O senador reeleito Jaques Wagner (PT-BA) criticou, nesta quarta-feira (07/10/2026), o apoio de ACM Neto (União Brasil) à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Em entrevista à Rádio Band Conquista, Wagner atribuiu a decisão do ex-prefeito de Salvador a uma posição antipetista e afirmou que a escolha poderá ampliar a distância política entre a oposição baiana e o grupo que governa o estado.
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que ACM Neto anunciou apoio a Flávio Bolsonaro e declarou que pretende mobilizar prefeitos, parlamentares e lideranças de sua base política na Bahia em favor do candidato do PL. A adesão ocorreu após posicionamento da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), em relação ao segundo turno. A composição da federação está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O movimento ocorre após o primeiro turno presidencial de 04/10/2026. Segundo o TSE, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25/10/2026.
Wagner acusa ACM Neto de esconder posição durante o primeiro turno
Durante a entrevista, Jaques Wagner afirmou que ACM Neto teria evitado uma vinculação direta com determinados candidatos à Presidência durante o primeiro turno na tentativa de obter votos de diferentes segmentos do eleitorado baiano. Segundo o senador, Neto passou a campanha “tentando se esconder” para captar inclusive votos de eleitores de Lula.
A crítica ocorre depois de ACM Neto ser derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pelo Governo da Bahia. Jerônimo foi reeleito no primeiro turno, enquanto Rui Costa (PT) e Jaques Wagner conquistaram as duas vagas baianas em disputa para o Senado.
Wagner argumentou que, após o resultado estadual, ACM Neto deveria considerar a relação institucional entre o Governo da Bahia e o próximo governo federal. “Agora que ele perdeu a eleição, em vez dele recomendar para os baianos a votação de um governo federal que entre em harmonia com o governo estadual, ele prefere abraçar aquele que seguramente não vai tratar bem a Bahia”, afirmou. A avaliação sobre o tratamento que um eventual governo de Flávio Bolsonaro daria ao estado constitui uma posição política do senador, e não um fato previamente estabelecido.
Senador associa apoio de Neto ao antipetismo e eleva tom das críticas
Para Jaques Wagner, a adesão de ACM Neto à candidatura de Flávio Bolsonaro confirma uma postura de oposição ao PT que, segundo ele, teria sido mantida de forma menos explícita durante a primeira etapa da campanha. O senador classificou a aproximação como “mesquinha” e afirmou que a escolha estaria relacionada prioritariamente à disputa política com o grupo que governa a Bahia.
Em outro trecho da entrevista, Wagner utilizou expressões depreciativas para se referir aos adversários e fez referências a controvérsias que, segundo sua declaração, envolveriam integrantes do campo político de oposição. As afirmações foram apresentadas pelo senador no contexto do confronto eleitoral.
As referências feitas por Wagner a supostos episódios envolvendo seus adversários devem ser compreendidas como declarações políticas atribuídas ao parlamentar. O material fornecido para elaboração desta reportagem não apresenta documentação suficiente para tratar essas acusações como fatos comprovados, razão pela qual elas não são reproduzidas como constatações jornalísticas independentes.
Relação entre governos estadual e federal entra no debate eleitoral
Um dos argumentos utilizados por Wagner é a importância da relação institucional entre o Governo da Bahia e a Presidência da República. O estado continuará sendo administrado por Jerônimo Rodrigues, reeleito no primeiro turno, enquanto a definição do próximo presidente ocorrerá entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A estratégia do grupo governista baiano para o segundo turno está concentrada na ampliação da votação de Lula na Bahia. Além de Wagner, o senador eleito Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues anunciaram mobilização política em favor da candidatura petista. Em sentido contrário, ACM Neto declarou que pretende organizar sua base para ampliar a votação de Flávio Bolsonaro no estado.
A movimentação transforma o segundo turno presidencial também em uma disputa entre os principais grupos políticos da Bahia. Enquanto a base estadual procura associar a continuidade do governo Jerônimo a uma eventual reeleição de Lula, a oposição busca ampliar no estado o eleitorado conquistado por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Governo Bolsonaro é citado por Wagner como argumento contra apoio ao PL
Na entrevista, Jaques Wagner também utilizou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, como argumento contra a candidatura do PL. O senador mencionou indicadores relacionados à fome, inflação e desemprego e afirmou que o período deveria ser considerado pelo eleitor na decisão do segundo turno.
“O Brasil já ficou sem o PT nos quatro anos de Bolsonaro”, declarou Wagner antes de citar questões econômicas e sociais daquele período. As referências aos indicadores foram apresentadas como parte da argumentação política do senador. A atribuição direta de resultados econômicos específicos a um governo exige a análise das respectivas séries estatísticas, conjunturas internacionais e efeitos da pandemia de Covid-19, fatores que não foram detalhados na entrevista.
Wagner encerrou sua manifestação defendendo a mobilização dos eleitores para a reeleição de Lula. A campanha presidencial entra agora na fase decisiva, com Flávio Bolsonaro e Lula disputando os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno, dos abstencionistas e dos eleitores que poderão modificar sua escolha até domingo (25/10/2026), data oficial definida pelo Tribunal Superior Eleitoral para o segundo turno.








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