Feira de Santana reduz abstenção a 12,97% no 2º turno e registra participação acima da Bahia e do Brasil; fato evidencia eficiência do transporte público nas Eleições 2026

Na quarta-feira (28/10/2026), a consolidação dos resultados do segundo turno das Eleições Gerais de 2026 oferece elementos objetivos para reavaliar a controvérsia surgida em Feira de Santana em torno da oferta de transporte público gratuito aos eleitores. Dos 435.652 eleitores aptos, 379.156 compareceram às urnas, correspondentes a 87,03% do eleitorado. As ausências ficaram em 56.496, ou apenas 12,97%.

O percentual é significativamente inferior aos 16,71% de abstenção registrados na Bahia e aos aproximadamente 19,22% observados nacionalmente no segundo turno. Em outras palavras, a participação eleitoral em Feira ficou 3,74 pontos percentuais acima da média baiana em comparecimento e 6,25 pontos acima da média nacional.

O dado ganha dimensão adicional quando comparado às unidades da Federação: o Ceará registrou a menor abstenção estadual do Brasil, com 13,89%, percentual ainda 0,92 ponto superior aos 12,97% de Feira de Santana. Portanto, a taxa municipal de Feira ficou abaixo da média de abstenção de todas as 27 unidades da Federação.

O segundo turno, realizado em domingo (25/10), confirmou ainda a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para o mandato presidencial de 2027 a 2030, o quarto exercido pelo presidente ao longo de sua trajetória política.

Feira lidera participação entre os cinco maiores colégios eleitorais da Bahia

A comparação entre os cinco maiores colégios eleitorais baianos mostra posição destacada de Feira de Santana. Quando esses municípios são ordenados pela menor taxa de abstenção no segundo turno, Feira ocupa a primeira posição:

Posição Município Abstenção no 2º turno
1º Feira de Santana 12,97%
2º Juazeiro 14,36%
3º Vitória da Conquista 14,64%
4º Salvador 15,77%
5º Camaçari 15,90%

Os números são derivados dos resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral. Feira possui o segundo maior eleitorado da Bahia, atrás apenas de Salvador, o que torna particularmente relevante a obtenção de uma taxa de ausência inferior à verificada em cidades menores entre os principais colégios eleitorais estaduais.

O resultado também permite uma comparação importante: Feira teve abstenção 2,80 pontos percentuais menor que Salvador, apesar de ambas as cidades estarem submetidas às mesmas regras nacionais de gratuidade e frequência do transporte no dia da eleição.

Abstenção cai 4,24 pontos e quase 18,5 mil ausentes voltam às urnas

A evolução entre os dois turnos é ainda mais expressiva.

No primeiro turno, Feira de Santana contabilizou 74.984 eleitores ausentes, correspondentes a 17,21%. No segundo, o total caiu para 56.496, equivalente a 12,97%.

A redução foi de 18.488 eleitores ausentes, queda de aproximadamente 24,7% no número absoluto de faltosos e de 4,24 pontos percentuais na taxa de abstenção.

Simultaneamente, o comparecimento passou de 360.647 para 379.156 pessoas, acréscimo de aproximadamente 18,5 mil participantes.

Os dados são particularmente relevantes porque a Bahia já apresentou uma das maiores reduções de abstenção entre os estados brasileiros: a taxa estadual caiu de aproximadamente 19,97% para 16,71%. Em Feira, porém, a redução proporcional foi ainda maior.

Segundo turno teve Tarifa Zero e frota equivalente à de dias úteis

A elevada participação ocorreu durante uma operação de transporte organizada para cumprir as normas editadas pela Justiça Eleitoral.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia informou previamente que, no segundo turno, o poder público deveria garantir transporte coletivo urbano, municipal, intermunicipal e metropolitano gratuito, com frequência equivalente à existente nos dias úteis, nos termos das Resoluções TSE nº 23.751/2026 e 23.759/2026.

Em Feira de Santana, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana informou antes da eleição que adotaria exatamente esse parâmetro. O planejamento incluiu Tarifa Zero, frequência de dia útil, fiscalização presencial das concessionárias, manutenção do canal 156, consolidação dos itinerários e cooperação com a Justiça Eleitoral.

No próprio domingo da votação, a Prefeitura informou que havia 149 ônibus em circulação no Sistema Integrado de Transporte, sendo 73 da concessionária Rosa e 76 da São João, além de 16 veículos de reserva posicionados nos terminais.

Para atender a zona rural, outros 84 ônibus da frota escolar foram disponibilizados ao Tribunal Regional Eleitoral para transporte nos distritos de Humildes, Jaíba, Matinha, Maria Quitéria, Tiquaruçu, Ipuaçu, Jaguara e Bonfim de Feira.

35.444 passageiros e 2.387 viagens

No balanço divulgado após a eleição, a Semob informou que o Sistema Integrado de Transporte operou com 100% da frota correspondente aos dias úteis, mantendo gratuidade durante todo o período eleitoral.

Segundo os dados encaminhados pela administração municipal ao TSE, foram realizadas:

  • 2.387 viagens;
  • 35.444 passageiros transportados gratuitamente;
  • 100% da frota de dia útil em operação;
  • Tarifa Zero durante o domingo eleitoral.

O número de passageiros não deve ser confundido diretamente com número de eleitores únicos, porque um mesmo usuário pode realizar mais de um embarque e o transporte coletivo também atende pessoas que não estavam necessariamente se deslocando para votar. Ainda assim, o movimento demonstra utilização expressiva da estrutura disponibilizada.

Fiscalização judicial nas garagens

Outro elemento relevante para a análise é a fiscalização realizada durante a operação.

De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, a juíza titular da 155ª Zona Eleitoral de Feira de Santana realizou vistoria presencial nas garagens das concessionárias. Segundo o balanço da Prefeitura, a inspeção constatou circulação normal dos veículos, cumprimento das determinações eleitorais e ausência de irregularidades ou condutas ilícitas.

Os relatórios operacionais foram posteriormente encaminhados ao Tribunal Eleitoral.

Há, entretanto, uma ressalva jornalística necessária: até esta quarta-feira (28), não foi localizada publicação própria do TRE-BA ou da Defensoria Pública da União reproduzindo oficialmente essas conclusões da vistoria. Por essa razão, a constatação deve ser atribuída à Semob enquanto não houver manifestação independente da Justiça Eleitoral sobre o relatório final.

Controvérsia começou no primeiro turno

O resultado do segundo turno não elimina os problemas relatados no primeiro.

Após a votação de 4 de outubro, a Defensoria Pública da União (DPU) apurou reclamações relacionadas ao transporte gratuito, especialmente em áreas rurais. A instituição informou ter encontrado, nos registros operacionais fornecidos pelo próprio Município, linhas com intervalos de três a quatro horas durante o período de votação.

A DPU destacou igualmente aumento da abstenção em determinadas localidades rurais entre 2022 e o primeiro turno de 2026. Na Escola Municipal Antônio Brandão de Souza, em Humildes, por exemplo, o índice passou de 16,1% para 22,5%. Na Escola Municipal José Tavares Carneiro, em Maria Quitéria, passou de 16,8% para 21,8%.

A própria Defensoria, contudo, registrou uma ressalva fundamental: os dados de abstenção, isoladamente, não demonstravam que eventuais falhas no transporte fossem responsáveis pelas ausências.

Depois da recomendação da DPU, a Prefeitura informou ter reforçado a operação para o segundo turno, adotando frequência equivalente à de dias úteis, utilização da frota escolar, fiscalização das concessionárias e instrumentos adicionais de acompanhamento.

Relatos de passageiros também foram diferentes no segundo turno

Durante a votação de 25 de outubro, reportagem do Acorda Cidade ouviu usuários no transbordo do Centro de Abastecimento e encontrou situações distintas.

Houve passageiros relatando espera superior a uma hora, enquanto outros disseram que a circulação estava mais rápida do que no primeiro turno.

Esse registro impede uma conclusão simplista de que nenhum passageiro enfrentou dificuldades. Ao mesmo tempo, os resultados consolidados da eleição mostram que eventuais problemas localizados não impediram Feira de Santana de alcançar um dos mais elevados níveis de participação eleitoral entre os grandes centros urbanos baianos.

O que os números permitem concluir

A taxa de abstenção não mede diretamente qualidade do transporte público. O TSE registra quem compareceu e quem não compareceu, mas não registra a razão individual de cada ausência. Entre os motivos possíveis estão viagem, doença, dificuldades de transporte, desinteresse, questões profissionais ou outras circunstâncias pessoais.

Por isso, seria metodologicamente inadequado afirmar que os ônibus, sozinhos, produziram os 87,03% de comparecimento.

Mas a combinação dos fatos produz uma conclusão mais consistente.

No segundo turno:

a Prefeitura ampliou a operação; assegurou gratuidade; declarou ter colocado em circulação a frota equivalente à de dias úteis; destinou veículos adicionais à zona rural; realizou 2.387 viagens; transportou 35.444 passageiros gratuitamente; submeteu as concessionárias à fiscalização; e, simultaneamente, Feira de Santana reduziu a abstenção para 12,97%, percentual inferior às médias da Bahia, do Brasil e de todas as unidades da Federação.

Esse conjunto de indicadores é incompatível com uma interpretação segundo a qual teria ocorrido, de forma generalizada no município, impossibilidade de acesso às urnas causada pela ausência de transporte público.

Cooperação institucional acompanha diferentes administrações de José Ronaldo

José Ronaldo de Carvalho exerce atualmente seu quinto mandato como prefeito de Feira de Santana. Ele foi eleito para administrar o município em 2000, 2004, 2012, 2016 e 2024.

A pesquisa documental identifica, ao longo de diferentes períodos de suas administrações, uma sequência de cooperações entre o Município e instituições de Estado.

Em 2014, Prefeitura e Tribunal de Justiça da Bahia implantaram uma Central de Conciliação Tributária, por meio de convênio, buscando resolver judicialmente milhares de processos relacionados a débitos municipais.

Em 2015, durante a implantação da nova sede do Ministério Público do Trabalho em Feira de Santana, o então procurador-chefe do MPT na Bahia, Alberto Balazeiro, registrou publicamente que a Prefeitura havia se mostrado diligente e sensível às demandas da instituição durante procedimentos de orientação, licenciamento e infraestrutura relacionados ao empreendimento.

Em 2017, José Ronaldo assinou com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia o Termo de Cooperação Técnica nº 01/2017, pelo qual o Município disponibilizou servidores e estagiários para auxiliar a Justiça Eleitoral na revisão extraordinária e incorporação de dados biométricos dos eleitores de Feira de Santana. O convênio consta em documentação oficial da Justiça Eleitoral e do Diário Oficial da União.

No mesmo ano, a Prefeitura participou da articulação promovida pelo Ministério Público da Bahia para a Micareta de Feira, envolvendo segurança, proteção de crianças e adolescentes, saúde, consumidor e fiscalização do evento.

No atual mandato, iniciado em janeiro de 2025, o Tribunal de Justiça da Bahia registrou nova articulação com José Ronaldo para realização de mutirões de conciliação nas áreas de Família, Fazenda Pública, consumidor e saúde.

Em maio de 2026, essa relação institucional voltou a aparecer no 1º Mutirão Pop Rua Jud, iniciativa do TJBA realizada em Feira de Santana com participação de 24 órgãos e entidades. Na ocasião, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Rotondano, destacou publicamente o apoio oferecido por José Ronaldo a projetos promovidos pelo Judiciário.

Resultado oferece parâmetro objetivo para o debate

A controvérsia sobre o transporte eleitoral em Feira de Santana deve, portanto, ser dividida em dois momentos distintos.

No primeiro turno, existiram reclamações documentadas e a DPU encontrou elementos suficientes para recomendar mudanças, particularmente na zona rural.

No segundo turno, a estrutura foi ampliada e a participação eleitoral cresceu substancialmente.

Os 12,97% de abstenção constituem o dado mais objetivo dessa segunda etapa: Feira de Santana registrou presença de 87 em cada 100 eleitores, superou os índices médios de participação da Bahia e do Brasil e apresentou a menor abstenção entre os cinco maiores colégios eleitorais baianos.

Os números não autorizam atribuir todo o resultado ao transporte público. Mas, combinados à gratuidade, ao reforço operacional e à fiscalização, fornecem evidências consistentes de que o sistema municipal oferecido no segundo turno não representou obstáculo generalizado ao exercício do voto e contribuiu para criar condições de mobilidade compatíveis com o elevado comparecimento observado nas urnas.


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