Na quarta-feira (14/10/2026), 55 veículos de jornalismo independente publicaram simultaneamente um editorial em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e do direito da população à informação, com críticas às propostas e ao histórico político associado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorre durante o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25/10/2026, depois de Flávio obter 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, no primeiro turno. O documento relaciona suas preocupações ao período do governo Jair Bolsonaro, aos dados de violência contra jornalistas e às declarações recentes de Flávio sobre mudanças constitucionais. O candidato, por sua vez, afirma que garantirá a liberdade de imprensa caso seja eleito, enquanto sua campanha acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a remoção de 221 publicações e a suspensão temporária de 32 perfis sob a alegação de disseminação de informações falsas ou descontextualizadas.
Editorial coloca liberdade de imprensa no centro do segundo turno
O texto publicado pelos 55 veículos parte da premissa de que a proteção ao trabalho jornalístico ultrapassa os interesses corporativos da profissão e está diretamente relacionada à capacidade da sociedade de acompanhar governos, investigar irregularidades e exigir prestação de contas das autoridades.
Os signatários sustentam que informações confiáveis, verificáveis e plurais precisam circular em um ambiente no qual jornalistas possam investigar corrupção, abusos de poder e violações de direitos sem intimidação. Nesse contexto, o editorial afirma que ameaças e campanhas sistemáticas de descredibilização contra profissionais da imprensa também atingem o direito coletivo à informação.
É necessário distinguir, entretanto, a natureza do documento: trata-se de um editorial, portanto de uma manifestação institucional e opinativa dos veículos signatários. Avaliações segundo as quais uma candidatura representa risco de retrocesso democrático constituem uma posição editorial. Os dados estatísticos, decisões judiciais, declarações dos candidatos e medidas adotadas pelas instituições, por outro lado, podem ser verificados separadamente.
Fenaj registrou 1.442 casos de violência entre 2019 e 2022
Entre os principais elementos factuais utilizados pelo editorial está o levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). A entidade contabilizou 1.442 episódios de violência contra jornalistas e ataques à imprensa entre 2019 e 2022. Em manifestação divulgada em 14 de outubro de 2026, a própria federação voltou a utilizar esse número ao analisar as condições para o exercício do jornalismo no segundo turno.
O documento dos veículos afirma que a média anual daquele período foi mais de três vezes superior à registrada entre 2010 e 2018. Relatórios posteriores da Fenaj também atribuem ao período do governo Jair Bolsonaro um aumento expressivo das agressões e ações de descredibilização dirigidas a jornalistas e organizações de comunicação. O relatório referente a 2023 registrou que Bolsonaro foi responsável, segundo a metodologia da entidade, por 570 ataques a veículos e jornalistas entre 2019 e 2022.
Há também precedente judicial relacionado a esse histórico. Em ação civil pública proposta pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, o processo nº 1033741-73.2021.8.26.0100 chegou ao Tribunal de Justiça paulista; os registros processuais indicam julgamento do recurso em maio de 2023 e posterior cumprimento de sentença. A Fenaj classifica o caso como responsabilização de Jair Bolsonaro por ofensas sistemáticas dirigidas à categoria.
Abraji contabilizou 557 alertas em 2022
Outro indicador citado pelo editorial vem da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Em seu monitoramento de 2022, a organização registrou 557 episódios, crescimento de 23% em relação ao levantamento anterior.
Segundo a Abraji, 41,6% desses episódios tiveram envolvimento de pelo menos um integrante da família Bolsonaro. O levantamento também apontou crescimento das ocorrências consideradas mais graves contra profissionais da imprensa.
Em balanço mais amplo reproduzido pela Fenaj neste mês de outubro de 2026, a Abraji teria registrado 1.507 alertas de violações à liberdade de imprensa entre 2019 e 2022. Esses números utilizam metodologia própria da organização e não devem ser simplesmente somados aos registros da Fenaj, porque os dois levantamentos medem ocorrências a partir de critérios distintos.
Eleições de 2026 registram nova escalada de ataques digitais
O problema não ficou restrito ao período de 2019 a 2022. Um levantamento da Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), produzido em colaboração com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), identificou 14.182 ataques contra jornalistas e veículos no X e no Instagram entre 16/08 e 04/10/2026.
Na reta final do primeiro turno, a média diária subiu de 188 para 327 ataques, aumento aproximado de 74%. Nos casos em que foi possível identificar o contexto eleitoral, a disputa presidencial respondeu por quase 80% das ocorrências monitoradas.
Os 14.182 registros digitais também não são diretamente comparáveis aos 1.442 casos contabilizados pela Fenaj no período de 2019 a 2022. O monitoramento de 2026 analisou conteúdos, comentários, termos e hashtags em plataformas digitais, enquanto as séries históricas da Fenaj seguem metodologia própria para episódios de violência contra a atividade jornalística.
A diferença metodológica não reduz a relevância dos indicadores, mas impede conclusões estatísticas simplificadoras. Em conjunto, eles demonstram que a hostilidade à imprensa permanece presente no ambiente político brasileiro, particularmente em períodos eleitorais.
Brasil subiu no ranking internacional, mas desafios persistem
Há, simultaneamente, indicadores de melhora institucional. No Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026, da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o Brasil aparece na 52ª posição entre 180 países, ante o 110º lugar registrado em 2022 — avanço de 58 posições.
A RSF relaciona essa melhora à normalização das relações entre órgãos estatais e veículos de comunicação durante o governo Lula. A entidade, contudo, afirma que continuam existindo problemas estruturais, entre eles a violência contra jornalistas, a concentração da propriedade dos meios, dificuldades econômicas para veículos locais e independentes, assédio digital e desinformação.
Esses elementos acrescentam uma dimensão importante ao debate: embora indicadores internacionais apontem melhora entre 2022 e 2026, os mais de 14 mil ataques digitais monitorados durante o primeiro turno deste ano demonstram que a segurança e a credibilidade da imprensa continuam submetidas a pressões relevantes.
Editorial relaciona preocupações à candidatura de Flávio Bolsonaro
O documento dos 55 veículos dirige críticas específicas a Flávio Bolsonaro e relaciona sua candidatura ao projeto político liderado por seu pai.
Os autores argumentam que não seria possível analisar isoladamente as propostas do senador, diante do histórico de confrontos entre Jair Bolsonaro, jornalistas, instituições eleitorais e o Judiciário. A conclusão de que Flávio repetiria esse comportamento é, contudo, uma avaliação dos signatários, e deve ser apresentada como tal, não como fato consumado.
O candidato apresenta versão distinta. Ao votar no Rio de Janeiro em 04/10/2026, Flávio afirmou que, se eleito, pretende garantir a liberdade de imprensa e respeitar o direito de jornalistas e cidadãos de criticarem o governo.
A divergência entre o compromisso declarado pelo candidato e os receios manifestados pelos veículos constitui um dos núcleos do debate público aberto pelo editorial.
Declaração sobre mudança da Constituição ampliou controvérsia
Outro elemento citado pelos signatários surgiu após o primeiro turno.
Em 06/10/2026, durante evento político em Goiânia, Flávio Bolsonaro afirmou que a composição do novo Congresso permitiria promover alterações constitucionais e empregou a expressão “redemocratizar esse país”. A declaração provocou críticas de adversários e questionamentos sobre o alcance das mudanças pretendidas.
No dia seguinte, o candidato explicou que falava de Propostas de Emenda à Constituição (PECs), e não da substituição integral da Carta de 1988. Entre os temas mencionados por ele estavam redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, reforma política, alterações na reforma tributária e fim da reeleição presidencial. Também deixou em aberto a discussão sobre eventual mandato presidencial de cinco anos caso a reeleição seja extinta.
A distinção é juridicamente relevante. Um presidente não pode modificar unilateralmente a Constituição. PECs precisam passar por dois turnos de votação na Câmara e no Senado e obter apoio de três quintos dos integrantes de cada Casa — pelo menos 308 deputados e 49 senadores — além de respeitar as cláusulas constitucionais que não podem ser abolidas por emenda.
Dessa forma, a afirmação de que Flávio pretende “mudar a Constituição” é factual; já interpretações sobre a extensão e os efeitos democráticos dessas mudanças dependem do conteúdo concreto das propostas que vierem a ser formalmente apresentadas.
Situação de Jair Bolsonaro integra programa político do filho
A relação entre a campanha presidencial e a situação jurídica de Jair Bolsonaro também é um dos fundamentos do editorial.
O ex-presidente foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 2668 a 27 anos e três meses de prisão. A condenação abrange organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Em janeiro de 2026, o STF informou que a condenação havia se tornado definitiva. Posteriormente, Bolsonaro recebeu prisão domiciliar humanitária por razões de saúde, situação mantida pelo ministro Alexandre de Moraes em julho.
Flávio Bolsonaro declarou durante a campanha que pretende buscar medidas para beneficiar o pai. Ele já defendeu anistia e afirmou que, na ausência de consenso legislativo, poderia recorrer a um indulto presidencial caso chegue ao Palácio do Planalto.
Assim, quando o editorial associa a candidatura à tentativa de libertar Jair Bolsonaro, existe uma base factual nas declarações públicas do próprio candidato. O eventual alcance jurídico de uma anistia ou de um indulto, porém, dependeria das medidas concretamente adotadas e, possivelmente, de novo controle judicial.
Campanha pede remoção de 221 publicações e suspensão de 32 perfis
Paralelamente às declarações em defesa da liberdade de imprensa, a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou ao TSE uma representação contra conteúdos publicados por apoiadores da candidatura de Lula.
Segundo atualização da Radioagência Nacional nesta quinta-feira (15/10/2026), o pedido envolve a retirada de 221 publicações e a suspensão temporária de 32 perfis no Instagram. Entre os citados estão parlamentares, o coletivo 342 Artes, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Mídia Ninja.
A candidatura sustenta que esses perfis teriam atuado conjuntamente na divulgação de afirmações consideradas falsas ou descontextualizadas, incluindo alegações de que Flávio apoiaria cortes em aposentadorias e congelamento de benefícios sociais.
A defesa argumenta que não pretende impedir críticas ou opiniões legítimas e afirma que a medida solicitada não constitui censura, mas uma tentativa de impedir a circulação de conteúdos que considera fraudulentos.
O relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu à campanha informações adicionais, com individualização das acusações e das condutas atribuídas aos representados. Até a atualização disponível em 15 de outubro, não havia decisão definitiva sobre o conjunto desses pedidos.
A Agência Brasil informou ainda que procurou a campanha para responder especificamente às críticas formuladas pelo editorial dos 55 veículos, mas não havia recebido manifestação até a publicação original, na noite de 14 de outubro. O espaço foi mantido aberto para resposta.
Justiça Eleitoral também ordenou remoção de conteúdos publicados por Flávio
A discussão sobre liberdade de expressão e desinformação eleitoral não se limita às ações promovidas pela campanha do PL.
Em 08/10/2026, o TSE determinou, por unanimidade, a retirada de três publicações feitas pelo próprio Flávio Bolsonaro no X. Uma delas utilizava inteligência artificial para representar Lula em situação inexistente; outras duas associavam o presidente a organizações criminosas. A ação havia sido proposta pela Federação Brasil da Esperança.
Em 13/10, o tribunal confirmou decisões que determinaram remoções tanto de publicações contra Lula quanto de conteúdos contra Flávio Bolsonaro que vinculavam os candidatos a organizações criminosas.
O conjunto desses processos evidencia uma crescente judicialização da comunicação eleitoral. O próprio presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, informou que o volume de processos eleitorais havia aumentado mais de 200% em comparação com a eleição presidencial de 2022.
Esse contexto exige separar dois fenômenos jurídicos distintos: a censura prévia à manifestação legítima e a atuação judicial destinada a conter conteúdos considerados comprovadamente falsos ou ilícitos. O limite entre essas situações está sendo disputado caso a caso perante a Justiça Eleitoral.
Constituição protege liberdade de comunicação e veda censura
A Constituição Federal de 1988 estabelece proteção expressa à liberdade de comunicação.
O artigo 5º garante a livre manifestação do pensamento, o direito de resposta, a liberdade da atividade intelectual e de comunicação e o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional. Ao mesmo tempo, protege honra, intimidade e imagem, criando mecanismos de responsabilização quando outros direitos fundamentais são violados.
Já o artigo 220 estabelece que manifestação do pensamento, criação, expressão e informação não sofrerão restrições incompatíveis com a Constituição e determina que nenhuma lei pode criar embaraços à plena liberdade da informação jornalística. O mesmo dispositivo proíbe censura de natureza política, ideológica ou artística.
Portanto, a ordem constitucional brasileira combina ampla liberdade de expressão e imprensa com responsabilidades posteriores e proteção a outros direitos fundamentais. Essa arquitetura jurídica é central para analisar tanto ataques e intimidações contra jornalistas quanto pedidos judiciais de remoção de conteúdos em campanhas eleitorais.
Entidades nacionais e internacionais divulgaram alerta separado
Na própria quarta-feira (14/10/2026), outra mobilização — distinta do editorial dos 55 veículos — reuniu organizações ligadas ao jornalismo e à defesa dos direitos humanos.
A manifestação divulgada pela Fenaj foi assinada por Artigo 19, Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), Fenaj, Instituto Vladimir Herzog, Instituto Tornavoz, Repórteres Sem Fronteiras e sindicatos de jornalistas de São Paulo, Distrito Federal e Rio de Janeiro.
O grupo relacionou o segundo turno às políticas públicas de proteção aos jornalistas e às condições institucionais para o exercício da profissão. A nota também mencionou as ameaças digitais, a sustentabilidade dos veículos independentes e o risco de utilização de processos judiciais ou estruturas estatais para produzir intimidação.
Embora o posicionamento dessas organizações também seja uma manifestação política e institucional, sua publicação simultânea ao editorial mostra que a liberdade de imprensa tornou-se um dos temas específicos do segundo turno presidencial de 2026.
Fatos confirmados, avaliações e questões ainda abertas
Está documentalmente confirmado que 55 veículos publicaram o editorial, que Fenaj e Abraji registraram elevados números de violência contra jornalistas durante o governo Jair Bolsonaro, que o monitoramento da CDJor encontrou mais de 14 mil ataques digitais durante a campanha de 2026 e que Flávio Bolsonaro declarou pretender promover alterações constitucionais. Também estão documentadas sua promessa de preservar a liberdade de imprensa e as medidas judiciais promovidas por sua candidatura.
É igualmente fato jurídico a condenação de Jair Bolsonaro na AP 2668 e a atual execução da pena em regime domiciliar humanitário.
Já a conclusão de que um eventual governo Flávio Bolsonaro necessariamente repetiria ou aprofundaria ataques institucionais contra a imprensa constitui uma avaliação política dos signatários do editorial, não um acontecimento já demonstrado. A manifestação contrária do candidato — de que garantirá o direito de crítica — integra o contraditório e precisa permanecer registrada.
Também permanecem abertas questões concretas: quais mudanças constitucionais seriam efetivamente apresentadas; como eventual anistia ou indulto a Jair Bolsonaro seria estruturado; qual será a decisão do TSE sobre as 221 publicações e 32 perfis questionados; e quais critérios a Justiça Eleitoral consolidará para diferenciar desinformação ilícita de crítica política protegida pela Constituição.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 2019–2022 — Governo Jair Bolsonaro: a Fenaj registra 1.442 casos de violência contra jornalistas e ataques à imprensa; posteriormente, entidades do setor relacionariam esse período a um processo de intensificação da hostilidade contra profissionais e veículos.
- 2022 — Monitoramento da Abraji: a associação registra 557 alertas de violações à liberdade de imprensa; 41,6% envolvem ao menos um integrante da família Bolsonaro.
- 11/09/2025 — Condenação de Jair Bolsonaro: o STF fixa pena de 27 anos e três meses na AP 2668 por cinco crimes ligados à tentativa de ruptura institucional.
- 13/01/2026 — Situação processual: o STF rejeita novo recurso e informa que a condenação do ex-presidente já havia transitado em julgado.
- 24/03/2026 — Prisão domiciliar: Alexandre de Moraes concede prisão domiciliar humanitária temporária; a medida seria posteriormente mantida.
- 16/08 a 04/10/2026 — Campanha eleitoral: a CDJor identifica 14.182 ataques digitais contra jornalistas e veículos no X e Instagram; na reta final, a média diária cresce aproximadamente 74%.
- 04/10/2026 — Primeiro turno: Flávio Bolsonaro obtém 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%; ambos avançam para o segundo turno. Flávio declara que pretende garantir liberdade de imprensa caso eleito.
- 06/10/2026 — Constituição: em Goiânia, Flávio afirma que pretende usar a nova correlação de forças no Congresso para promover alterações constitucionais e “redemocratizar” o país.
- 07/10/2026 — Esclarecimento: o candidato afirma que se referia a PECs sobre reforma do Judiciário, redução da maioridade penal, reforma política, tributação e fim da reeleição, entre outros pontos.
- 08/10/2026 — TSE: Corte determina retirada de três publicações feitas por Flávio Bolsonaro, incluindo conteúdo produzido com inteligência artificial envolvendo Lula.
- Outubro de 2026 — Ação da campanha: a candidatura de Flávio pede remoção de 221 publicações e suspensão de 32 perfis; o relator solicita individualização das condutas antes de examinar os pedidos.
- 14/10/2026 — Editorial coletivo: 55 veículos independentes divulgam manifestação em defesa da democracia e da liberdade de imprensa, com críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro. No mesmo dia, entidades nacionais e internacionais do jornalismo divulgam nota separada sobre o segundo turno.
- 15/10/2026 — Situação atual: o pedido envolvendo as 221 publicações continuava aguardando detalhamento no TSE; o segundo turno presidencial permanece marcado para 25/10/2026.
A principal relevância do episódio está em transformar a liberdade de imprensa de princípio constitucional abstrato em questão concreta da campanha presidencial. O editorial utiliza dados históricos verificáveis para fundamentar uma avaliação política sobre os riscos que seus signatários enxergam na candidatura de Flávio Bolsonaro. O rigor jornalístico exige preservar essa diferença: números de ataques, decisões judiciais e declarações são fatos verificáveis; a projeção de como determinado candidato governará permanece uma interpretação sujeita ao contraditório.
Também existe uma tensão institucional que ultrapassa a disputa entre Lula e Flávio. O TSE é chamado simultaneamente a proteger a liberdade de manifestação e a impedir que conteúdos comprovadamente falsos contaminem o processo eleitoral. As recentes decisões contra publicações prejudiciais aos dois candidatos mostram que esse conflito não é exclusivo de uma corrente política. O ponto que continuará exigindo fiscalização é a proporcionalidade das medidas, especialmente quando pedidos deixam de atingir publicações específicas e passam a buscar suspensão integral de perfis.
O cenário de 2026 contém ainda elementos aparentemente contraditórios. O Brasil melhorou substancialmente sua posição no ranking da RSF, mas a campanha registrou milhares de agressões digitais contra profissionais e veículos. Essa combinação indica que relações institucionais mais estáveis entre governo e imprensa não eliminam problemas estruturais ligados à polarização, às plataformas digitais, ao assédio online, à sustentabilidade econômica da mídia e à judicialização da circulação de informações.
O núcleo factual permanece definido: 55 veículos independentes assumiram posição pública em defesa da democracia e da liberdade de imprensa e manifestaram preocupação com a candidatura de Flávio Bolsonaro; o candidato rejeita a perspectiva de restrição à imprensa e promete garantir o direito de crítica. Até o segundo turno de 25 de outubro, caberá ao TSE decidir processos que afetam a comunicação eleitoral, aos candidatos esclarecerem suas propostas institucionais e aos veículos de imprensa continuar distinguindo fatos comprovados, versões políticas e projeções sobre um eventual futuro governo.








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