Nesta terça-feira (13/10/2026), dados atualizados do Data Nordeste, plataforma da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), mostram que São Francisco do Conde, na Bahia, liderou as exportações municipais do Nordeste entre janeiro e setembro de 2026, com US$ 2,44 bilhões em vendas externas. No período, 415 dos 1.794 municípios nordestinos registraram exportações e movimentaram, conjuntamente, US$ 20,6 bilhões. A Bahia colocou quatro cidades entre as dez maiores exportadoras — São Francisco do Conde, Luís Eduardo Magalhães, Camaçari e Jacobina — em uma pauta regional marcada pela presença de petróleo e derivados, soja, algodão, minerais, produtos químicos, celulose, carnes e automóveis. Os dados têm como fonte primária o ComexStat, sistema oficial da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), atualizado em 06/10/2026 com informações até setembro.
Dez municípios concentram mais da metade das exportações nordestinas
A distribuição territorial das vendas externas revela elevada concentração. Os dez municípios líderes exportaram aproximadamente US$ 11 bilhões, equivalentes a cerca de 53,4% dos US$ 20,6 bilhões registrados pelo conjunto das 415 cidades exportadoras.
Ao mesmo tempo, apenas 23,1% dos 1.794 municípios nordestinos tiveram exportações registradas no período. Em sentido inverso, 1.379 municípios, ou aproximadamente 76,9%, não aparecem com operações de exportação na base utilizada. Os percentuais resultam de cálculo a partir dos números divulgados pela Sudene.
O quadro evidencia uma inserção internacional regional fortemente ancorada em determinados polos agroindustriais, energéticos, minerais, industriais e logísticos. A concentração, entretanto, precisa ser interpretada com cautela porque o dado municipal não constitui, necessariamente, um retrato exato do lugar onde o bem exportado foi produzido.
Ranking dos dez maiores exportadores municipais do Nordeste — até setembro de 2026
- São Francisco do Conde (BA)
- Exportações: US$ 2,44 bilhões
- Principais produtos: produtos minerais, especialmente óleos de petróleo
- Mercados destacados: Singapura e Panamá
- Luís Eduardo Magalhães (BA)
- Exportações: US$ 2,24 bilhões
- Principais produtos: produtos vegetais, especialmente soja triturada, e materiais têxteis
- Mercados destacados: China e Países Baixos
- São Luís (MA)
- Exportações: US$ 1,3 bilhão
- Principais produtos: produtos químicos e produtos vegetais, com presença de soja
- Mercados destacados: Canadá e China
- Balsas (MA)
- Exportações: US$ 1 bilhão
- Principais produtos: soja triturada e algodão
- Mercados destacados: China e Egito
- São Gonçalo do Amarante (CE)
- Exportações: US$ 941,9 milhões
- Principais produtos: metais comuns e minerais
- Mercados destacados: Estados Unidos e México
- Camaçari (BA)
- Exportações: US$ 748,7 milhões
- Principais produtos: produtos químicos, pastas de madeira e plásticos
- Mercados destacados: Estados Unidos e China
- Imperatriz (MA)
- Exportações: US$ 660,6 milhões
- Principais produtos: pastas de madeira e carnes bovinas
- Mercados destacados: Estados Unidos e Países Baixos
- Jacobina (BA)
- Exportações: US$ 550,2 milhões
- Principal produto: ouro
- Mercado destacado: Canadá
- Goiana (PE)
- Exportações: US$ 519,7 milhões
- Principal produto: automóveis de passageiros
- Mercados destacados: Argentina e México
- Guamaré (RN)
- Exportações: US$ 519,6 milhões
- Principais produtos: produtos minerais, especialmente óleos de petróleo
- Mercados destacados: não informados
Os valores e a ordem do ranking foram divulgados pela Sudene a partir do Data Nordeste e do ComexStat. Somados individualmente, os números arredondados chegam a aproximadamente US$ 10,92 bilhões, apresentados pela autarquia regional como cerca de US$ 11 bilhões.
Bahia tem quatro cidades entre as dez primeiras e ocupa as duas maiores posições
A Bahia apresenta a maior presença estadual no grupo dos dez primeiros colocados. São Francisco do Conde, Luís Eduardo Magalhães, Camaçari e Jacobina exportaram, pelos valores divulgados, aproximadamente US$ 5,98 bilhões no período.
Esse montante corresponde, por cálculo sobre os dados da Sudene, a cerca de 29% de todas as exportações registradas pelos 415 municípios nordestinos. Apenas São Francisco do Conde e Luís Eduardo Magalhães movimentaram conjuntamente US$ 4,68 bilhões, equivalentes a aproximadamente 22,7% do total regional.
A presença simultânea de municípios com estruturas econômicas distintas também evidencia a diversidade da pauta externa baiana: petróleo e derivados no Recôncavo e na Região Metropolitana de Salvador, agricultura empresarial no Oeste, indústria de transformação em Camaçari e mineração em Jacobina.
São Francisco do Conde alcança US$ 2,44 bilhões
Localizado na Região Metropolitana de Salvador e historicamente associado à cadeia energética e ao refino de petróleo, São Francisco do Conde apresentou o maior valor exportado entre os municípios nordestinos: US$ 2,44 bilhões.
A pauta informada pela Sudene é dominada por produtos minerais, especialmente óleos de petróleo, tendo Singapura e Panamá entre os principais destinos.
O município abriga a Refinaria de Mataripe, atualmente operada pela Acelen. A presença dessa infraestrutura ajuda a compreender a importância econômica do segmento petrolífero na área. Isso, contudo, não autoriza concluir que todos os US$ 2,44 bilhões correspondam necessariamente a mercadorias fisicamente produzidas em São Francisco do Conde, em razão da metodologia utilizada pelo sistema federal de comércio exterior.
Luís Eduardo Magalhães consolida peso do agronegócio exportador
Na segunda posição regional aparece Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia, com US$ 2,24 bilhões exportados de janeiro a setembro.
A pauta é liderada por produtos do reino vegetal, particularmente soja triturada, além de materiais têxteis. China e Países Baixos figuram entre os principais destinos das mercadorias declaradas no município.
A dimensão exportadora de Luís Eduardo Magalhães está vinculada ao processo de transformação econômica do Oeste baiano e à expansão da agricultura empresarial no Matopiba, região que compreende o Tocantins e partes da Bahia, Maranhão e Piauí.
A Embrapa identifica uma forte expansão agrícola nesse território a partir dos anos 1980, associada à consolidação de sistemas produtivos de alta intensidade tecnológica. O próprio nome Matopiba reúne as iniciais de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Em 1º de novembro de 2023, o Decreto federal nº 11.767 disciplinou o Plano de Desenvolvimento Agropecuário e Agroindustrial do Matopiba, direcionado à coordenação de políticas econômicas, ambientais e sociais para as atividades agrícolas, pecuárias e agroindustriais da região.
Camaçari mantém inserção industrial no mercado internacional
Outro município baiano entre os dez maiores exportadores nordestinos é Camaçari, com US$ 748,7 milhões vendidos ao exterior.
Sua pauta no período reúne principalmente produtos químicos, pastas de madeira e plásticos, e Estados Unidos e China aparecem entre os principais parceiros comerciais.
A composição difere da estrutura predominantemente agroexportadora de Luís Eduardo Magalhães e reforça o peso da indústria de transformação na inserção externa da Bahia.
Jacobina aparece no ranking com exportações de ouro
Jacobina, no centro-norte baiano, ocupa a oitava posição entre os dez maiores exportadores nordestinos e a quarta entre as cidades da Bahia incluídas nesse grupo.
O município registrou US$ 550,2 milhões em exportações no período. O ouro aparece como produto de destaque, e o Canadá é apontado pela Sudene como principal destino.
A presença de Jacobina no grupo amplia a diversidade setorial observada entre os representantes baianos: energia, agronegócio, indústria química e mineração formam quatro importantes vetores das vendas externas associadas aos municípios do estado.
Maranhão reúne três municípios entre os dez maiores
O Maranhão aparece com três representantes: São Luís, Balsas e Imperatriz.
São Luís exportou aproximadamente US$ 1,3 bilhão, com destaque para produtos químicos e produtos vegetais, incluindo soja. Canadá e China figuram entre os principais destinos.
Balsas alcançou US$ 1 bilhão, principalmente com soja e algodão. China e Egito foram destacados como mercados compradores. Assim como Luís Eduardo Magalhães, o município integra a área de expansão agropecuária do Matopiba.
Imperatriz registrou US$ 660,6 milhões, apoiada principalmente em pastas de madeira e carnes bovinas, com Estados Unidos e Países Baixos entre os mercados de destino.
Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte completam o grupo
No Ceará, São Gonçalo do Amarante aparece na quinta posição, com US$ 941,9 milhões. O município, onde está localizado o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, teve metais comuns e minerais entre os produtos mais importantes e Estados Unidos e México entre os destinos destacados pela Sudene.
Em Pernambuco, Goiana registrou US$ 519,7 milhões, com predomínio dos automóveis de passageiros. A Argentina respondeu por US$ 340,6 milhões, enquanto o México recebeu US$ 91 milhões em produtos do município.
No Rio Grande do Norte, Guamaré contabilizou US$ 519,6 milhões, concentrados principalmente em produtos minerais e óleos de petróleo, com destaque para operações destinadas ao Panamá.
Exportações da Bahia chegam a US$ 10,2 bilhões no acumulado do ano
O desempenho municipal ocorre em um momento de expansão mais ampla do comércio exterior baiano. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) mostram que as exportações estaduais chegaram a US$ 10,2 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 19,7% em relação ao mesmo período de 2025.
No acumulado do ano, a agropecuária exportou US$ 3,56 bilhões, alta de 27,2%; a indústria extrativa alcançou US$ 690,5 milhões, avanço de 39,1%; e a indústria de transformação movimentou US$ 5,94 bilhões, crescimento de 13,6%.
O aumento total decorreu tanto da elevação dos volumes como dos preços médios dos produtos exportados. Segundo a SEI, os preços médios avançaram 12,5%, enquanto o quantum exportado cresceu 6,4%.
A soja e seus derivados responderam por US$ 2,71 bilhões, equivalentes a 26,5% das exportações estaduais acumuladas no ano, enquanto os derivados de petróleo alcançaram aproximadamente US$ 2 bilhões.
China continua central, mas oscilações revelam vulnerabilidade externa
Os dados de setembro também demonstram que o desempenho exportador está sujeito às mudanças de demanda nos grandes mercados internacionais.
Embora a Bahia acumule crescimento de 19,7% no ano, suas exportações recuaram 3% em setembro, para US$ 1,07 bilhão, em grande parte devido à redução de embarques para a Ásia.
As vendas baianas para a China, principal destino dos produtos estaduais, diminuíram 24% em setembro na comparação anual, influenciadas por menor demanda por soja, celulose e algodão. Para os Estados Unidos, em contrapartida, as exportações cresceram 53,3% no mesmo recorte.
A oscilação demonstra que a expansão das exportações não elimina a exposição da economia regional às condições internacionais de preço, demanda, tarifas, câmbio, conflitos geopolíticos e políticas comerciais adotadas pelas grandes economias.
Diversidade produtiva convive com elevada concentração territorial
A composição dos dez maiores exportadores mostra duas características aparentemente contrapostas.
De um lado, existe considerável diversificação setorial: petróleo, soja, algodão, químicos, celulose, ouro, carne bovina, metais e veículos participam das vendas externas.
De outro, existe forte concentração territorial e empresarial, já que pouco mais de um quinto dos municípios nordestinos aparece como exportador e dez cidades respondem por mais da metade do valor exportado.
Esse padrão sugere que a integração regional às cadeias internacionais continua organizada principalmente em torno de grandes polos produtivos, industriais e logísticos, em vez de estar uniformemente distribuída pelo território nordestino.
Ampliação da base exportadora permanece como desafio
A política pública de comércio exterior enfrenta, portanto, um desafio adicional ao simples crescimento do valor exportado: ampliar a quantidade e a diversidade de empresas e territórios capazes de acessar mercados internacionais.
Na Bahia, uma iniciativa nessa direção é o Plano Estadual de Promoção da Cultura Exportadora, cuja etapa de estruturação foi concluída em março de 2026, no âmbito da Política Nacional de Cultura Exportadora, com participação do MDIC, do Governo da Bahia e de instituições parceiras. O programa procura ampliar principalmente a participação de micro, pequenas e médias empresas nas vendas internacionais.
A expansão dessa base dependerá de fatores como produtividade, infraestrutura de transporte, capacidade portuária, armazenagem, financiamento, certificação sanitária e ambiental, inteligência comercial, acesso a mercados e redução dos custos logísticos e burocráticos.
Metodologia exige cautela ao interpretar o ranking municipal
Esse é um dos aspectos fundamentais para a leitura correta dos números. O ComexStat informa que os dados municipais se referem ao domicílio fiscal do declarante da operação de exportação ou importação.
O município registrado, portanto, pode não coincidir com o município no qual a mercadoria foi cultivada, extraída, industrializada, armazenada ou embarcada. A base municipal está disponível em séries mensais desde 1997 e permite detalhamento por município, posição SH4 e parceiro comercial.
Assim, o ranking identifica onde estão domiciliadas fiscalmente as empresas responsáveis pelas declarações aduaneiras, e não constitui sozinho um ranking de produção física municipal. Essa diferença metodológica é especialmente relevante em cadeias que envolvem grandes empresas, terminais logísticos, tradings, refinarias e estruturas produtivas distribuídas por diferentes municípios.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Década de 1980 — A região que viria a ser identificada como Matopiba passa por forte expansão agrícola, processo que posteriormente fortalece polos exportadores como Luís Eduardo Magalhães e Balsas.
- 01/11/2023 — O Governo Federal publica o Decreto nº 11.767, que dispõe sobre o Plano de Desenvolvimento Agropecuário e Agroindustrial do Matopiba e institui seu Comitê Gestor.
- 13/03/2026 — Governo da Bahia, MDIC e instituições parceiras concluem uma etapa de estruturação do Plano Estadual de Promoção da Cultura Exportadora, voltado à ampliação da inserção internacional de empresas baianas.
- Janeiro a setembro de 2026 — 415 municípios nordestinos registram US$ 20,6 bilhões em exportações; os dez primeiros concentram cerca de US$ 11 bilhões. São Francisco do Conde lidera, com US$ 2,44 bilhões.
- 06/10/2026 — O ComexStat atualiza a base oficial de comércio exterior, incorporando os dados municipais até setembro de 2026.
- 07/10/2026 — O Data Nordeste apresenta painel atualizado de exportações, enquanto a SEI divulga que as vendas externas baianas acumulam US$ 10,2 bilhões e alta de 19,7% no ano.
- 09/10/2026 — A Sudene divulga o levantamento consolidado sobre os 415 municípios exportadores e o ranking dos dez maiores do Nordeste.
Os dados confirmam a posição estratégica da Bahia no comércio exterior do Nordeste, mas revelam algo mais relevante do que a simples liderança de São Francisco do Conde: a internacionalização da economia regional permanece fortemente concentrada em poucos territórios e cadeias produtivas. Enquanto 415 cidades registraram exportações, 1.379 não aparecem com vendas externas no recorte analisado, e somente dez municípios concentram aproximadamente 53,4% dos valores. Trata-se de uma distribuição que combina alta competitividade em determinados polos com baixa disseminação territorial da atividade exportadora.
A composição dos líderes também demonstra que não existe um único modelo exportador nordestino. São Francisco do Conde e Guamaré representam a cadeia de petróleo; Luís Eduardo Magalhães e Balsas expressam a expansão do agronegócio do Matopiba; Camaçari e São Luís carregam forte presença industrial; Jacobina representa a mineração; Goiana, a indústria automobilística; e Imperatriz, cadeias de celulose e proteína animal. Essa diversidade reduz parcialmente a dependência de um único produto, mas cada cadeia continua exposta a riscos próprios de preços, demanda internacional, tarifas, logística, câmbio e regulação.
Há ainda uma limitação documental indispensável: os números municipais do ComexStat refletem o domicílio fiscal do declarante, e não obrigatoriamente o local físico de produção. Consequentemente, o ranking permite medir a localização fiscal das operações de comércio exterior, mas não deve ser convertido, sem bases complementares, em classificação definitiva sobre produção, emprego, valor adicionado ou riqueza gerada dentro de cada município. A avaliação dessas dimensões exige cruzamento com dados de produção industrial e agropecuária, PIB municipal, arrecadação, emprego e localização efetiva dos estabelecimentos exportadores.
O resultado de janeiro a setembro de 2026, portanto, confirma São Francisco do Conde como maior município exportador do Nordeste pelo critério utilizado pelo ComexStat e coloca a Bahia em posição destacada, com quatro representantes entre os dez primeiros.








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