2024, mas avançou para a segunda colocação em 2025.
Porto Seguro, além da quarta maior taxa geral de MVI, apresentou a maior taxa municipal de mortes decorrentes de intervenções policiais, com 32,3 vítimas por 100 mil habitantes. Eunápolis ficou em segundo lugar nesse indicador específico.
Simões Filho e Jequié também apareceram entre os municípios com maior letalidade policial. As taxas chegaram a 19,1 e 18,9 mortes decorrentes de ações policiais por 100 mil habitantes, respectivamente.
O estudo relaciona o padrão de violência, como hipótese analítica, às disputas entre grupos criminosos pelo controle de mercados ilegais e de corredores logísticos. Eunápolis e Porto Seguro são atravessadas pelas rodovias BR-101 e BR-367; Simões Filho está próxima ao Porto de Aratu e às rodovias BR-324, BA-526 e BA-093; e Jequié é cortada pelas BR-116 e BR-330. A presença dessas infraestruturas, contudo, não constitui isoladamente uma explicação causal para os indicadores.
Os dez municípios baianos com maiores taxas de MVI
O Anuário publica o ranking nacional, mas não apresenta uma lista separada com as dez maiores taxas dentro de cada estado. Para completar o recorte baiano, foram comparados os registros municipais disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia com as estimativas populacionais do IBGE para 1º de julho de 2025, mantendo-se o critério de municípios com pelo menos 100 mil habitantes.
As cinco primeiras posições correspondem diretamente aos dados publicados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Da sexta à décima colocação, as taxas são resultado de apuração complementar realizada a partir das bases oficiais. Pequenas diferenças de décimos podem ocorrer em razão das datas de consolidação e validação dos microdados.
| Posição na Bahia | Município | Taxa estimada por 100 mil habitantes |
|---|---|---|
| 1º | Eunápolis | 85,1 |
| 2º | Porto Seguro | 71,2 |
| 3º | Simões Filho | 68,1 |
| 4º | Jequié | 67,4 |
| 5º | Juazeiro | 55,8 |
| 6º | Camaçari | 52,2 |
| 7º | Teixeira de Freitas | 49,4 |
| 8º | Luís Eduardo Magalhães | 44,8 |
| 9º | Feira de Santana | 44,2 |
| 10º | Salvador | 44,0 |
Todos os dez municípios apresentaram taxas superiores à média nacional. Os cinco primeiros também superaram com ampla margem a taxa estadual, de 36,8 mortes violentas por 100 mil habitantes. A base da SSP-BA contém os registros municipais de janeiro a dezembro de 2025, enquanto o IBGE estimou a população baiana em 14.870.907 habitantes no mesmo ano.
A presença de Salvador, Feira de Santana e Camaçari no grupo evidencia que a concentração da violência letal não se restringiu a municípios de menor porte. O conjunto reúne a capital, importantes centros regionais, municípios turísticos, polos industriais e cidades localizadas em corredores rodoviários estratégicos.
Linha do tempo da violência letal na Bahia
2012 — Início da série comparável: a Bahia registrou 6.530 mortes violentas intencionais, com taxa de 45,7 vítimas por 100 mil habitantes. O Brasil contabilizou 54.694 mortes e taxa de 27,7.
2016 — Maior número da série baiana: o estado atingiu 7.091 vítimas e taxa de 48,8 por 100 mil habitantes, o maior índice estadual do período analisado.
2017 — Pico nacional: o Brasil registrou 64.079 mortes violentas intencionais. Na Bahia, foram contabilizadas 6.979 vítimas, com taxa de 47,9.
2021 — Novo patamar acima de 7 mil vítimas: a Bahia chegou a 7.069 mortes, com taxa de 47,8 por 100 mil habitantes.
2024 — Redução ainda insuficiente para alterar a posição nacional: foram registradas 6.047 mortes violentas, com taxa de 40,7.
2025 — Menor número baiano desde 2012: o total caiu para 5.473 vítimas e a taxa para 36,8, mas o estado permaneceu na segunda posição nacional e concentrou cinco municípios entre os dez de maior taxa do país.
23/07/2026 — Publicação do 20º Anuário: o relatório consolida os dados de 2025 e mostra que a queda nacional convive com elevada concentração territorial da violência no Norte e no Nordeste.
No período completo, a taxa baiana caiu aproximadamente 19,4%, de 45,7 para 36,8 mortes por 100 mil habitantes. A retração foi relevante, mas inferior à diminuição nacional de 31%. Em números absolutos, a redução acumulada na Bahia foi de 16,2%, passando de 6.530 para 5.473 vítimas.
Resultados estatisticamente relevante
A redução de 574 mortes violentas na Bahia em apenas um ano constitui um resultado estatisticamente relevante, mas não elimina a gravidade do quadro. O estado permanece com a segunda maior taxa nacional, lidera em número absoluto de vítimas e reúne metade dos municípios do ranking brasileiro. A comparação demonstra que a queda ocorreu a partir de um patamar historicamente elevado e ainda não foi suficiente para aproximar a Bahia da média nacional.
A participação das mortes decorrentes de intervenções policiais exige acompanhamento específico. Quase três em cada dez MVI registradas no estado decorreram de ações policiais, e a Bahia concentrou aproximadamente um quarto de todas essas mortes no país. O desafio institucional envolve reduzir a criminalidade organizada sem normalizar o uso excessivo da força, ampliar mecanismos de controle externo, preservar provas, investigar cada ocorrência e assegurar transparência sobre circunstâncias, autoria e responsabilização.
Os próximos indicadores deverão mostrar se a redução observada em 2025 será sustentada e se alcançará os municípios que concentram as maiores taxas. A Secretaria da Segurança Pública, as polícias Civil e Militar, o Ministério Público, o Poder Judiciário, órgãos federais e as administrações municipais terão papel decisivo na combinação de investigação criminal, inteligência financeira, controle de armas, repressão às facções, fiscalização policial e políticas preventivas. O ponto central permanece objetivo: a Bahia reduziu a violência letal, mas continua ocupando posição crítica no cenário nacional.







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