A agenda do poder nesta sexta-feira (14/08/2026) foi marcada pelo envio ao Senado de propostas sobre a escala 6×1, segurança pública e minerais críticos; pela segunda fase da Operação Sem Refino, com 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro; pela investigação de filiações partidárias suspeitas envolvendo candidatos à Presidência; pela disputa de Lula e Flávio Bolsonaro para formar maioria no Senado; e pela intervenção do Ministério Público Eleitoral no confronto entre as campanhas de Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas em São Paulo.
Alcolumbre encaminha PECs após reaproximação com Lula
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), determinou o envio às comissões de três propostas consideradas prioritárias pelo Governo Lula: a PEC 221/2019, relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1; a PEC 18/2025, denominada PEC da Segurança Pública; e o PL 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
A medida foi anunciada depois da retomada do diálogo entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo nota divulgada pelo Senado, os dois trataram das prioridades do Executivo e da tramitação parlamentar das matérias.
Alcolumbre afirmou que cabe ao Executivo apresentar sua agenda e ao Congresso examiná-la com independência. As propostas seguirão o rito ordinário, sem aprovação automática ou votação imediata. A análise começará nas comissões responsáveis, onde serão escolhidos relatores, apresentados pareceres e discutidas possíveis alterações.
A PEC sobre a escala 6×1 prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com transição de 14 meses. O texto deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça e, se aprovado, seguirá ao plenário, onde uma proposta de emenda à Constituição precisa ser discutida e votada em dois turnos.
O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, terá papel central na definição das relatorias e do ritmo de tramitação das PECs. A bancada do MDB defendeu regime de urgência para a proposta sobre a jornada de trabalho, mas Alcolumbre indicou que as matérias seguirão inicialmente o procedimento regimental comum.
A PEC da Segurança Pública reorganiza mecanismos de cooperação entre União, estados e municípios, além de tratar de integração operacional, compartilhamento de informações e financiamento. O projeto dos minerais críticos, por sua vez, alcança recursos utilizados nas cadeias de tecnologia, energia e defesa, como lítio, níquel, nióbio e terras raras.
O encaminhamento representa um avanço processual para o Palácio do Planalto, mas o conteúdo final dependerá das negociações no Senado. As propostas poderão receber emendas, substitutivos e alterações antes de qualquer votação conclusiva. As prioridades foram confirmadas em nota oficial publicada pelo Senado.
Operação Sem Refino cumpre 16 mandados no Rio de Janeiro
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Sem Refino para investigar possíveis fraudes na concessão de licenças ambientais à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, e indícios de lavagem de dinheiro relacionados ao esquema apurado.
Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Estado do Rio de Janeiro, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Entre os nomes apontados pelas reportagens como alvos estão o ex-governador Cláudio Castro (PL), ex-integrantes de sua administração, um advogado e empresários.
A relação divulgada inclui Bernardo Rossi, ex-secretário estadual do Ambiente; José Mauro Júnior, ex-secretário estadual de Transformação Digital; o advogado Antonio Carlos Santos; e os empresários Ana Carolina Miranda, Luiz Fernando Gomes e Mauricio Leite. Ana Carolina e Mauricio são sócios da 7 Pilares Consultoria.
A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica relacionados à comercialização de combustíveis.
Um dos mandados foi cumprido em um imóvel localizado em Petrópolis e relacionado pela investigação a Cláudio Castro. O advogado do ex-governador, Carlo Luchione, contestou o vínculo atual do político com o endereço. Segundo a defesa, o imóvel havia sido alugado e o contrato foi encerrado meses antes, depois da saída de Castro do governo fluminense.
A posição apresentada pelos advogados estabelece o contraditório sobre a relação entre o ex-governador e o imóvel, mas a delimitação das suspeitas e o conteúdo das provas dependem dos autos, da análise do material apreendido e das etapas posteriores da investigação.
A primeira fase da Operação Sem Refino foi realizada em 15/05/2026. Na ocasião, o desembargador Guaraci de Campos Vianna, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e Cláudio Castro figuraram entre os alvos divulgados.
As investigações relacionaram decisões judiciais à atuação da Refit em processos sobre funcionamento empresarial e cobranças tributárias. A primeira etapa também resultou na apreensão de armas e de aproximadamente R$ 1,1 milhão em euros e dólares, segundo as informações publicadas.
O aprofundamento da investigação coloca sob análise a relação entre decisões administrativas, licenciamento ambiental, atividade econômica, cobrança de tributos e possíveis mecanismos de proteção institucional ao grupo empresarial. A reportagem do Metrópoles sobre a operação registra as suspeitas atribuídas aos investigadores e a manifestação da defesa de Castro.
TSE investiga filiações suspeitas às vésperas do registro das candidaturas
O Partido Missão apresentou uma notícia-crime ao Tribunal Superior Eleitoral depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu filiado à legenda no sistema da Justiça Eleitoral. A alteração partidária poderia comprometer o registro presidencial do parlamentar pelo PL.
O ministro Nunes Marques, presidente do TSE, determinou a abertura de investigação e o restabelecimento da filiação de Flávio ao Partido Liberal. O processamento de novas filiações foi temporariamente suspenso, embora o sistema continue recebendo solicitações.
Na petição, o Missão solicitou a identificação da origem e da titularidade do endereço IP utilizado, o acesso aos registros de conexão e a apuração de possíveis crimes. O partido também pediu manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral e eventual abertura de inquérito policial.
A investigação passou a alcançar tentativas semelhantes envolvendo outros candidatos. Renan Santos, candidato do Missão, informou que seu nome foi inserido em um procedimento de filiação ao PCdoB durante a madrugada desta sexta-feira. A conclusão dependeria de confirmação por meio de um link enviado ao endereço eletrônico da campanha.
O presidente Lula também teria sido alvo de tentativas de alteração partidária. Segundo as informações divulgadas, a mudança não foi efetivada no sistema do TSE.
As ocorrências atingem uma das condições essenciais para o registro das candidaturas: a filiação ao partido responsável pela apresentação do nome à Justiça Eleitoral. Alterações indevidas podem gerar insegurança jurídica, impedir o processamento regular dos pedidos e afetar a participação dos concorrentes na eleição.
A reação do TSE ocorreu às vésperas do término do prazo para os registros. Partidos, federações e coligações têm até as 19 horas de sábado (15/08/2026) para apresentar os pedidos. Até o início da manhã desta sexta-feira, o Tribunal havia recebido oito registros presidenciais.
Os nomes relacionados pelo TSE eram Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Lula (PT), Renan Santos (Missão), Samara Martins (UP), Wilson Grassi Júnior (Democrata) e Romeu Zema (Novo). O protocolo inicia a análise judicial e não representa deferimento definitivo da candidatura.
O TSE informou oficialmente que os pedidos à Presidência serão julgados pelo próprio Tribunal, enquanto os tribunais regionais eleitorais examinarão os registros para governador, senador e deputados.
Lula e Flávio ampliam disputa pelas cadeiras do Senado
Paralelamente à controvérsia sobre as filiações, Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram a mobilização para eleger aliados ao Senado. Em outubro, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras, o equivalente a dois terços da Casa.
Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, com mandatos de oito anos iniciados em fevereiro de 2027. O resultado influenciará a governabilidade do próximo presidente, a aprovação de projetos e a análise de indicações para o Supremo Tribunal Federal, Banco Central, agências reguladoras e outros órgãos.
Flávio Bolsonaro anunciou apoio a 47 candidatos ao Senado, entre integrantes do PL e postulantes vinculados a PP, União Brasil, PSD, PSDB, Podemos, Republicanos, MDB e Novo. O senador também reuniu cerca de 40 candidatos para alinhar as mensagens nacionais e regionais da campanha.
Lula reservou parte de quinta-feira (13) para gravar conteúdos com mais de 30 aliados de 18 estados. O material deverá ser utilizado na propaganda eleitoral gratuita, cujo início está previsto para 28/08/2026.
A mobilização confirma que a disputa presidencial ocorre simultaneamente à tentativa de formar maiorias legislativas. A eleição de senadores aliados poderá determinar a margem de ação do Executivo a partir de 2027 e a configuração das relações entre Congresso, governo e Supremo.
No campo oposicionista, o presidente do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, afirmou que Flávio Bolsonaro teria “chance zero” de vencer a eleição. A declaração constitui uma avaliação política do dirigente, que apresentou Caiado como alternativa presidencial e sustentou que partidos do Centrão estariam, na prática, próximos de Lula.
MPE exige explicações sobre episódio envolvendo Haddad e a PM
Em São Paulo, o Ministério Público Eleitoral concedeu prazo de cinco dias para que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresente informações sobre a atuação da Polícia Militar depois de uma denúncia feita por Fernando Haddad (PT).
Haddad relatou que o veículo utilizado por sua equipe foi seguido por uma viatura depois de uma atividade de campanha, na noite de terça-feira (11). Segundo o candidato, o motorista teria sido acompanhado por aproximadamente cinco quilômetros e abordado após deixá-lo em casa.
A Secretaria da Segurança Pública informou ter analisado imagens de cerca de 40 câmeras privadas e declarou que os registros não apresentaram indícios de abordagem ou interação entre policiais e integrantes da equipe do petista.
A pasta abriu inquérito em 13/08/2026. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que o motorista será ouvido formalmente e que o episódio será esclarecido.
O Ministério Público Eleitoral requisitou eventual ordem ou autorização da Secretaria da Segurança Pública para o patrulhamento ostensivo no bairro onde Haddad reside. Também solicitou o plano estratégico e operacional do batalhão envolvido e acesso às imagens do hotel onde o motorista afirmou ter estacionado.
O confronto reúne duas versões distintas. Haddad classifica o episódio como intimidatório e vincula a atuação policial ao contexto eleitoral. A Secretaria da Segurança Pública sustenta que as imagens examinadas não comprovaram a abordagem descrita.
As diligências solicitadas pelo Ministério Público Eleitoral deverão confrontar os relatos com documentos operacionais, registros de deslocamento, imagens e depoimentos. O resultado poderá encerrar a controvérsia ou abrir uma investigação eleitoral mais ampla sobre o uso da estrutura policial durante a campanha.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 15/05/2026 — A Polícia Federal deflagra a primeira fase da Operação Sem Refino, com buscas relacionadas à Refit, a Cláudio Castro e ao desembargador Guaraci de Campos Vianna.
- 11/08/2026 — Fernando Haddad relata que o veículo utilizado por sua equipe foi seguido por uma viatura da Polícia Militar depois de uma atividade de campanha em São Paulo.
- 12/08/2026 — Lula e Davi Alcolumbre mantêm conversa institucional sobre propostas prioritárias do governo em tramitação no Senado.
- 13/08/2026 — A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo abre inquérito para apurar o episódio relatado por Haddad.
- 13/08/2026 — Lula grava material de campanha com mais de 30 candidatos de 18 estados, com prioridade para as disputas ao Senado.
- 13/08/2026 — Flávio Bolsonaro aparece filiado ao Missão no sistema eleitoral; o TSE determina investigação e restabelece o vínculo do senador com o PL.
- 14/08/2026 — A PF cumpre 16 mandados na segunda fase da Operação Sem Refino para investigar licenças ambientais da Refit e possível lavagem de dinheiro.
- 14/08/2026 — O Missão apresenta notícia-crime ao TSE e pede a identificação dos responsáveis pela filiação atribuída a Flávio Bolsonaro.
- 14/08/2026 — Davi Alcolumbre encaminha às comissões a PEC da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e o projeto dos minerais críticos.
- 14/08/2026 — O Ministério Público Eleitoral concede cinco dias para o governo de São Paulo prestar informações sobre a atuação da PM no caso relatado por Haddad.
- 15/08/2026, às 19h — Termina o prazo para apresentação dos pedidos de registro das candidaturas às Eleições 2026.
- 16/08/2026 — Começa oficialmente a propaganda eleitoral geral, inclusive nas ruas e na internet.
- 28/08/2026 — Tem início a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
- 04/10/2026 — O eleitorado participa do primeiro turno das Eleições Gerais.








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