Nesta segunda-feira (27/07/2026), o partido Novo confirmou o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como candidato à Presidência da República, ampliando a fragmentação do campo de centro-direita e acrescentando um novo elemento à disputa eleitoral liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo senador Flávio Bolsonaro. A agenda política também foi marcada pela visita oficial do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, a Brasília, pela divulgação de pesquisas eleitorais, pelos efeitos políticos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e pela crise diplomática provocada por declarações do presidente argentino, Javier Milei.
Novo oficializa Romeu Zema como candidato à Presidência
O partido Novo confirmou, durante convenção nacional realizada em Brasília, a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República nas Eleições 2026. A oficialização coloca o ex-governador mineiro entre os principais nomes que tentarão romper a polarização estabelecida entre o presidente Lula, candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro, escolhido pelo PL para representar o campo bolsonarista.
A legenda ainda não definiu o candidato a vice-presidente. A direção nacional mantém negociações com outros partidos e avalia possíveis composições destinadas a ampliar o tempo de propaganda eleitoral, a estrutura nacional da campanha e a presença política da chapa nas regiões onde o Novo possui menor inserção.
Entre as possibilidades discutidas estão aproximações com o Democracia Cristã e com o Podemos. O nome do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa chegou a ser mencionado em articulações políticas, mas nenhuma composição havia sido oficialmente anunciada até o encerramento da convenção.
Candidatura busca ocupar espaço entre Lula e Flávio Bolsonaro
A estratégia de Zema consiste em apresentar uma candidatura identificada com a defesa da responsabilidade fiscal, da redução do tamanho do Estado, das privatizações e de uma administração pública orientada por metas. O ex-governador procura atrair eleitores conservadores e liberais que rejeitam o PT, mas que também demonstram resistência ao núcleo político diretamente associado à família Bolsonaro.
A confirmação da candidatura amplia a disputa pelo eleitorado de centro-direita, segmento também buscado pelo governador Ronaldo Caiado, candidato do PSD. Ambos precisarão diferenciar seus projetos políticos e ampliar o conhecimento nacional de suas propostas para evitar que a concentração dos votos em Lula e Flávio Bolsonaro reduza o espaço das candidaturas alternativas.
O principal desafio do Novo será transformar a experiência administrativa de Zema em uma candidatura nacional competitiva. Para isso, o partido terá de superar sua limitada representação parlamentar, estruturar palanques estaduais e compensar a possível ausência do candidato nos blocos do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
Pesquisas mostram Zema em terceiro bloco da disputa presidencial
A pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, registrou Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Ronaldo Caiado apareceu com 6%; Renan Santos, com 5%; Romeu Zema, com 3%; Augusto Cury, com 2%; e Cabo Daciolo, com 1%.
Embora apresente percentual reduzido no primeiro turno, Zema registrou desempenho mais competitivo na simulação de segundo turno. No confronto direto, Lula apareceu com 46%, enquanto o candidato do Novo alcançou 42%. Considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado representa empate técnico no limite da margem.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores, por telefone, entre 24 e 26 de julho, possui nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-01489/2026.
Os dados indicam que Zema ainda enfrenta dificuldades para se consolidar como opção espontânea no primeiro turno, mas demonstra potencial para agregar votos de diferentes setores da oposição em uma eventual disputa direta contra Lula. O desempenho dependerá da capacidade de sua campanha de ampliar a exposição nacional e reduzir a concentração do voto conservador em Flávio Bolsonaro.
Propaganda eleitoral representa obstáculo para campanha do Novo
A candidatura de Zema poderá enfrentar limitações relevantes no acesso ao horário eleitoral gratuito. Caso as candidaturas atualmente anunciadas sejam mantidas, apenas Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury deverão participar dos blocos tradicionais de propaganda no rádio e na televisão.
O Novo poderá ficar fora desses blocos porque não atingiu os requisitos de desempenho partidário utilizados para a distribuição do tempo eleitoral. A ausência reduziria a capacidade de Zema de apresentar suas propostas ao eleitorado de massa, especialmente fora das redes sociais e dos grandes centros urbanos.
Pelas regras eleitorais, 90% do tempo de propaganda são distribuídos proporcionalmente à representação dos partidos na Câmara dos Deputados. Os 10% restantes são divididos entre as candidaturas habilitadas. A propaganda eleitoral do primeiro turno deverá ser veiculada entre 28 de agosto e 1º de outubro de 2026.
A definição do vice e de eventuais alianças tornou-se, portanto, uma etapa decisiva da candidatura. Uma composição partidária poderá ampliar a estrutura da campanha, facilitar a construção de palanques estaduais e assegurar maior presença nos meios tradicionais de comunicação.
Lula recebe presidente da Coreia do Sul em Brasília
Enquanto o Novo formalizava a candidatura de Zema, o presidente Lula concentrou sua agenda institucional na visita oficial do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, e da primeira-dama sul-coreana, Kim Hea Kyung.
A programação começou no Palácio da Alvorada com cerimônia de chegada, reunião reservada entre os presidentes, encontro ampliado das delegações, assinatura de atos bilaterais, declaração conjunta à imprensa e almoço oficial oferecido pelo presidente brasileiro e por Janja Lula da Silva.
Os dois governos anunciaram a criação de um grupo de trabalho destinado a retomar as negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul. A coordenação brasileira ficará sob responsabilidade do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Brasil e Coreia do Sul também assinaram instrumentos de cooperação nas áreas aeroespacial, energética, científica, educacional, esportiva e de defesa. O comércio bilateral alcançou aproximadamente US$ 11 bilhões em 2025, enquanto o Brasil permanece como o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina.
Convenções reorganizam o cenário eleitoral
A confirmação de Zema ocorre durante o período oficial de convenções partidárias, iniciado em 20 de julho e previsto para terminar em 5 de agosto. Nesse intervalo, partidos e federações devem escolher candidatos, deliberar sobre coligações e definir as chapas que concorrerão aos cargos de presidente, governador, senador e deputado.
Além de Zema, já foram formalizadas as candidaturas de Flávio Bolsonaro, pelo PL; Ronaldo Caiado, pelo PSD; e Renan Santos, pelo Missão. O PT programou sua convenção para domingo, 02/08/2026, quando deverá confirmar Lula como candidato à reeleição.
O PSB realizará sua convenção na quarta-feira, 29/07/2026, para deliberar sobre a participação na aliança governista e confirmar Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente.
MDB libera diretórios estaduais
O MDB decidiu não apoiar formalmente uma candidatura presidencial no primeiro turno e concedeu autonomia aos diretórios estaduais para negociar alianças de acordo com as condições políticas de cada estado.
A medida permite que seções regionais do partido apoiem candidatos presidenciais diferentes. A direção nacional pretende concentrar esforços na eleição de governadores, senadores e deputados, preservando a unidade interna diante da divisão existente entre as alas próximas ao governo Lula e os grupos que defendem aproximação com candidaturas de oposição.
A decisão representa a primeira neutralidade nacional do MDB em um primeiro turno presidencial desde 2006 e evidencia a dificuldade das legendas de centro em construir uma posição única diante da polarização eleitoral.
Pesquisas mantêm Lula na liderança
Além do levantamento BTG/Nexus, uma pesquisa Datafolha registrou Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, diante de 32% de Flávio Bolsonaro.
Em eventual segundo turno, o presidente alcançou 48%, contra 43% do senador do PL. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios, entre 22 e 24 de julho, possui margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número BR-01166/2026.
Os levantamentos indicam liderança de Lula, mas mostram uma disputa competitiva nos cenários de segundo turno. A entrada formal de Zema amplia as alternativas disponíveis ao eleitorado de oposição e intensifica a disputa por alianças, estrutura partidária e exposição pública.
Tarifaço dos Estados Unidos entra na campanha eleitoral
A pesquisa BTG/Nexus também avaliou a percepção da população sobre as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Para 53% dos entrevistados, a medida possui motivação predominantemente política, enquanto 32% consideram que a decisão decorre de interesses comerciais e econômicos.
O eleitorado mostrou-se dividido ao atribuir responsabilidade pela crise. Lula e Flávio Bolsonaro foram mencionados por 41% dos entrevistados cada um. Outros 3% responsabilizaram ambos, 5% não indicaram responsáveis e 10% não responderam.
O tema tende a ocupar espaço central na campanha. O governo argumenta que as tarifas representam uma tentativa de pressão política sobre o Brasil, enquanto a oposição atribui o conflito à condução da política externa brasileira.
Para candidatos como Zema e Caiado, a controvérsia abre espaço para uma narrativa alternativa, baseada na defesa da negociação comercial, da previsibilidade econômica e da redução da polarização diplomática.
Declarações de Milei provocam reação do Itamaraty
A agenda política também foi marcada pelas declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção do PL realizada no sábado, 25/07/2026, em São Paulo.
No evento que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato presidencial, Milei dirigiu críticas ao governo brasileiro, a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O Ministério das Relações Exteriores classificou as manifestações como incompatíveis com a relação institucional entre os dois países. O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado a Brasília para consultas e reuniu-se com o chanceler Mauro Vieira nesta segunda-feira.
Questionado por jornalistas, Lula respondeu: “Eu? Quem é esse cara?”. Apesar do tom irônico, a convocação do embaixador indica que o episódio passou a ser tratado diplomaticamente pelo governo brasileiro.
PT questiona vídeo de Bolsonaro produzido por inteligência artificial
No campo jurídico-eleitoral, o PT apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma notícia de fato relacionada à exibição de um vídeo produzido com inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O material foi apresentado durante a convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro. O partido argumenta que o vídeo poderia representar uma tentativa de contornar restrições judiciais impostas ao ex-presidente.
A manifestação foi encaminhada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes e ainda depende de análise. O protocolo, por si só, não significa o reconhecimento de irregularidade.
Caberá ao STF avaliar se o conteúdo violou alguma decisão judicial, configurou propaganda eleitoral irregular ou permaneceu dentro dos limites permitidos pela legislação.
Senado articula votação do marco legal da inteligência
Mesmo durante o recesso parlamentar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o relator Nelsinho Trad avançaram nas negociações para pautar, em agosto, o projeto que regulamenta as atividades de inteligência no Brasil.
O Projeto de Lei nº 6.423/2025 estabelece regras para a produção de conhecimento de inteligência, proteção de agentes, acesso a dados, uso de técnicas sigilosas, fiscalização parlamentar e autorização judicial para procedimentos invasivos.
Entre as alterações discutidas está a retirada da obrigação de armazenamento de dados de usuários por cinco anos. O texto também condiciona o monitoramento remoto de dispositivos à autorização judicial prévia.
Linha do tempo da agenda política de 27/07/2026
- 08h30: Mauro Vieira reúne-se com o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Cho Hyun.
- Durante a manhã: Novo confirma Romeu Zema como candidato à Presidência da República.
- 10h30: Lula recebe Lee Jae-myung no Palácio da Alvorada.
- 11h00: os presidentes realizam reunião restrita.
- 11h40: delegações discutem comércio, tecnologia, energia, defesa e cooperação científica.
- 13h00: Brasil e Coreia do Sul assinam atos bilaterais.
- 13h20: Lula e Lee Jae-myung fazem declaração conjunta.
- 14h00: presidente brasileiro oferece almoço oficial à delegação sul-coreana.
- Ao longo do dia: pesquisas BTG/Nexus e Datafolha orientam o debate eleitoral.
- 16h30: Mauro Vieira recebe o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli.
- 17h00: delegação sul-coreana participa de compromissos no Palácio Itamaraty.
- Durante a tarde: MDB confirma neutralidade nacional e libera diretórios estaduais.
- Ao longo do dia: PT aguarda análise do STF sobre vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial, enquanto o Senado articula a votação do marco legal da inteligência.
A confirmação de Romeu Zema transforma uma pré-candidatura prolongada em um projeto eleitoral submetido aos prazos, às regras e às limitações concretas da campanha presidencial. O ex-governador entra oficialmente na disputa com o desafio de crescer sem dispor da estrutura parlamentar, do tempo de televisão e da capilaridade política dos principais adversários. Sua candidatura, entretanto, amplia a competição dentro da oposição e poderá influenciar alianças estaduais, debates econômicos e a distribuição do voto de centro-direita.
O cenário permanece dominado por Lula e Flávio Bolsonaro, mas as simulações de segundo turno indicam que Zema e Caiado possuem capacidade potencial de agregar votos oposicionistas. A viabilidade dessas candidaturas dependerá menos de declarações de intenção e mais da definição dos vices, da formação de alianças, da construção de palanques estaduais e da capacidade de transformar propostas administrativas em mensagens nacionais compreensíveis ao eleitorado.
O principal fato político de 27 de julho foi a entrada formal de Romeu Zema na corrida presidencial, em um dia também marcado pela diplomacia econômica do governo Lula, pelas pesquisas eleitorais, pelo tarifaço norte-americano e por novos conflitos institucionais. Os próximos movimentos do Novo, especialmente a escolha do vice e a busca por alianças, serão decisivos para determinar se a candidatura permanecerá como alternativa de nicho ou se conseguirá disputar espaço efetivo no bloco principal das Eleições 2026.








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