O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou na quinta-feira (15/10/2026), em entrevista ao vivo à jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo, no Rio de Janeiro, ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, defendeu a investigação de suspeitas relacionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto do caso Banco Master, criticou a participação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em evento patrocinado pelo então banqueiro Daniel Vorcaro e assumiu responsabilidade pelas dificuldades políticas e pela incompreensão de parte do eleitorado em relação ao governo. A entrevista ocorreu dez dias antes do segundo turno presidencial, no qual Lula enfrenta Flávio Bolsonaro (PL) após ter terminado a primeira votação em segundo lugar.
Lula assume responsabilidade pelo desempenho do governo e pelo resultado eleitoral
Um dos movimentos políticos mais significativos da entrevista foi a tentativa de Lula de assumir pessoalmente a responsabilidade pelas dificuldades do governo e pelo desempenho abaixo do esperado no primeiro turno.
Ao ser questionado sobre rejeição e comunicação governamental, o presidente afirmou que não poderia transferir a responsabilidade para auxiliares caso a população não compreendesse as realizações de sua administração.
“Eu tenho que jogar a culpa em mim.”
Lula sustentou que os dois primeiros anos de seu terceiro mandato foram dedicados à reconstrução de políticas e estruturas que, segundo sua avaliação, haviam sido desmontadas na administração de Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, reconheceu que não conseguiu comunicar adequadamente à população parte das ações realizadas.
A autocrítica ocorre em ambiente eleitoral particularmente competitivo. No primeiro turno de 04/10/2026, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Na totalização divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral quando 99,99% das urnas estavam apuradas, eram 56.104.268 votos para Flávio e 53.876.617 para Lula.
A disputa permaneceu apertada na semana da entrevista. Pesquisa Datafolha divulgada em 15/10/2026 registrou 51% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula, situação caracterizada como empate técnico diante da margem de erro de dois pontos percentuais. Nos votos totais, o resultado era de 47% a 45%, respectivamente.
Segurança pública leva Lula a mudar posição sobre maioridade penal
A declaração de maior impacto programático ocorreu durante a discussão sobre a PEC 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública.
Lula declarou apoio à responsabilização penal a partir dos 16 anos para autores de crimes hediondos, posição distinta daquela historicamente associada ao PT e às manifestações anteriores do próprio campo político do presidente sobre o tema.
A Constituição estabelece atualmente, em seu artigo 228, a inimputabilidade penal dos menores de 18 anos. Adolescentes que praticam atos infracionais ficam submetidos ao regime específico previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
O assunto entrou diretamente na tramitação da PEC da Segurança. Horas antes da entrevista, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou a proposta da pauta para evitar, segundo afirmou, uma discussão “açodada” e permitir negociação sobre as emendas.
Camilo Santana propôs redução para 16 anos nos crimes hediondos
Uma das emendas responsáveis pelo impasse foi apresentada pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE).
A Emenda 87 preserva em 18 anos a regra geral de responsabilidade penal, mas propõe reduzi-la para 16 anos nos crimes hediondos. Outra emenda, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), é mais ampla: estabelece 16 anos como regra geral e 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.
Nesse contexto, Lula declarou considerar legítima a discussão específica após a análise da PEC e afirmou que a sociedade exige punição nos casos de maior gravidade.
A mudança amplia a dimensão política do debate. Uma eventual redução da maioridade penal depende de alteração constitucional, exige quórum qualificado no Congresso e deverá enfrentar discussão jurídica sobre os limites materiais de reforma da Constituição.
Lula rejeita enquadramento geral de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Ao tratar do crime organizado, Lula também rejeitou classificar genericamente facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, posição discutida também nas relações com os Estados Unidos.
O presidente defendeu, em vez disso, cooperação internacional contra organizações criminosas e maior integração federal na política de segurança pública. Também reiterou apoio à PEC da Segurança, à criação de estrutura ministerial específica para a área e à ampliação da capacidade penitenciária federal.
O eixo institucional da PEC consiste justamente em ampliar mecanismos de coordenação entre União, estados e demais órgãos do sistema de segurança, sem retirar as competências constitucionais dos governos estaduais.
A matéria já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, mas retornará àquela Casa caso o Senado aprove alterações no texto. O impasse sobre a maioridade penal tornou-se, portanto, simultaneamente um debate sobre política criminal e uma questão de estratégia legislativa na reta final das eleições.
Caso Banco Master leva Lula a defender investigação de suspeitas envolvendo o STF
A entrevista ganhou uma dimensão institucional especialmente sensível quando passou ao Banco Master, a Daniel Vorcaro e às referências a autoridades presentes nos materiais reunidos durante as investigações.
Lula afirmou que integrantes da Suprema Corte não podem estar isentos de prestar esclarecimentos à sociedade quando surgem suspeitas e disse ter conversado três vezes com o presidente do STF, Edson Fachin, defendendo a apuração dos fatos.
Segundo o presidente, as investigações deveriam alcançar qualquer autoridade sobre a qual existam elementos que justifiquem apuração, respeitados os procedimentos legais.
A afirmação exige uma distinção essencial: menções, suspeitas ou indícios investigados não equivalem a comprovação de ilícito, denúncia criminal aceita ou condenação.
Essa separação é particularmente importante porque o próprio Supremo registra que ainda não examinou o mérito da Petição 16.662, originada de relatório da Polícia Federal baseado em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e relacionado a supostos diálogos que teriam ligação com o ministro Alexandre de Moraes.
STF ainda não julgou o mérito das petições relacionadas ao caso
Em 15/09/2026, o Plenário do Supremo começou a discutir uma questão de ordem sobre a tramitação conjunta das Petições 16.662 e 16.704.
O ministro Gilmar Mendes propôs, entre outras providências, a reunião dos processos e a certificação dos magistrados mencionados sobre os quais recaíssem indícios de recebimento de valores indevidos, com posterior manifestação da Procuradoria-Geral da República e dos próprios magistrados.
Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes acompanharam essa linha. Fachin e André Mendonça divergiram. Luiz Fux e Cármen Lúcia anteciparam votos acompanhando Fachin. Nunes Marques declarou-se impedido e Dias Toffoli, suspeito. O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Flávio Dino.
Portanto, não houve naquela sessão uma conclusão do STF sobre responsabilidade de qualquer ministro no caso. O que existe é uma disputa processual sobre como as informações produzidas pelas investigações devem ser tratadas e sobre quais procedimentos devem anteceder eventual apuração relacionada a integrantes da Corte.
Encontro de Lula com Daniel Vorcaro também entrou na entrevista
A relação institucional entre o governo federal e Daniel Vorcaro foi outro ponto explorado.
Lula confirmou ter conversado com o então controlador do Banco Master em dezembro de 2024, depois de uma articulação envolvendo o ex-ministro Guido Mantega. Segundo o relato do presidente, Vorcaro reclamou de perseguição política.
Lula afirmou ter respondido ao empresário:
“Você não vai ser perseguido, você vai ser investigado.”
O encontro ocorreu em um período no qual problemas relacionados ao Master já recebiam atenção de órgãos públicos e do mercado financeiro. Posteriormente, a crise evoluiu para a liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado pelo Banco Central e para sucessivas fases da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
As investigações passaram a examinar operações financeiras, suspeitas de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, relações com agentes públicos, eventuais vazamentos e outras linhas de apuração. A multiplicidade de procedimentos exige cautela: diferentes pessoas aparecem em contextos distintos, e menções em documentos policiais não constituem automaticamente imputação criminal comprovada.
Lula critica diretor-geral da PF por participação em evento de Vorcaro em Londres
Outro episódio tratado diretamente foi a presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em um evento realizado em Londres, em abril de 2024, cujo principal patrocinador era o Banco Master.
Lula afirmou que chamou a atenção de Rodrigues e considerou insuficiente a justificativa apresentada pelo delegado.
“Ele não precisava ter ido. Aliás, ninguém precisava ter ido para aquela festa.”
Apesar da crítica, o presidente elogiou o trabalho desenvolvido pelo diretor-geral à frente da Polícia Federal e não confirmou se Rodrigues permaneceria no posto em um eventual quarto mandato.
O episódio acrescenta uma dimensão de governança ao caso Master. Além da existência ou inexistência de atos juridicamente ilícitos — questão que depende das investigações —, surge o debate sobre conflitos de interesse, aparência de independência institucional e padrões de conduta exigíveis de altas autoridades públicas.
Bolsa Família: Lula admite desconhecer ausência de reajuste
No campo social, Lula afirmou ter sido surpreendido ao descobrir que os valores do Bolsa Família estavam havia anos sem recomposição inflacionária e disse ter determinado a correção quando tomou conhecimento da situação.
A atualização foi oficialmente anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social em 17/09/2026.
O reajuste é de 15,04%. A partir da folha de outubro, o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777. Segundo o governo, a atualização corresponde ao INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 e é a primeira correção inflacionária desde a retomada do atual desenho do programa, em 2023.
Em setembro, antes da nova tabela, o Bolsa Família atendia 19,29 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 678,18.
A admissão presidencial de desconhecimento sobre a defasagem cria, entretanto, uma questão administrativa relevante: políticas sociais dessa magnitude envolvem Presidência, ministérios, área econômica e elaboração orçamentária, o que torna necessário esclarecer como a ausência de atualização permaneceu fora da agenda presidencial por período tão prolongado.
Contas públicas: checagem contradiz dado fiscal apresentado por Lula
Na economia, Lula disse estar preocupado com o crescimento da dívida pública, mas voltou a defender que o caminho para melhorar a relação entre dívida e Produto Interno Bruto passa fundamentalmente pela expansão econômica, em vez de cortes sobre políticas destinadas à população de baixa renda.
Durante a entrevista, também afirmou que o governo havia enviado ao Congresso um orçamento com superávit primário próximo de 0,1% do PIB e declarou ter recebido o país, em 2023, com déficit de 2,8% do PIB.
A primeira parte encontra respaldo na proposta orçamentária: o projeto para 2027 prevê resultado primário efetivo positivo de aproximadamente R$ 18,6 bilhões, equivalente a 0,13% do PIB.
A segunda afirmação, porém, é contrariada pelos números do Tesouro Nacional. Em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, o governo central registrou superávit primário de 0,5% do PIB, ou R$ 46,4 bilhões, e não déficit de 2,8%. Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, houve déficit de R$ 228,5 bilhões, equivalente a 2,1% do PIB. A equipe econômica sustenta que parte desse resultado decorreu de obrigações provenientes do período anterior, incluindo R$ 92,4 bilhões em precatórios pagos naquele ano.
Para 2026, a estimativa citada pela checagem é de déficit primário efetivo de R$ 52 bilhões, ou 0,4% do PIB; consideradas exclusões admitidas para a meta fiscal, o resultado utilizado para seu cumprimento passa a um superávit próximo de R$ 10,8 bilhões.
Governabilidade: discurso de Lula também exige ressalvas factuais
Lula recorreu ao seu terceiro mandato para argumentar que seria capaz de governar mesmo diante de um Congresso com forte presença da oposição.
Segundo ele, sua administração teria aprovado “99%” do que enviou ao Legislativo e contado com participação de todos os partidos, à exceção do PL.
A checagem do g1 classificou essa formulação como “não é bem assim”. O PT elegeu 69 deputados federais em 2022, e não 70 como disse Lula, embora a referência aos nove senadores petistas estivesse correta. Além disso, Novo e PSDB também não integraram formalmente o terceiro governo Lula.
O governo efetivamente conseguiu aprovar medidas de grande impacto, entre elas a reforma tributária promulgada em 20/12/2023, mas também sofreu derrotas legislativas. O próprio levantamento citado pela checagem registra que 17% dos vetos presidenciais apreciados pelo Congresso em 2025 foram rejeitados, o que impede interpretar literalmente a afirmação de aprovação de 99% das iniciativas governamentais.
A discussão ganha peso porque a composição parlamentar eleita em 2026 reforçou o PL e partidos de centro e direita. Qualquer vencedor do segundo turno precisará formar maiorias para aprovar leis ordinárias e, sobretudo, mudanças constitucionais.
Relação com os Estados Unidos permanece entre negociação e reciprocidade comercial
Lula também tratou da relação com o governo do presidente norte-americano Donald Trump e das disputas comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O presidente afirmou preferir a continuidade das negociações, mas admitiu utilizar mecanismos de reciprocidade caso não seja possível chegar a um entendimento. Disse ainda acreditar que um acordo é possível e mencionou conversas mantidas com Trump.
A declaração procura combinar sinalização diplomática e capacidade de reação econômica. Para o próximo governo, entretanto, o problema central continuará sendo transformar eventuais negociações políticas em acordos comerciais verificáveis, especialmente para setores brasileiros expostos às barreiras norte-americanas.
Entrevista ocorre em eleição praticamente empatada
A amplitude dos temas abordados — segurança, Judiciário, Banco Master, programas sociais, responsabilidade fiscal e política externa — revela uma tentativa de Lula de reposicionar a campanha na fase decisiva.
O Datafolha mostrou em 15/10/2026 que a diferença entre os dois candidatos caiu em relação ao levantamento anterior. Os 51% a 49% dos votos válidos configuram empate técnico e deixam aberta a possibilidade de movimentação até a votação.
A pesquisa foi realizada com 2.520 eleitores e registrada no TSE sob o número BR-00466/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Flávio Bolsonaro será entrevistado pela Globo nesta sexta-feira (16/10/2026). O debate da emissora entre os dois candidatos está previsto para 23/10/2026, e o segundo turno será realizado no domingo, 25/10/2026.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Abril de 2024 — Andrei Rodrigues participa, em Londres, de evento que teve o Banco Master como patrocinador. O episódio volta ao debate público em 2026 e Lula afirma ter considerado não convincente a explicação do diretor-geral da PF.
- Dezembro de 2024 — Lula recebe Daniel Vorcaro em encontro no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, o empresário reclamou de perseguição política e ouviu que seria investigado, e não perseguido.
- Novembro de 2025 — O Banco Central decreta a liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado Master; a Operação Compliance Zero passa a produzir sucessivos desdobramentos policiais e judiciais.
- 04/03/2026 — A Câmara dos Deputados conclui a votação da PEC 18/2025, da Segurança Pública, enviando a matéria ao Senado.
- 15/09/2026 — O STF começa a examinar a questão de ordem relacionada às Petições 16.662 e 16.704 do caso Master. Pedido de vista de Flávio Dino interrompe o julgamento antes da análise do mérito.
- 17/09/2026 — Governo anuncia reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro.
- 04/10/2026 — Primeiro turno presidencial coloca Flávio Bolsonaro em primeiro lugar, com 47,03%, e Lula em segundo, com 45,16%.
- 14/10/2026 — Comissão de Constituição e Justiça do Senado conclui a análise da PEC da Segurança Pública e encaminha a proposta ao Plenário.
- 15/10/2026 — Davi Alcolumbre retira a PEC da pauta diante do impasse sobre emendas, entre elas propostas de redução da maioridade penal. No mesmo dia, Lula concede entrevista à Globo e passa a defender responsabilização aos 16 anos nos crimes hediondos.
- 16/10/2026 — Flávio Bolsonaro tem entrevista prevista com Renata Lo Prete dentro da mesma série da TV Globo.
- 23/10/2026 — Globo prevê realizar debate entre os candidatos classificados para o segundo turno.
- 25/10/2026 — Eleitores brasileiros voltarão às urnas para decidir o segundo turno da eleição presidencial.
A entrevista marca uma inflexão política relevante de Lula na área de segurança pública. Apoiar a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos aproxima o presidente de uma demanda tradicionalmente defendida por segmentos de centro e direita e modifica uma referência histórica importante do campo político petista. A eventual mudança, contudo, não depende da vontade presidencial: exige alteração constitucional, amplo acordo no Congresso e enfrentará debate jurídico sobre seus limites e efeitos sobre o sistema socioeducativo.
No caso Banco Master, a cobrança presidencial por investigação aumenta a pressão pública por transparência, mas torna ainda mais necessária a separação entre menção, indício, investigação e responsabilidade comprovada. O registro oficial do STF é inequívoco até este momento: o mérito da Petição 16.662 não foi julgado. Para a credibilidade das instituições, a resposta adequada depende da preservação da cadeia de custódia das provas, atuação independente da PF e da PGR, respeito ao contraditório e decisões fundamentadas do Supremo — não de conclusões antecipadas no debate eleitoral.
A entrevista também expôs a diferença entre autocrítica política e precisão factual. Lula assumiu responsabilidade por problemas de comunicação e reconheceu desconhecer a defasagem do Bolsa Família, mas apresentou números sobre déficit fiscal e governabilidade que não resistem integralmente à verificação documental. Em uma eleição apertada, declarações econômicas e institucionais precisam ser confrontadas com séries oficiais, orçamento, dados do Tesouro e registros do Congresso, independentemente do candidato que as apresente.
O núcleo factual é, portanto, uma mudança de posição presidencial em segurança pública, combinada a uma defesa explícita de apuração das suspeitas relacionadas ao caso Master e a uma tentativa de assumir responsabilidade política pelo desempenho do governo. Os próximos passos dependerão do Senado e da Câmara, na PEC da Segurança e no debate sobre maioridade penal; do STF, da PGR e da Polícia Federal, nas investigações do caso Master; do governo e do Congresso, nas políticas fiscais e sociais; e, finalmente, dos eleitores, que definirão em 25/10/2026 se Lula permanecerá no Planalto ou se Flávio Bolsonaro assumirá a Presidência.








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