
A avaliação do estado nutricional é peça chave na identificação de problemas e/ou inadequações do estado nutricional em qualquer fase da vida, em especial em pacientes com câncer, uma vez que influi, direta ou indiretamente, no prognóstico de saúde do indivíduo. A avaliação do peso corporal é necessária para determinar e monitorar o estado proteico-energético do indivíduo, o que pode ser utilizado como marcador indireto da massa proteica e reservas de energia.
Dados relatados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) destacam que o sobrepeso e a obesidade aumentam o risco de vários problemas médicos como dislipidemias, hipertensão, derrame, diabetes tipo 2, doença cardíaca coronariana, mas esta relação com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, ainda é algo novo. A obesidade é considerada o segundo maior fator de risco evitável para o câncer, perdendo apenas para o tabagismo, e a mortalidade da doença é maior entre essa população. Segundo o INCA, o câncer e a obesidade são as duas principais epidemias globais da atualidade, e quando estes se encontram num mesmo indivíduo, os efeitos são nocivos.
Desta maneira é de extrema relevância a busca pela identificação dos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer, visto que muitos tem origem a partir de fatores extrínsecos. Dentre os principais tipos de cânceres relacionados a obesidade, poderia se incluir, principalmente, o câncer de mama, de endométrio, de próstata, de cólon e reto.
A nutricionista e pesquisadora, Gabriella Behrmann, realizou um estudo acerca da associação entre o câncer e excesso de peso e encontrou resultados relevantes: “A proposta mais simples direcionada à análise da composição corporal com a participação de medidas antropométricas é a construção de índices que envolvem medidas equivalentes ao peso corporal e à estatura, que atualmente é o Índice de Massa Corporal, conhecido mais comumente como IMC, pois apresenta forte associação à incidência e aos fatores de risco para inúmeros agravantes à saúde, e uma delas é câncer”.
Neste estudo, foram coletados prontuários de 45 indivíduos para análise, com média de idade igual a 39 anos, onde foi encontrado um IMC médio 29,6 kg/m², e uma prevalência de sobrepeso e obesidade na população igual a 77,8%.
Segundo a autora principal do trabalho, Gabriella Behrmann, realizado em conjunto com as nutricionistas Mayara Cordeiro e Àurea Dias, docentes da Faculdade Anísio Teixeira (FAT) em Feira de Sanatana/BA, cujo trabalho foi apresentado no V Congresso Norte e Nordeste de Nutrição Clínica e Esportiva (CONNAE) na cidade de Natal/RN, “As vantagens de utilização do IMC para avaliação do estado nutricional, justifica-se por ser de fácil execução, baixo custo e não invasivo; facilidade de obtenção e padronização de medidas de massa corporal e estatura; alta correlação com a massa corporal e os indicadores de composição corporal; possibilita que os diagnósticos individuais sejam agrupados e analisados, fornecendo um diagnóstico coletivo, possibilitando conhecer o perfil nutricional de uma população estudada”.
A nutricionista, Gabriella Behrmann, pós-graduanda em nutrição em oncologia, ainda acrescenta que “A obesidade pode aumentar o risco de vários tipos de cânceres por diversos mecanismos, incluindo aumento dos hormônios sexuais, metabólicos e de inflamação e o grau de conhecimento destes fatores e sua relação com o câncer, quer pela população, quer pelos profissionais da área de saúde, pode ser fator determinante na prevenção e controle desta doença. Para tanto é preciso investir em pesquisas que abordem temas relacionando o câncer e a obesidade, a medida que este conhecimento se amplia, podemos definir ações simples de prevenção e promoção da saúde para minimizar o avanço da obesidade e consequentemente suas complicações.”
Mais estudos são necessários para explicar as exposições responsáveis por essas tendências emergentes, incluindo o excesso de peso corporal associada a outros fatores de risco. Mas análises como esta abrem o caminho para estudos, de como combater esses problemas.
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