O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou, na quinta-feira (08/10/2026), o Dia do Nordestino com uma mensagem nas redes sociais em que reafirmou como prioridades de sua agenda para a região a ampliação do acesso à água para populações afetadas pela seca, a criação de empregos, a geração de oportunidades e o desenvolvimento econômico. “Minha obsessão é fazer ainda mais pelo Nordeste”, escreveu o presidente, ao associar suas origens pernambucanas aos compromissos do governo com políticas de segurança hídrica, infraestrutura e desenvolvimento regional. A manifestação ocorre em um contexto no qual programas federais como o Novo PAC, investimentos do BNDES, obras da Transnordestina e iniciativas de abastecimento de água concentram recursos na região.
Lula associa origem nordestina às prioridades do governo
Na mensagem publicada em suas redes sociais, Lula destacou o vínculo com a região e afirmou que pretende ampliar as ações direcionadas aos nove estados nordestinos.
“Viva o Dia do Nordestino! Tenho orgulho de ser dessa terra. Minha obsessão é fazer ainda mais pelo Nordeste: mais água para quem sofre com a seca, mais empregos, mais oportunidades, mais desenvolvimento”, declarou.
O presidente também agradeceu à população da região e mencionou o que classificou como sua “consciência política, generosidade e amor ao Brasil”. Ao final, afirmou: “Vocês são minha inspiração na construção do país que sonhamos”. A íntegra da publicação reproduzida por diferentes veículos confirma que a homenagem foi acompanhada de um vídeo divulgado nas redes presidenciais.
Segurança hídrica permanece no centro da agenda do Nordeste
A referência presidencial a “mais água para quem sofre com a seca” encontra correspondência em uma carteira de obras e programas públicos voltados à segurança hídrica. Dados da Casa Civil mostram que o eixo Água para Todos, do Novo PAC, reúne R$ 30,2 bilhões em investimentos previstos, dos quais R$ 25,4 bilhões correspondem ao período entre 2023 e 2026.
Dentro desse conjunto, somente a modalidade de infraestrutura hídrica representa R$ 11,2 bilhões, distribuídos entre adutoras, canais, barragens, ampliação da capacidade de sistemas existentes e ações relacionadas ao Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). Desse montante, R$ 9,9 bilhões estavam programados para 2023 a 2026 e R$ 1,2 bilhão para o período posterior.
A carteira relaciona 71 intervenções, incluindo 25 projetos de adutoras e canais, 36 barragens, duas ampliações de capacidade de canais e sete ações referentes à recuperação, operação, manutenção e modelagem do PISF. As intervenções estão concentradas principalmente nas áreas historicamente mais vulneráveis à escassez hídrica do Nordeste.
Abastecimento de água envolve R$ 12,5 bilhões
Além das grandes estruturas hídricas, o Novo PAC mantém uma carteira específica para abastecimento de água, com investimentos previstos de R$ 12,5 bilhões.
Segundo dados atualizados pela Casa Civil, as seleções realizadas em 2023 e 2025 reuniram 255 empreendimentos, com investimentos de R$ 6,8 bilhões, destinados a 267 municípios em 24 unidades da Federação. Até o final do primeiro trimestre de 2026, 41 empreendimentos anteriormente paralisados, não iniciados ou incompletos haviam sido concluídos, somando R$ 1,3 bilhão e alcançando aproximadamente 340 mil famílias.
Na Bahia, um dos projetos relacionados à política de segurança hídrica é a Adutora da Fé, no oeste do estado. A etapa anunciada em janeiro de 2026 recebeu previsão de aproximadamente R$ 230 milhões e integra o eixo Água para Todos. O projeto pretende utilizar águas do Rio São Francisco para ampliar o abastecimento de comunidades rurais.
Bahia projeta R$ 5,5 bilhões para saneamento
Outra frente diretamente relacionada à infraestrutura hídrica ocorre na Bahia. Em maio de 2026, o Governo do Estado informou que a Embasa avançaria nos procedimentos para captar R$ 5,5 bilhões em financiamento vinculado ao Novo PAC.
Os recursos são destinados a até 35 obras de implantação ou ampliação de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Entre os municípios e regiões relacionados estão Amargosa, Seabra, Miguel Calmon, Piritiba, Mundo Novo, Itaberaba, Irecê, Ruy Barbosa, Macajuba, Baixa Grande e localidades do Litoral Norte.
O volume evidencia que a meta política expressa na mensagem presidencial depende de execução física, financiamento, licenciamento, contratação e capacidade operacional dos governos federal, estaduais, municipais e das empresas públicas envolvidas. O anúncio de recursos, portanto, não equivale por si só à conclusão das intervenções.
Mercado de trabalho mostra geração de vagas e desafios salariais
O segundo eixo destacado por Lula foi a expansão dos empregos e das oportunidades econômicas. Dados do Novo Caged mostram que o Brasil gerou 921.645 empregos formais no primeiro semestre de 2026. Em junho, foram criados 145.161 postos no país.
No mesmo mês, o Nordeste registrou saldo de 34.433 empregos formais, com crescimento de 0,43% sobre o estoque do mês anterior. A Bahia respondeu por 8.985 novas vagas, o maior saldo entre os estados nordestinos naquele período, e alcançou 2.193.848 vínculos celetistas ativos.
Os números, entretanto, revelam que a expansão quantitativa do emprego não elimina diferenças estruturais de renda. Estudo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, apontou que o salário médio de admissão na região em junho de 2026 era de R$ 2.067,05, equivalente a 80,3% da média de R$ 2.575,64 registrada no Sudeste.
Pequenos negócios impulsionam empregos na Bahia
Na Bahia, as micro e pequenas empresas criaram 22.913 postos de trabalho nos quatro primeiros meses de 2026, segundo levantamento baseado no Caged divulgado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico estadual.
O setor de serviços apresentou saldo de 12.701 vagas, seguido pela construção, com 8.706, e pela indústria, com 3.101. O comércio registrou redução líquida de 1.942 postos no período.
Os indicadores ajudam a dimensionar o desafio contido na promessa presidencial de ampliar empregos e oportunidades. Além da criação líquida de vagas, fatores como remuneração, produtividade, industrialização, qualificação profissional, infraestrutura e acesso ao crédito influenciam a capacidade de transformar crescimento econômico em aumento sustentável da renda regional.
BNDES aprovou R$ 53,6 bilhões para o Nordeste desde 2023
O financiamento produtivo constitui outra dimensão da política regional. Dados divulgados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) indicam que a instituição aprovou R$ 53,63 bilhões em crédito para o Nordeste entre 2023 e março de 2026.
O montante representa crescimento de 12,7% em relação aos R$ 47,57 bilhões registrados no período de 2019 a 2022. Apenas em 2025, as aprovações totalizaram R$ 19,39 bilhões, segundo o banco.
No primeiro trimestre de 2026, as aprovações alcançaram R$ 3,38 bilhões, aumento de 98,3% em comparação com igual período de 2025. Desse total, R$ 2,2 bilhões foram direcionados a micro, pequenas e médias empresas.
Nova Indústria Brasil projeta carteira de R$ 113 bilhões
Uma das iniciativas destinadas a ampliar a base produtiva regional é a Chamada Nordeste, vinculada à política Nova Indústria Brasil e conduzida por instituições financeiras federais.
A carteira reúne 189 propostas habilitadas, que somam aproximadamente R$ 113 bilhões em investimentos potenciais. A iniciativa envolve BNDES, Finep, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa, com apoio técnico da Sudene e outras instituições.
Os valores representam projetos apresentados e selecionados para análise e estruturação financeira, não investimentos integralmente executados. A conversão dessa carteira em atividade econômica depende da contratação dos financiamentos e da implantação efetiva dos empreendimentos.
Transnordestina integra estratégia de infraestrutura regional
O desenvolvimento regional citado por Lula também passa pela ampliação da infraestrutura logística. Entre os principais projetos encontra-se a Ferrovia Transnordestina, concebida para conectar áreas produtivas do Piauí, Pernambuco e Ceará ao sistema portuário.
Em julho de 2026, o governo federal informou que o empreendimento tinha investimento estimado de R$ 15 bilhões e havia recebido R$ 9,8 bilhões até março daquele ano. A primeira fase foi projetada para ser concluída em 2027.
Em atualização divulgada pelo Governo do Ceará em 05/10/2026, três dias antes da mensagem presidencial, a fase inicial aparecia com 832 quilômetros executados, equivalentes a 84% de avanço físico, e outros 221 quilômetros em execução. O trecho concluído em setembro envolveu 50 quilômetros entre Quixeramobim e Quixadá.
A obra é acompanhada pela Sudene e pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e utiliza recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), entre outras fontes.
Desenvolvimento regional exige articulação entre investimentos
A dimensão das necessidades de infraestrutura do Nordeste ultrapassa projetos isolados. Em junho de 2026, a Sudene informou que a carteira de projetos estruturantes vinculados ao Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE) reunia 102 iniciativas, cuja demanda estimada atingia R$ 144 bilhões.
As propostas foram apresentadas por governos estaduais e discutidas com bancos de desenvolvimento e organismos de cooperação, envolvendo diferentes alternativas de financiamento.
O dado evidencia que desenvolvimento regional envolve políticas de longo prazo em infraestrutura hídrica, logística, energia, indústria, educação, saúde, tecnologia, crédito e qualificação da mão de obra, e não apenas ações emergenciais relacionadas aos períodos de estiagem.
Dia do Nordestino surgiu em São Paulo e se difundiu pelo país
O 8 de outubro passou a ser associado ao Dia do Nordestino a partir de uma iniciativa da cidade de São Paulo. Em 2009, a Lei Municipal nº 14.952 inseriu a celebração no calendário municipal, em contexto de homenagem à contribuição da população nordestina e ao centenário do poeta cearense Patativa do Assaré. A Câmara Municipal realizou naquele ano uma sessão solene dedicada à data.
Em 2019, a legislação paulistana foi modificada e a celebração municipal passou para 2 de agosto, em referência a Luiz Gonzaga. Apesar da alteração em São Paulo, o 8 de outubro permaneceu amplamente difundido como Dia do Nordestino em outras partes do país.
Também existe iniciativa legislativa para transformar a comemoração em data nacional. O Projeto de Lei nº 2.755/2022, apresentado pelo senador Angelo Coronel, propôs instituir oficialmente o Dia Nacional do Nordestino em 8 de outubro.








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