Brasília, segunda-feira (05/10/2026) — O senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT) afirmou, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e lideranças da base governista em Brasília, que acredita na vitória do presidente no segundo turno das Eleições 2026 e anunciou uma mobilização na Bahia para ampliar a votação petista. Segundo Rui, ele, o governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT) e o senador reeleito Jaques Wagner (PT) atuarão na busca por novos votos e na redução da abstenção.
A estratégia começa após um primeiro turno no qual Flávio Bolsonaro (PL) terminou na primeira posição nacional, com 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. Os dois candidatos voltarão às urnas no domingo (25/10/2026), data estabelecida pelo calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na Bahia, Lula iniciou o segundo turno a partir de uma posição diferente da registrada nacionalmente. No primeiro turno, o presidente recebeu 5.664.771 votos, correspondentes a 66,17% dos votos válidos no estado, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 2.442.585 votos, ou 28,53%. Rui Costa e Jaques Wagner também venceram a disputa pelas duas vagas baianas ao Senado: Rui alcançou 4.335.196 votos (30,07%) e Wagner, 3.986.690 votos (27,65%).
Rui, Jerônimo e Wagner articulam ampliação da votação de Lula na Bahia
A reunião convocada por Lula em Brasília reuniu governadores, senadores e outras lideranças políticas da base após o resultado do primeiro turno. Entre os representantes da Bahia estavam Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner, os três integrantes da chapa majoritária governista que venceram suas respectivas disputas no estado. O encontro teve como objetivo discutir a reorganização da campanha presidencial para a segunda etapa da eleição.
Questionado sobre a possibilidade de Lula reverter a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, Rui declarou acreditar nesse resultado. “A expectativa é essa. Eu acredito muito nisso”, afirmou, acrescentando que, na avaliação dele, a etapa final permitirá uma comparação mais concentrada entre os dois candidatos.
O senador eleito afirmou que a mobilização deverá atuar simultaneamente em duas frentes: atrair eleitores que escolheram outras candidaturas no primeiro turno e reduzir a abstenção. Rui acrescentou que a campanha também tentará conquistar parte dos eleitores que votaram em Flávio Bolsonaro na primeira etapa. Nacionalmente, as candidaturas que ficaram fora do segundo turno somaram 9.316.747 votos, ou 7,81% dos votos válidos, segmento que passa a ser disputado pelas duas campanhas.
Rui Costa aponta rejeição como variável do segundo turno
Na avaliação de Rui Costa, a passagem de uma eleição com vários candidatos para uma disputa entre apenas dois nomes altera o comportamento do eleitor. O senador eleito afirmou que a rejeição aos candidatos tende a ganhar maior peso na escolha do segundo turno, interpretação também discutida durante a reunião da campanha.
“Nesse segundo turno é medir rejeição”, afirmou Rui. Segundo ele, parte do eleitorado poderá decidir não apenas pela preferência por um candidato, mas também pela intenção de impedir a vitória do adversário. A declaração representa a avaliação política do senador sobre o comportamento eleitoral e não uma projeção estatística do resultado de 25/10/2026.
O segundo turno também elimina as disputas para deputado federal, deputado estadual e Senado, além das eleições estaduais já definidas na primeira etapa. Rui considera que essa mudança concentrará a atenção do eleitor na escolha presidencial. Segundo ele, sem a necessidade de memorizar números dos candidatos proporcionais, a relação do eleitor com a votação passa a estar centrada nos dois postulantes à Presidência.
Debates entre Lula e Flávio Bolsonaro entram na estratégia
Rui Costa também apontou os debates eleitorais como um dos componentes da campanha do segundo turno. Na avaliação do senador eleito, os encontros permitirão uma comparação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, sem a presença dos demais candidatos que concorreram na primeira etapa. Os dois presidenciáveis indicaram disposição para participar de debates durante a campanha final.
“Vai ter debate”, afirmou Rui. Para o petista, o confronto direto deverá permitir que o eleitor compare propostas, trajetórias e posições políticas dos dois candidatos. A estratégia ocorre depois de uma campanha de primeiro turno na qual Lula e Flávio não participaram dos principais debates televisivos realizados na reta final da disputa.
A definição presidencial ocorrerá em 25 de outubro, quando será eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos. Conforme o calendário do TSE, a votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, com segundo turno também para governador nos estados em que nenhuma candidatura alcançou maioria absoluta na primeira etapa.
Rui critica trajetória de Flávio Bolsonaro durante entrevista
Durante a entrevista após a reunião, Rui Costa também fez críticas à trajetória política de Flávio Bolsonaro e buscou estabelecer diferenças entre o candidato do PL e Lula. As declarações fazem parte da argumentação eleitoral do senador petista e devem ser compreendidas nesse contexto.
Rui afirmou que, na avaliação dele, Flávio possui um currículo inferior ao do ex-presidente Jair Bolsonaro e declarou que o candidato “nunca trabalhou na vida”. A afirmação, tomada literalmente, não corresponde à trajetória institucional registrada pelo Senado: Flávio Bolsonaro iniciou a carreira política em 2003, exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual do Rio de Janeiro e ocupa uma cadeira no Senado desde 2019. A Agência Senado também o identifica profissionalmente como empresário e advogado.
Rui também fez referências críticas ao patrimônio e ao histórico político do adversário, sem detalhar, na declaração reproduzida após a reunião, episódios específicos que sustentassem cada uma dessas referências. O senador eleito afirmou ainda que Flávio deverá enfrentar, durante a campanha, comparações relacionadas à trajetória política de Jair Bolsonaro. As declarações constituem posicionamento de Rui Costa e não foram apresentadas como conclusões de órgãos públicos ou decisões judiciais.
Resultado na Bahia sustenta estratégia regional da campanha de Lula
A Bahia representa um dos principais territórios eleitorais da campanha de Lula para o segundo turno. A vantagem obtida pelo presidente no estado no primeiro turno superou 3,2 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro, enquanto o resultado nacional terminou com o candidato do PL 2,22 milhões de votos à frente do petista. A ampliação dessa diferença estadual e a redução da abstenção integram, portanto, os objetivos anunciados pela direção política baiana ligada ao presidente.
A articulação ocorre após a vitória da chapa governista nas principais disputas estaduais. Jerônimo Rodrigues foi reeleito governador, enquanto Rui Costa e Jaques Wagner conquistaram as duas vagas da Bahia no Senado. A presença dos três na reunião convocada por Lula indica que a estrutura política formada para o primeiro turno será direcionada agora à disputa presidencial.
Com Flávio Bolsonaro partindo de 47,03% e Lula de 45,16% dos votos válidos, as campanhas passam a disputar os eleitores das candidaturas eliminadas, os abstencionistas e aqueles que votaram em branco ou nulo. Na Bahia, Rui Costa afirmou que a prioridade será ampliar a votação obtida por Lula no primeiro turno. O resultado definitivo será conhecido após a votação de domingo (25/10/2026).








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