Estados Unidos isentam 471 produtos brasileiros de nova tarifa de 12,5%, mas parte das exportações passa a pagar 37,5%

Os Estados Unidos divulgaram uma lista com 471 produtos brasileiros que ficarão isentos da nova sobretaxa de 12,5% sobre importações provenientes do Brasil. A relação foi publicada na quinta-feira (23/07/2026) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e reúne produtos considerados estratégicos para o comércio bilateral e para a indústria norte-americana.

A nova tarifa entra em vigor na sexta-feira (24/07/2026) e será aplicada aos produtos brasileiros que não constam na lista de exceções. Para esses itens, a alíquota de 12,5% será somada à tarifa adicional de 25% implementada pelos Estados Unidos na quarta-feira (22/07/2026), elevando a tributação total para 37,5% em parte das exportações brasileiras.

Segundo o governo norte-americano, a medida foi adotada após investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que trata de práticas comerciais consideradas incompatíveis com a legislação do país, incluindo alegações relacionadas ao combate ao trabalho forçado.

Lista de exceções inclui produtos agrícolas, energéticos e industriais

Entre os 471 produtos brasileiros isentos da nova sobretaxa estão diversos itens considerados essenciais para a economia dos dois países e para cadeias produtivas norte-americanas.

Os principais produtos excluídos da tarifa adicional são:

  • Café;
  • Petróleo e derivados;
  • Gás natural;
  • Fertilizantes;
  • Madeira e produtos de madeira;
  • Suco de laranja;
  • Derivados de açaí;
  • Defensivos agrícolas;
  • Couros e peles;
  • Ferro-gusa;
  • Resíduos e sucata de alumínio;
  • Equipamentos para fabricação de semicondutores;
  • Medicamentos específicos e ingredientes farmacêuticos;
  • Obras de arte, antiguidades e itens de coleção.

A relação também contempla diversos insumos industriais, minerais e componentes utilizados pelos setores de tecnologia e da indústria farmacêutica.

Produtos não contemplados enfrentarão tributação acumulada

Os produtos brasileiros que ficaram fora da lista publicada pelo USTR passarão a recolher uma sobretaxa adicional de 12,5%.

Como essa cobrança será aplicada de forma cumulativa à tarifa de 25% já vigente desde 22/07/2026, parte das exportações brasileiras terá uma tributação total de 37,5% para ingressar no mercado norte-americano.

A nova alíquota substitui, na prática, a tarifa temporária de 10% aplicada desde fevereiro de 2026 a determinados produtos.

Critérios para as exceções consideram interesses comerciais dos Estados Unidos

Segundo o USTR, a definição da lista de produtos isentos levou em consideração fatores relacionados à importância econômica de determinados insumos para a indústria dos Estados Unidos.

Também foram considerados compromissos comerciais já existentes e características específicas de alguns mercados estratégicos para o abastecimento norte-americano.

Apesar das isenções concedidas a centenas de produtos brasileiros, o governo dos Estados Unidos manteve a aplicação da nova sobretaxa sobre os demais itens abrangidos pela investigação comercial.

Outros países também receberam tratamento diferenciado

Além das exceções concedidas por categoria de produto, os Estados Unidos estabeleceram regras específicas para alguns parceiros comerciais.

Entre os países e blocos contemplados com tratamento diferenciado estão Argentina, Bangladesh, Camboja, Equador, El Salvador, União Europeia, Guatemala, Indonésia, Jordânia, Malásia, Suíça, Taiwan e Reino Unido.

Para parte das importações de vestuário e produtos têxteis provenientes de Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia, foi criado um sistema de cotas que permite a entrada sem incidência da tarifa da Seção 301, desde que sejam utilizados algodão e outros insumos produzidos nos Estados Unidos.

Impactos dependerão da composição da pauta exportadora brasileira

A decisão preserva diversos produtos de relevância para a balança comercial brasileira, especialmente nos setores de energia, agronegócio, mineração e indústria.

Por outro lado, empresas exportadoras cujos produtos não foram incluídos na lista de exceções poderão enfrentar aumento no custo de acesso ao mercado norte-americano em razão da tributação acumulada.

Os efeitos econômicos da medida dependerão da regulamentação complementar e da adaptação das empresas às novas regras comerciais estabelecidas pelo governo dos Estados Unidos.

*Com informações da Agência Brasil.


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