11 entidades da sociedade civil de Feira de Santana ficam silentes ante os violentos discursos do vereador Fernando Torres e pedem diálogo entre Câmara Municipal e Prefeitura

Em ‘Carta aberta à sociedade de Feira de Santana’, 11 entidades apresentam um vazio de valores éticos.
Em ‘Carta aberta à sociedade de Feira de Santana’, 11 entidades apresentam um vazio de valores éticos.

“A causa universal é uma torrente; tudo ela carrega. Quão vulgares esses estadistas anãos, que supõem praticar a Filosofia! […] Quem lhes mudará um dos princípios? Sem mudança de princípios, que mais haverá, senão servidão de gemebundos a fingir que obedecem?”, citação do imperador romano Marco Aurélio (121-180), na obra ‘Meditações’.

No dia 11 de fevereiro de 2022, 11 entidades da sociedade civil de Feira de Santana divulgaram um manifesto, intitulado ‘Carta aberta à sociedade de Feira de Santana’, nas redes sociais. O documento pede diálogo entre a Câmara Municipal, presidida pelo vereador Fernando Torres (PSD), e o Executivo Municipal, liderado pelo prefeito Colbert Martins Filho (MDB). As entidades buscam uma solução para o impasse sobre a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2022 (LDO). No entanto, o manifesto recebeu críticas por sua falta de posicionamento em relação aos discursos considerados ofensivos e ameaçadores proferidos por Fernando Torres durante as sessões do legislativo municipal feirense.

O Contexto da Carta Aberta

O documento, assinado por entidades como a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Comercial e Empresarial de Feira de Santana (ACEFS), manifesta a preocupação com a falta de entendimento entre os poderes municipais e propõe o diálogo como meio de superar o impasse. A LDO, peça fundamental para o planejamento orçamentário do município, tem sido motivo de divergência entre o Legislativo e o Executivo, com a Câmara Municipal exigindo modificações que não foram aceitas pelo prefeito.

Críticas à Ausência de Condenação aos Discursos de Ódio

Embora o manifesto das entidades enfatize a necessidade de diálogo, ele tem sido criticado pela falta de uma condenação explícita aos discursos agressivos proferidos pelo presidente da Câmara, Fernando Torres. Durante as sessões legislativas, o vereador tem feito declarações consideradas violentas e ofensivas, gerando um clima de tensão e hostilidade. A ausência de reprovação por parte das entidades, que optaram por um tom neutro, sugere, para alguns, uma concordância implícita com as práticas de intimidação.

Silêncio das Entidades e Impacto na Sociedade

A ausência de uma posição clara contra os discursos violentos é vista por alguns setores da sociedade como um reflexo de um vazio ético nas lideranças representadas pelas entidades. A crítica é reforçada pela citação do filósofo Martin Heidegger (1889 –1976):

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Esse silêncio, de acordo com críticos, legitima as condutas agressivas e mina o processo democrático, ao não exigir comportamentos mais civilizados e respeitosos de seus representantes.

O Manifesto e a Questão dos Princípios Éticos

O texto divulgado pelas entidades, que possui 151 palavras distribuídas em sete parágrafos, é descrito por críticos como um “vazio de princípios”. A carta apresenta um apelo ao diálogo, alinhando-se ao discurso de líderes municipais, mas sem tratar das ofensas e intimidações relatadas durante as sessões da Câmara. O manifesto é considerado uma manifestação da “era do pensamento vulgar”, por não se posicionar firmemente contra as práticas consideradas inadequadas.

Conclusão: Diálogo ou Conformismo?

Enquanto o apelo ao diálogo entre os poderes municipais é válido, a ausência de uma condenação clara aos discursos violentos coloca em questão os princípios defendidos pelas entidades. O manifesto suscita debates sobre a responsabilidade das organizações da sociedade civil em promover valores éticos e democráticos e não apenas mediar conflitos sem se posicionar sobre condutas antidemocráticas.

Confira ‘Carta aberta à sociedade de Feira de Santana’

A falta de aprovação do Orçamento Municipal para o ano de 2022 traz impactos diretos na prestação de serviços a toda a população de Feira, não apenas na saúde, mas também em todos os setores estratégicos como infraestrutura, educação, entre outros.

Num dos momentos mais críticos da nossa história, quando enfrentamos a maior crise sanitária global com a pandemia da Covid-19, a cidade de Feira de Santana vive um impasse que já está impactando toda nossa comunidade.

Nós, representando o setor produtivo da cidade, precisamos de um ambiente político seguro para continuarmos a produzir e gerar emprego e renda.

Entendemos que os embates políticos são esperados e desejados numa democracia saudável, mas os impasses não podem se sobrepor ao bem-estar das pessoas e da coletividade. Por isso, conclamamos a todos os envolvidos para que cheguem num entendimento em prol da nossa comunidade.

Atenciosamente,

Entidades de Feira de Santana 

Leia +

Vereador Fernando Torres intima colega para brigar na rua e ameaça com tapas; Confira edição 2022 do Circo dos Horrores da Câmara Municipal de Feira de Santana


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.