Sudene aprova incentivos fiscais para 27 empreendimentos; Bahia reúne quatro pleitos em pacote de R$ 156 milhões

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aprovou nesta quinta-feira (08/10/2026), em Recife (PE), 27 pleitos de incentivos fiscais apresentados por empreendimentos instalados em sete estados de sua área de atuação. Os projetos informaram R$ 156,3 milhões em investimentos com recursos próprios e estão associados à manutenção de 3.578 empregos, dos quais 586 correspondem a novos postos de trabalho. A Bahia reúne quatro pleitos e aparece na terceira posição entre os estados com maior número de pedidos aprovados, atrás de Minas Gerais e Pernambuco.

Bahia concentra quatro dos 27 pleitos aprovados pela Sudene

A distribuição territorial informada pela autarquia mostra Minas Gerais com sete pleitos, Pernambuco com cinco e a Bahia com quatro. Rio Grande do Norte, Ceará e Espírito Santo tiveram três pedidos cada, enquanto a Paraíba contabilizou dois.

Embora a Bahia figure entre os três estados com maior número de processos nessa rodada, a comunicação oficial divulgada pela Sudene até a publicação desta reportagem não individualiza as quatro empresas baianas contempladas, nem informa quanto dos R$ 156,3 milhões em investimentos ou dos 3.578 empregos corresponde especificamente aos empreendimentos localizados no estado. Essa ausência impede, por enquanto, uma avaliação municipal, setorial e financeira detalhada dos efeitos da decisão para a economia baiana.

A participação da Bahia, contudo, ocorre em um contexto de recorrente utilização dos instrumentos de desenvolvimento regional administrados pela autarquia. Em 24/09/2026, por exemplo, seis empresas instaladas em Cruz das Almas, Feira de Santana, Gandu, Itaberaba, Simões Filho e Varzedo tiveram pleitos de incentivos aprovados em uma rodada associada a aproximadamente R$ 82 milhões em investimentos privados e quase 1.500 trabalhadores.

Pacote envolve redução do IRPJ e reinvestimento pelas empresas

Dos 27 pedidos aprovados em 8 de outubro, 23 correspondem à redução de 67,5% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e adicionais não restituíveis. Outros quatro tratam do reinvestimento de 27% do IRPJ.

A redução de 67,5% representa uma mudança em relação ao percentual historicamente associado à política regional. A Lei nº 14.753, de 12/12/2023, prorrogou até 31/12/2028 o prazo para aprovação de projetos enquadrados nos incentivos da Sudene e da Sudam e manteve, na legislação específica, redução de 75% do IRPJ para empreendimentos enquadrados em setores prioritários.

A partir de 1º de janeiro de 2026, entretanto, entrou em vigor a redução linear dos benefícios fiscais federais determinada pela Lei Complementar nº 224/2025. A regulamentação estabelece a aplicação de 90% da redução tributária prevista originalmente, mecanismo que, para os novos benefícios atingidos pela regra, transforma a redução de 75% em 67,5%.

No caso do reinvestimento, o Banco do Nordeste informa que o percentual atualmente disponível é de até 27% do IRPJ devido, calculado sobre o lucro da exploração. Segundo a instituição financeira, a alteração também decorre da aplicação da LC 224/2025 sobre o percentual anterior de 30%.

Incentivos podem ser utilizados durante dez anos

Segundo a Sudene, os empreendimentos habilitados à redução do IRPJ podem utilizar o benefício durante dez anos, desde que atendam às condições legais aplicáveis.

Entre as exigências estão a localização do empreendimento na área de atuação da autarquia, o enquadramento em setores considerados prioritários para o desenvolvimento regional e a tributação pelo regime de Lucro Real para fins de apuração do imposto.

Antes da deliberação da Diretoria Colegiada, os processos passaram por análise documental e vistoria presencial das áreas técnicas da Sudene. O procedimento busca verificar a efetiva existência do empreendimento e sua adequação aos requisitos necessários ao enquadramento fiscal.

Maioria dos projetos corresponde à implantação de novos empreendimentos

Entre os 27 processos aprovados, 17 referem-se à implantação de novos empreendimentos, cinco à modernização de unidades existentes, um à retificação de laudo e quatro ao mecanismo de reinvestimento.

A maior concentração setorial ocorre em alimentos e bebidas, com nove empresas. Também aparecem três empreendimentos ligados a minerais não metálicos, dois ao setor de plásticos, dois à agroindústria e dois à infraestrutura.

A composição demonstra que a política de incentivos permanece associada principalmente à atividade industrial, agroindustrial e à expansão de capacidade produtiva, embora o conjunto divulgado pela autarquia alcance diferentes segmentos econômicos.

Projetos de Paraíba, Ceará e Minas Gerais lideram investimentos divulgados

Entre os empreendimentos individualmente citados pela Sudene, o maior investimento informado corresponde à Valeriano Valente de Oliveira, fabricante de alimentos localizada em Itatuba, na Paraíba, com R$ 48,5 milhões.

Na sequência aparece a Maximaplastic, instalada em Horizonte, no Ceará, com investimento declarado de R$ 16,3 milhões.

Outro projeto destacado é da Saboroso S.A., que informou aplicação de R$ 15 milhões na implantação de uma fábrica de laticínios em São Francisco, Minas Gerais.

Os valores divulgados pela autarquia correspondem aos investimentos registrados ou informados pelas próprias empresas em seus projetos, e não ao valor da renúncia tributária decorrente dos incentivos concedidos.

Dois municípios mineiros recebem primeira empresa incentivada

Dos 26 municípios onde estão localizadas as empresas contempladas na decisão, São Francisco e Icaraí de Minas, ambos em Minas Gerais, passam a contar com a primeira empresa beneficiada pelos incentivos administrados pela Sudene, segundo a Coordenação-Geral de Incentivos e Benefícios Fiscais e Financeiros.

O dado é relevante para a dimensão territorial da política de desenvolvimento regional, porque um dos objetivos dos instrumentos administrados pela autarquia é estimular investimentos privados fora dos centros econômicos mais consolidados.

A nota divulgada em 8 de outubro não informa se algum dos quatro projetos baianos está instalado em município que recebe incentivo da Sudene pela primeira vez.

Bahia mantém participação relevante na política de incentivos regionais

A presença baiana na rodada atual integra uma trajetória mais ampla. Em 2025, a Sudene registrou incentivos vinculados a 140 empresas na Bahia, associados à manutenção de 35.777 postos de trabalho e a aproximadamente R$ 2,93 bilhões em investimentos privados.

O relatório de gestão referente a 2024 também havia colocado o estado entre os principais beneficiários da política. Naquele exercício, a Bahia contabilizou 154 benefícios concedidos, o maior número entre as unidades federativas, e aproximadamente R$ 5,2 bilhões em investimentos associados aos projetos incentivados.

Já no primeiro semestre de 2025, foram registrados 38 pleitos aprovados para a Bahia, entre reduções de IRPJ e reinvestimentos, segundo documentação da própria Sudene.

Os números demonstram que o estado mantém presença expressiva no sistema de incentivos utilizado como instrumento de política regional, ainda que o volume financeiro oscile conforme o porte e a natureza dos empreendimentos submetidos em cada período.

Bahia também registra nova carteira estadual de investimentos

A aprovação dos quatro pleitos da Sudene ocorreu no mesmo dia em que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE) divulgou outro balanço, referente a instrumentos estaduais distintos.

Segundo a SDE, entre julho e setembro de 2026 foram assinados 32 protocolos de intenções, que somam R$ 1,09 bilhão em investimentos previstos e potencial para 1.568 empregos diretos e 4.835 indiretos. Dos empreendimentos anunciados, 20 estão localizados no interior da Bahia e 12 na Região Metropolitana de Salvador.

Redução nacional dos benefícios altera política regional a partir de 2026

A mudança dos percentuais de 75% para 67,5% na redução do IRPJ e de 30% para 27% no reinvestimento introduziu um novo componente na política de desenvolvimento regional.

A Lei Complementar nº 224/2025 instituiu uma redução linear de benefícios tributários federais como parte das medidas voltadas ao controle das renúncias fiscais da União. A regulamentação passou a limitar a 90% o valor das reduções previstas originalmente para os incentivos alcançados pela norma.

Os incentivos administrados pela Sudene permanecem, porém, formalmente prorrogados até 31/12/2028 pela Lei 14.753/2023. A compatibilização entre a política regional, as novas regras fiscais da União e eventuais mudanças legislativas até 2028 constitui um dos principais temas a serem acompanhados pelas empresas e pelas instituições responsáveis pelo desenvolvimento regional.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 12/12/2023 — A Lei nº 14.753/2023 prorroga até 31/12/2028 o prazo para aprovação de projetos beneficiados com incentivos do IRPJ nas áreas da Sudene e da Sudam.
  • 2024 — A Bahia registra 154 benefícios concedidos pela Sudene e aproximadamente R$ 5,2 bilhões em investimentos relacionados aos projetos contemplados.
  • 2025 — A política de incentivos alcança 140 empresas baianas, associadas a R$ 2,93 bilhões em investimentos e 35.777 postos de trabalho.
  • 26/12/2025 — É sancionada a Lei Complementar nº 224/2025, que estabelece novas regras para incentivos e benefícios tributários federais.
  • 01/01/2026 — Entram em vigor regras de redução dos benefícios tributários federais, com reflexos sobre os percentuais utilizados em novos pleitos da Sudene.
  • 28/07/2026 — A Sudene informa deliberação sobre 23 pleitos vinculados a quase R$ 11 bilhões; quatro projetos estavam localizados na Bahia.
  • 24/09/2026 — Seis empresas da Bahia têm pleitos aprovados pela Sudene, vinculados a aproximadamente R$ 82 milhões em investimentos privados e quase 1.500 trabalhadores.
  • 08/10/2026 — A Diretoria Colegiada aprova 27 novos pleitos em sete estados, envolvendo R$ 156,3 milhões, 3.578 empregos e 586 novos postos; a Bahia concentra quatro pedidos.
  • 08/10/2026 — No mesmo dia, o Governo da Bahia divulga 32 protocolos de intenções, firmados entre julho e setembro, somando R$ 1,09 bilhão em investimentos previstos e mais de 6 mil empregos diretos e indiretos potenciais.

A presença da Bahia entre os três estados com maior número de pleitos aprovados reforça sua participação histórica nos instrumentos administrados pela Sudene. A recorrência de projetos contemplados em 2024, 2025 e ao longo de 2026 indica que a política fiscal federal continua desempenhando papel relevante na implantação e modernização de empreendimentos no estado. Contudo, quantidade de pleitos não equivale necessariamente a maior volume de investimento ou geração de empregos, razão pela qual a análise econômica depende da abertura dos dados por empreendimento.

A principal lacuna da decisão divulgada nesta quinta-feira está justamente no detalhamento regional. A Sudene informou que a Bahia possui quatro pleitos, mas não publicou na nota os nomes das empresas baianas, os municípios, os setores, os valores de investimento nem o número de trabalhadores vinculados a cada projeto. Sem esses dados, não é possível medir a distribuição territorial dos benefícios, verificar eventual interiorização dos investimentos ou comparar seus efeitos com rodadas anteriores.

Há ainda uma questão estrutural. Desde 2026, a política regional funciona sob o impacto das novas regras federais de contenção de benefícios tributários, que reduziram percentuais tradicionais de incentivos. A continuidade dos mecanismos até 2028 está juridicamente prevista, mas os próximos anos exigirão acompanhamento das decisões do Congresso Nacional, da Receita Federal, da Sudene e da política fiscal da União, especialmente quanto ao tratamento das renúncias tributárias e à manutenção dos instrumentos de desenvolvimento regional. No caso da Bahia, os quatro pleitos aprovados em 08/10/2026 representam mais uma etapa de uma sequência de projetos apoiados pela Sudene.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading