Carta da Bahia propõe a criação da Aliança dos Países Produtores de Cacau da América Latina e Caribe

A elaboração da “Carta da Bahia”. Propondo a criação da Aliança dos Países Produtores de Cacau da América Latina e Caribe foi o ponto marcante do I Fórum Internacional do Cacau e Chocolate, encerrado nesta quinta-feira (05/07/2012), no Palácio Rio Branco, em Salvador. O evento, que fez parte do Salon du Chocolat da Bahia, reuniu durante dois dias, no Palácio Rio Branco, mais de 150 chocolateiros e especialistas do mundo inteiro para discutir a cadeia produtiva do cacau a nível mundial, focalizando o futuro do cacau e do chocolate.

O secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, considera que “a criação desta aliança diminuiria a fragilidade dos produtores de cacau da America Latina e Caribe, porque, como a África atualmente produz mais de 75 % do cacau do mundo e os países desenvolvidos são os maiores consumidores de chocolate, eles dominam as ações e ditam as regras de acordo com suas realidades”. Salles acrescenta que “a voz dos produtores da América Latina e Caribe atualmente não é considerada e, provocando a união destes 21 países produtores da região, esta realidade pode mudar”.

Ainda de acordo com o secretário, a cadeia do chocolate precisa ser mais justa, já que atualmente somente 7% do resultado fica com os produtores, e os demais 93% com beneficiadores e a indústria chocolateira. Além do secretário Eduardo Salles, a Carta da Bahia leva as assinaturas de Joelson Ferreira, representante do Território de Identidade Litoral Sul; Diego Badaró, coordenador do Salon du Chocolate da Bahia; Jay Wallace, diretor geral da Ceplac; Durval Libânio, presidente da Câmara Setorial Federal do Cacau, e Guilherme Galvão, presidente da Associação de Produtores de Cacau.

O presidente da Câmara Setorial do Cacau, Durval Libânio, explicou que a aliança proposta visa também criar uma interação regional a fim de dinamizar pesquisas que solucionem problemas comuns na produção de cacau dos países cooperados, a exemplo da vassoura de bruxa. Outro objetivo é o intercâmbio de conhecimento e a transferência de tecnologia.

 Atualmente os países produtores de cacau reúnem-se em duas organizações intergovernamentais. Uma é a Aliança dos Países Produtores de Cacau – Alliance of Cocoa Producing Countries (Copal), instituída em 1962 e atualmente é composta pelo Brasil, Camarões, Costa do Marfim, Gabão, Gana, Malásia, Nigéria, República Dominicana, São Tomé e Príncipe e Togo. A segunda é a International Cocoa Organization (ICCO), uma organização intergovernamental composta por países produtores e consumidores de cacau, com sede em Londres.

Entre outras razões, a criação da Aliança é justificada pela falta de representação dos países da América Latina e do Caribe, que têm apenas dois afiliados à Copal e sete à ICCO. Nesta última organização, constituída por países produtores e consumidores, verifica-se ainda que os países produtores possuem influência limitada, principalmente no que se refere à formação de preços no mercado. Além disso, com a forte concentração da produção no continente africano a maioria os projetos e programas desta organização são direcionados aos países deste continente, limitando a capacidade de reação dos países das Américas e Caribe.

A Carta da Bahia destaca que grande parte da produção dos países da América Latina e Caribe se dá sob novos paradigmas conservacionistas e sociais, fruto dos compromissos assumidos relacionados ao Protocolo de Kioto, traduzidos em legislação ambiental e trabalhista fortemente restritiva, limitando fortemente a competitividade frente aos países Africanos.

O mercado sub-regional representado pela América Latina e Caribe, liderado pelo consumo do Brasil, é o quinto maior produtor de cacau do mundo e o terceiro maior consumidor de chocolate, sendo que o Brasil foi o país onde o consumo mais aumentou nos últimos cinco anos, e continuará crescendo;

O documento assinado na Bahia assina que o Brasil experimenta a maior taxa de incremento no consumo per capita de cacau, saindo de 300g, em 2003 para 1.3 kg per capita em 2011. O consumo de chocolate é de 2,5 kg/ano. Em comparação ao consumo da Inglaterra (quarto maior consumidor, com 12 kg ao ano por habitante), este índice aponta o potencial de crescimento da região.

A tradicional região cacaueira brasileira tem hoje a maior capacidade do mundo para a produção de cacau fino e de integrar turismo, conservação do meio ambiente, cultura, cacau e chocolate.


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