
Em uma democracia, quando o conflito é estabelecido e as partes não chegam ao consenso, o máximo poder de mediação é obtido através da Justiça. Mas, na Bahia, mais precisamente, no comando do executivo municipal de Salvador, o atual prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto, DEM) encontrou outra forma de mediar o conflito, simplesmente afirma não reconhecer Leis estaduais, e até federais, agindo como se detivesse o poder legislativo e judiciário, e com isto tenta representar a encarnação da própria República.
Primeiro, ACM Neto desrespeitou a Constituição Federal ao impor ao soteropolitano aumento abusivo no valor do IPTU, descumprindo o princípio da previsibilidade orçamentária; depois descumpriu a Lei estadual que criou a Entidade Metropolitana, responsável pela regulação dos serviços de água e esgoto na Região Metropolitana de Salvador; na sequência entrou em conflito com o Governo do Estado sobre o processo de regulação do sistema de transporte público de Salvador; e conclui o festival de arbitrariedades usando a SUCOM para impedir ilegalmente a propaganda partidária da coligação liderada pelo PT.
Em todas atitudes e discursos ACM Neto e os liderados repetem a mesma tática, apresentam um discurso em que posiciona o governador Jaques Wagner e o PT contra o interesse do povo de Salvador, tenta passar a impressão que é um governante com autoridade, quando as ações e os discursos indicam autoritarismo, e por fim, mascaram interesses pessoais com a vontade do povo.
Analisando as atitudes e o discurso do prefeito ACM Neto pode-se classificá-la como despótica. Chefia, dirige ou governa de modo completamente autoritário, é capaz de exercer autoridade de modo opressor, se comporta de maneira tirânica para obter o poder completo, se utiliza da autoridade opressora para dominar, e demonstra autoritarismo em quaisquer circunstâncias. O conceito de déspota parece traduzir corretamente as atitudes e os discursos do prefeito, nos casos citados.
O MP e o Palácio
Quantas vezes as Leis devem ser desrespeitadas pelo prefeito ACM Neto para que o Ministério Público inicie um processo por improbidade administrativa? O silêncio das instituições da República, das elites intelectual, econômica e política, em Salvador, construiu uma sociedade com graves e deficientes problemas, ao mesmo tempo em que parece orgulhar os Magalhães. Não é por outro motivo que nomearam o prédio principal da Assembleia Legislativa da Bahia como Palácio Luís Eduardo Magalhães. Palácio para reis, monarcas, imperadores, e aristocratas. Existe uma certa mediocridade intelectiva na política baiana, que persiste e tende a negar o conceito de República e Democracia, e isto é perigoso.
Décadas do carlismo
Quatro décadas do carlismo no poder construiu uma Salvador com graves problemas habitacionais, e um sistema de transporte público ineficiente. O neto do carlismo, conhecido atualmente com Magalhismo, parece ter as respostas para os problemas que o avô não foi capaz de resolver, ou porque utilizou políticas equivocadas, ou por ser o principal protagonista de políticas excludentes.
Mein Kampf
Ao redigir ‘Minha Luta (Mein Kampf)’, Adolf Hitler buscou convergir o sentimento de descontentamento do povo alemão em relação à condição socioeconômica em que atravessava. Mesmo sem obter aprovação nas urnas para ser eleito Chanceler na Alemanha, obteve poder suficiente para dar um golpe e assumir o comando do Estado. Isto foi possível porque pequenas transgressões à república e a democracia alemã foram permitidas pelo silêncio das instituições da República, das elites intelectual, econômica e política da época. A história nos ensina que a Democracia é um valor a ser preservado sem que se contemple transgressões.
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Prefeito de Salvador, ACM Neto age como déspota ao desrespeitar Leis e impor vontade
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