Nesta terça-feira (11/08/2026), os movimentos dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), passaram a ocupar posição central nas articulações para as Eleições 2026. Motta declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba, após o Republicanos adotar neutralidade nacional, enquanto Alcolumbre é apontado por diferentes apurações jornalísticas como um dos articuladores da decisão de União Brasil e Progressistas de não integrarem formalmente a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os movimentos ampliam a autonomia dos diretórios estaduais e afetam a composição dos palanques, o tempo de propaganda eleitoral e a distribuição das forças partidárias.
Hugo Motta anuncia apoio a Lula na Paraíba
Hugo Motta tornou pública sua posição na segunda-feira (10/08), durante a posse da advogada Giovanna Castro Lemos Mayer como desembargadora eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). O presidente da Câmara afirmou que aguardava a deliberação nacional do Republicanos antes de anunciar sua escolha para a disputa presidencial.
“A tendência nossa, aqui na Paraíba, é que caminhemos com o presidente Lula”, declarou Motta, acrescentando que a candidatura “converge com aquilo que pensamos ser o melhor para o país”.
O posicionamento deve ser compreendido como apoio pessoal de Motta e do grupo paraibano do Republicanos, e não como adesão nacional da legenda à candidatura de Lula. A direção partidária decidiu preservar a independência institucional e liberou seus filiados e diretórios estaduais para escolherem os presidenciáveis mais compatíveis com as alianças locais. A distinção foi confirmada pelas informações divulgadas após a convenção e pela própria declaração do deputado.
A cerimônia no TRE-PB marcou a posse de Giovanna Mayer na vaga destinada à classe dos juristas. Ela foi escolhida a partir da primeira lista tríplice do Tribunal de Justiça da Paraíba formada exclusivamente por mulheres advogadas. Segundo o tribunal, a nova integrante assumiu a função em um período de elevada demanda, marcado pelo registro de candidaturas, pelas impugnações e pela preparação do processo eleitoral de outubro.
Republicanos rejeita aliança nacional com Flávio Bolsonaro
A manifestação de Motta ocorreu seis dias depois de o Republicanos, em convenção realizada em Brasília na terça-feira (04/08), decidir não lançar candidato próprio nem integrar uma coligação presidencial. A consulta interna aos 27 diretórios estaduais registrou 17 posições favoráveis à neutralidade, nove pelo apoio a Flávio Bolsonaro e uma pela adesão à candidatura de Lula.
O presidente nacional do partido, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), defendia pessoalmente o apoio a Flávio Bolsonaro, mas afirmou que respeitaria a posição majoritária. A deliberação permite que o Republicanos apoie Lula em estados como a Paraíba e caminhe com o candidato do PL em unidades da Federação nas quais prevaleçam alianças de oposição.
Na prática, a neutralidade significa que os recursos políticos e o tempo de propaganda do Republicanos não serão incorporados formalmente a nenhuma coligação presidencial. O partido concentrará sua estrutura nacional nas eleições para a Câmara dos Deputados, o Senado, os governos estaduais e as assembleias legislativas, preservando acordos regionais distintos.
Aliança paraibana explica decisão de Motta
Na Paraíba, o apoio de Hugo Motta a Lula está relacionado à configuração da chapa estadual liderada pelo governador Lucas Ribeiro (PP), candidato à reeleição. A composição reúne PP, PSB, Republicanos e União Brasil, além de manter diálogo com setores do PT paraibano.
O pai do presidente da Câmara, Nabor Wanderley (Republicanos), disputa uma das vagas ao Senado na chapa governista, ao lado do ex-governador João Azevêdo (PSB). Motta também concorre à reeleição como deputado federal. Esses elementos vinculam o anúncio presidencial a uma estrutura estadual mais ampla, na qual grupos partidários de centro mantêm interlocução com o governo federal.
O apoio de Motta, entretanto, não obriga Lula a apoiar todos os candidatos ao Senado integrantes da chapa paraibana. Dirigentes petistas já manifestaram preferência por João Azevêdo e pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). A configuração evidencia que o apoio presidencial e as alianças estaduais podem seguir trajetórias diferentes dentro de uma mesma coligação.
União Brasil e PP também adotam neutralidade nacional
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, também decidiu permanecer neutra na disputa presidencial. A federação foi registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 26/03/2026 e é presidida nacionalmente por Antônio Rueda.
Em convenção realizada na terça-feira (04/08), o União Brasil rejeitou a vinculação nacional a uma candidatura presidencial. Com isso, candidatos e diretórios estaduais da Federação União Progressista ficaram autorizados a apoiar o presidenciável que melhor se ajuste às respectivas alianças regionais. A prioridade declarada pela direção partidária é ampliar as bancadas na Câmara e no Senado.
A decisão não representa apoio indireto e automático a Lula. Em estados onde União Brasil e PP estejam coligados ao PL, dirigentes e candidatos poderão fazer campanha por Flávio Bolsonaro. Em outras unidades, os mesmos partidos poderão integrar palanques ligados ao PT, ao PSD ou a candidaturas estaduais independentes.
Alcolumbre é apontado como articulador da neutralidade
Reportagens publicadas pelo SBT News e pelo blog da jornalista Ana Flor, no g1, atribuem a Davi Alcolumbre atuação direta nas negociações que levaram o União Brasil e a Federação União Progressista a rejeitarem uma aliança nacional com Flávio Bolsonaro. A participação do senador nos bastidores foi relatada por interlocutores partidários, embora não tenha sido formalizada em documento público.
No Rio de Janeiro, Alcolumbre teria participado por telefone de uma reunião entre dirigentes do União Brasil, lideranças do PP e integrantes da campanha de Eduardo Paes (PSD) ao governo estadual. A neutralidade permite que o grupo de Paes mantenha uma composição regional sem vinculação obrigatória à candidatura de Flávio, justamente no estado de origem política da família Bolsonaro.
Segundo as apurações, Alcolumbre também atuou em outras unidades da Federação para preservar a autonomia dos palanques estaduais. O efeito imediato foi reduzir as possibilidades de o candidato do PL ampliar sua coligação nacional com partidos do centro. A candidatura de Flávio foi oficializada pelo PL, tendo o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente.
Reaproximação entre Alcolumbre e Lula ocorre após crise institucional
A atuação eleitoral atribuída a Alcolumbre coincide com uma reaproximação entre o presidente do Senado e Lula. Os dois voltaram a conversar em 04/08/2026, durante jantar realizado em Brasília, com a participação dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
O encontro ocorreu após mais de três meses de distanciamento provocado pela indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. Lula anunciou Messias em 20/11/2025, mas a mensagem formal somente chegou ao Senado em 01/04/2026, depois de sucessivos impasses políticos.
Em 29/04/2026, o plenário do Senado rejeitou a indicação por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Messias precisava de pelo menos 41 votos para ser aprovado. Foi a primeira rejeição de um indicado ao Supremo em 132 anos, segundo a Agência Senado. Alcolumbre defendia, nas articulações políticas daquele período, a indicação do então senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Disputa sobre escala 6×1 ampliou desgaste
A relação entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado também foi afetada pela tramitação da proposta que substitui a escala de trabalho 6×1 pelo modelo 5×2, reduzindo a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e estabelecendo dois dias de descanso remunerado.
A Câmara aprovou a proposta em maio, mas Alcolumbre resistiu a estabelecer um calendário imediato para a tramitação no Senado. Em julho, a Presidência da Casa classificou como tentativa de intimidação as declarações de integrantes do PT que pressionavam pelo encaminhamento da matéria à Comissão de Constituição e Justiça.
A retomada do diálogo em agosto não elimina essas divergências legislativas nem significa adesão política formal de Alcolumbre à campanha de Lula. O movimento revela uma recomposição institucional e eleitoral entre dirigentes que continuam separados por disputas sobre indicações, prioridades legislativas e controle da agenda do Congresso.
Neutralidade fortalece autonomia regional e reduz alianças nacionais
As decisões do Republicanos e da Federação União Progressista demonstram que parte dos partidos tradicionalmente classificados como integrantes do centro político optou por priorizar as eleições proporcionais e os acordos estaduais. Em vez de aderirem nacionalmente a Lula ou Flávio Bolsonaro, essas legendas buscarão maximizar a eleição de deputados e senadores.
Para a candidatura do PL, o principal impacto é a perda do tempo de propaganda eleitoral e da estrutura nacional que seria proporcionada por uma coligação com essas siglas. O Republicanos, União Brasil e PP poderão apoiar Flávio nos estados, mas seus votos parlamentares e tempos de rádio e televisão não serão automaticamente agregados à chapa presidencial.
Para Lula, a neutralidade produz um benefício relativo ao impedir a formação de uma coalizão nacional mais ampla em torno do adversário. Ao mesmo tempo, o apoio de Hugo Motta e de outros dirigentes estaduais não transfere formalmente ao candidato petista o tempo de propaganda ou os recursos dos respectivos partidos. O ganho é principalmente político e territorial, por meio da abertura de palanques compartilhados.
Linha do tempo das articulações políticas
- 18/10/2025: Luís Roberto Barroso deixa o Supremo Tribunal Federal e abre uma vaga na Corte.
- 20/11/2025: Lula anuncia Jorge Messias como indicado ao STF, contrariando a preferência de Alcolumbre por Rodrigo Pacheco.
- 26/03/2026: TSE aprova o registro da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
- 31/03/2026: Lula confirma Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente em sua chapa.
- 01/04/2026: indicação formal de Jorge Messias chega ao Senado, mais de quatro meses após o anúncio.
- 29/04/2026: Senado rejeita Messias por 42 votos a 34.
- 27 e 28/05/2026: Câmara aprova a proposta que substitui a escala 6×1 pelo regime 5×2 e encaminha o texto ao Senado.
- 08/07/2026: Presidência do Senado reage às pressões pela tramitação imediata da proposta sobre a jornada de trabalho.
- 02/08/2026: convenção nacional do PT oficializa a chapa Lula-Geraldo Alckmin.
- 04/08/2026: Republicanos e União Brasil adotam neutralidade na eleição presidencial; Lula e Alcolumbre retomam o diálogo em jantar realizado em Brasília.
- 05/08/2026: Federação União Progressista comunica oficialmente a liberação dos diretórios estaduais.
- 10/08/2026: Hugo Motta declara apoio à reeleição de Lula na Paraíba.
- 15/08/2026: termina o prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
- 16/08/2026: começa oficialmente a propaganda eleitoral nas ruas e na internet.
- 28/08 a 01/10/2026: período do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
- 04/10/2026: realização do primeiro turno das Eleições 2026.
- 25/10/2026: eventual segundo turno para presidente e governadores. Calendário eleitoral do TSE
O apoio anunciado por Hugo Motta não representa uma guinada nacional do Republicanos em direção ao PT, mas a aplicação prática da neutralidade aprovada pelo partido. A decisão permite que dirigentes nacionais conciliem interesses eleitorais estaduais, candidaturas parlamentares e relações institucionais com o governo federal sem assumir compromisso uniforme na disputa presidencial.
A atuação atribuída a Davi Alcolumbre deve ser compreendida como informação de bastidor sustentada por apurações jornalísticas, enquanto a neutralidade de União Brasil, PP e Republicanos constitui fato formalmente confirmado. A ausência de coligações nacionais com o PL favorece eleitoralmente Lula ao limitar a expansão do adversário, mas não transforma essas legendas em integrantes da base petista. A estrutura partidária continuará fragmentada e poderá apoiar candidaturas opostas em diferentes estados. Os presidentes da Câmara e do Senado exercem influência simultânea sobre o calendário legislativo, as negociações partidárias e a organização dos palanques estaduais.








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