Ex-Senador e presidente do PR na Bahia, César Borges acena com a bandeira da paz e diz que partido está aberto ao diálogo. Confira entrevista

César Borges – O PR está em Salvador na expectativa de negociações, alguns partidários do PR em especial deputados estaduais, lançaram inclusive o meu nome com a possibilidade de disputar a prefeitura de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
César Borges – O PR está em Salvador na expectativa de negociações, alguns partidários do PR em especial deputados estaduais, lançaram inclusive o meu nome com a possibilidade de disputar a prefeitura de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Uma das mentes mais brilhantes da política baiana, o ex-governador, ex-senador e presidente do PR na Bahia, César Borges esteve visitando Feira de Santana no último dia 14 de março (2012). Com objetivo de participar da entrega de equipamentos agrícolas para a comunidade feirense. Equipamentos que foram adquiridos através de emenda parlamentar, avaliada em R$ 700 mil, e destinada ao município quando Borges ocupava o senado federal.

Na oportunidade, César Borges concedeu entrevista coletiva, onde avalia perda de espaço político dos baianos no executivo federal e diálogo entre o PR e o governo federal. Ele também comenta sobre o posicionamento do Partido da República em Salvador e Feira de Santana.

O tom conciliador do Borges deixa evidente a vontade de uma reaproximação com o governo federal e estadual. Embora afirme que o seu nome possa ser lançando como candidato a prefeito de Salvador, ele deixa aberta a possibilidade de aliança. Quanto as eleições em Feira de Santana, disse que vem para subir no palanque de Tarcízio Pimenta.

Jornal Grande Bahia – Como você avalia a perda do espaço político que a Bahia teve no cenário nacional?

César Borges – Eu lamento, porque nós queremos ver a Bahia brilhando no cenário nacional. Eu acho que é importante todo espaço que a Bahia puder ocupar ou os baianos puderem ocupar em Brasília e em especial no governo federal. Eu só tenho a lamentar porque eram nomes importantes, tanto o ministro da cidade [Mário Negromonte], como o ministro do desenvolvimento agrário [Afonso Florence], e o presidente da PETROBRAS [José Sérgio Garielli]. Eu espero que a Bahia volte a ocupar espaços importantes no plano federal, é importante para Bahia.

Coletiva – O nome do senhor era um dos nomes cogitados para assumir o ministério. Por que não se concretizou?

César Borges – Esse é um assunto que não passa por mim. É um assunto que será decidido lá em Brasília. Eu apenas sou um partidário do PR, o meu partido está em negociações com o governo federal e quem tem os cargos é a presidente da república. Então nós não temos como influenciar nesse processo. Eu estou aqui seguindo a minha vida política e privada normalmente, pronto a servir o país, mas isso não significa absolutamente que haverá cargo ou não em Brasília. O PR é um partido que teve problemas com o governo federal, entretanto é um partido disposto a ajudar o Brasil no que for preciso para se desenvolver, e nós queremos que o governo federal tenha todo o sucesso na implantação de suas políticas. Então eu espero que o partido possa acertar os seus caminhos, junto com o governo federal.

Coletiva – Em termos de coligação e apoio como se encontra o partido?

César Borges – Depende do que você está falando, coligação e apoio. Nós vamos para uma eleição municipal neste ano. E ai a questão municipal e local se sobrepõe até as questões estadual e federal. Cada município terá uma posição a depender efetivamente dos seus quadros partidários e dos interesses do município. Conta agora o valor e o interesse local, até mais do qualquer coligação estadual ou federal.

Jornal Grande Bahia – Em Salvador o PR tomou alguma decisão com relação a eleição municipal?

César Borges – Não, o PR está em Salvador na expectativa de negociações, alguns partidários do PR em especial deputados estaduais, lançaram inclusive o meu nome com a possibilidade de disputar a prefeitura de Salvador pelo fato de que eu já fui governador, fui senador, conheço a problemática, já disputei a prefeitura de Salvador em uma determinada ocasião, em 2004.

Mas, é algo que nós estamos no plano das conversações, porque você tem que criar uma base de suporte para viabilizar a candidatura. Há algumas candidaturas postas e nós estamos analisando junto com os nossos vereadores de Salvador. O PR tem três vereadores, nós temos deputados estaduais e federais e no momento certo tomaremos a decisão para o apoio que o partido terá, lançando candidato ou apoiando outro candidato com alguma coligação nas eleições de Salvador.

Coletiva – Qual a posição do PR em Feira de Santana?

César Borges – No PR de Feira de Santana nós temos uma deputada estadual, é uma deputada atuante, Graça Pimenta. Ela é uma deputada correta, leal, fiel ao partido, então nós delegamos a ela a posição do PR em Feira de Santana. Então nunca houve dúvida dessa posição de reconhecimento ao papel importante que a deputada Graça Pimenta desempenha dentro do PR.

Dos partidos que estão em oposição ao governo do estado na Assembleia Legislativa, é o PR que tem maior número de deputados estaduais, e um deles é a deputada Graça Pimenta. Então ela está delegada do comando do PR de Feira de Santana, para que se posicione nas eleições municipais conforme o que ela e os nossos companheiros de partido decidirem.

Coeltiva  –  Então o PR deve marchar com o prefeito Tarcízio Pimenta?

César Borges – Me parece o caminho natural. Não vejo outro caminho. Porque o partido, como eu volto a repetir, aqui está na mão da deputada Graça Pimenta que merece toda a consideração, e é uma pessoa que tem sido correta com o partido, portanto ela vai dar os rumos do partido. Se o prefeito Tarcísio Pimenta é candidato à reeleição, o caminho natural do PR é acompanhar o candidato Tarcízio Pimenta, que também é um amigo nosso, que está em partidos coligados e pode aqui tranquilamente fazer uma aliança para dar suporte a sua reeleição.

Coletiva – O senhor sobe no palanque?

César Borges – Não tenho dúvida, eu subirei onde o PR estiver. Eu estarei sempre presente onde o PR estiver.

Jornal Grande Bahia – Como o senhor avalia o governo Wagner e o processo de privatização de rodovias na Bahia?

César Borges – O processo de privatização de rodovias me parece irreversível, não tem como voltar atrás. O importante nas nossas rodovias é que elas tenham boas condições de tráfego para que elas possam atender bem os usuários, mesmo que você tenha algum custo adicional.

Lamentavelmente o poder público no Brasil não tem recursos para tender essa grande malha rodoviária de um país continental como o Brasil. E, pedagiar com pagamento de tarifas, usando aquele princípio de o usuário, ser o pagador. Porque quem paga pedágio é quem está usando a rodovia, que não usa não paga. Então é um princípio que me parece que não tem retorno.

Eu, inclusive quando fui governador, iniciei esse processo na Estrada do Coco. Na época teve uma crítica muito grande, até por partidos que hoje estão no governo. Mas quando estão no governo eles adotam exatamente aquela posição que nós tínhamos tomado, porque não tinha outra saída.


Discover more from rnal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from rnal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.