No dia 20 de setembro de 2010, o Secretário de Comunicação de Salvador, André Curvelo, apresentou sua renúncia de forma irrevogável, agravando a crise na administração do prefeito João Henrique Carneiro. A decisão ocorre em meio à repercussão da multa aplicada pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) contra a gestão de João Henrique, acusada de autopromoção. Essa não foi a única sanção imposta à administração do prefeito, que enfrenta ainda críticas de diversos setores da sociedade.
A renúncia de Curvelo marca mais um episódio de turbulência em uma gestão que, segundo institutos de pesquisa, é considerada uma das piores do Brasil. A administração de João Henrique, marcada por denúncias de corrupção, incluindo o caso TRANSCON, e de irregularidades graves, como o assassinato de um funcionário da Secretaria de Saúde, vem sendo alvo de amplas investigações. O cenário de desgaste administrativo e político reflete na perda de apoio, tanto dentro de seu próprio partido quanto na base aliada.
João Henrique, filho do senador João Durval Carneiro, enfrenta dificuldades na construção de alianças políticas. Em 2004, foi eleito prefeito de Salvador derrotando César Borges, que à época era filiado ao Democratas. Posteriormente, o prefeito ingressou no PMDB, a convite de Geddel Vieira Lima, figura importante no cenário político baiano. No entanto, as alianças que sustentaram sua primeira eleição foram se dissolvendo ao longo de seu mandato, culminando em sua vitória apertada no segundo turno das eleições de 2008, quando superou os candidatos Antônio Imbassahy (PSDB) e Walter Pinheiro (PT), com o apoio decisivo de Geddel.
A recente decisão de João Henrique de apoiar a candidatura de César Borges ao Senado, em detrimento de Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PCdoB), os candidatos apoiados por seu pai, evidenciou a fragmentação de seu grupo político. Além disso, o prefeito instruiu os vereadores de sua base a seguirem a mesma orientação, o que aprofundou a crise interna no PMDB. O distanciamento de Geddel Vieira Lima e o enfraquecimento de suas alianças tornam cada vez mais difícil a sustentação política de João Henrique, que busca manter-se relevante em um cenário desfavorável.
Em meio às eleições de 2010, o prefeito tem concentrado esforços na campanha de sua esposa, Maria Luiza Carneiro, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia. A candidatura da primeira-dama tem gerado críticas entre observadores políticos, que apontam para o fato de que João Henrique tem priorizado um projeto político pessoal em detrimento dos interesses partidários e da cidade. A decisão de apoiar exclusivamente a campanha de Maria Luiza, excluindo outros candidatos, evidenciou o afastamento de João Henrique de seu partido e a falta de um compromisso com a consolidação de uma base política estável.
A gestão do prefeito de Salvador, ao longo dos anos, tem sido associada ao patrimonialismo e à falta de um projeto político claro. A avaliação negativa de sua administração, as denúncias de corrupção e a falta de apoio político colocam em xeque a viabilidade de seu projeto futuro, que seria uma eventual candidatura ao governo do estado. A crise atual, evidenciada pela renúncia de André Curvelo e pelo distanciamento de aliados, agrava ainda mais a situação do prefeito, que se vê isolado politicamente.










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