A perda auditiva por exposição direta a ruídos é a segunda maior causa de surdez no planeta. O dado é da Organização Mundial de Saúde (OMS) e representa um problema de saúde pública. Em um mundo em que as pessoas estão cada vez mais habituadas a utilizar aparelhos eletrônicos sonoros de maneira desregrada, a tendência, segundo especialistas, é o agravamento da questão. Dia 26 de setembro é comemorado o Dia Nacional do Surdo, uma data importante para que o assunto seja alertado e dicas de prevenção oferecidas.
Para médicos especializados na área, a prática de ouvir som com volume alto em aparelhos como MP3, iPhones e celulares com fone de ouvido pode levar a uma perda auditiva, na maioria das vezes, irreversível. A médica e vice-presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Bahia, Clarice Saba, afirma que tem aumentado a demanda de pacientes com perda de audição por exposição ao ruído. “Uma preocupação da OMS é o fato de as pessoas, no mundo todo, começarem a apresentar perda auditiva cada vez mais cedo. Os adolescentes, adultos jovens e até mesmo crianças usam em excesso o fone de ouvido, com o volume acima do limite recomendado”, explica a médica. Ela informa ainda que a exposição da audição sem cuidados básicos a shows, trios elétricos e caixas de som também pode representar um grave risco.
Segundo Clarice Saba, a perda da audição pode ocorrer, porque o som é composto por ondas, que formam uma pressão sonora, um fenômeno físico. Essa pressão, para que se possa ouvir, tem como caminho natural a orelha média (tímpano e ossículos) e orelha interna (cóclea), sendo depois conduzida ao cérebro. Se a pressão sonora for maior do que a suportável pelo ouvido humano, haverá lesão nas células da cóclea, o que pode resultar em perda auditiva. Os canais semicirculares labirínticos também fazem parte do ouvido interno, e essa exposição pode levar a danos no labirinto.
Tratamento
A médica orienta que os casos suspeitos de perda de audição devem procurar o mais rápido possível um otorrinolaringologista, pois quanto mais cedo se inicia o diagnóstico e tratamento, mais chance existe em reverter a lesão, seja ela parcial ou completa. O tratamento pode ser feito também pelo Sistema Único de Saúde.
Dicas de prevenção
Algumas dicas são fundamentais, para evitar a super exposição a ruídos. Entre as principais dicas estão:
– Evitar se posicionar em frente ou ao lado das caixas de som.
– Nunca ultrapassar a metade da potência dos aparelhos ao usar os fones de ouvido. Mesmo na potência média, se a exposição for abusiva por horas, ainda assim poderá lesar a audição. Se possível limitar ao total de 02 horas diárias.
– Aos pais cabe orientar crianças e adolescentes a como se expor a ruídos com inteligência.
– Pessoas que se expõem profissionalmente ao ruído (músicos, cantores, industriários, etc) devem sempre usar o Equipamento de Proteção Individual, conhecidos como EPI.
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