Assembleia Legislativa da Bahia: História e Tradição de Poder

Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA) possui uma história que remonta ao período imperial, com suas raízes fincadas na Constituição de 1824, que instituiu os Conselhos Gerais das Províncias. Este dispositivo, previsto no artigo 81 da Carta Magna, visava a discussão e a deliberação sobre assuntos locais de maior importância, como as necessidades econômicas e sociais das províncias. O Conselho da Província da Bahia, composto inicialmente por 21 membros, teve seu funcionamento iniciado em 1828, no Convento do Carmo, em Salvador. Embora a atuação do conselho fosse limitada e sem capacidade legislativa plena, sua função era essencialmente de consulta à Assembleia Geral no Rio de Janeiro ou, na ausência de reuniões, diretamente ao Imperador.

O Processo de Transição para a Assembleia Legislativa Provincial

Em 1834, o Ato Adicional à Constituição extinguiu os Conselhos Gerais das Províncias e criou as Assembleias Legislativas Provinciais, que passaram a ter a capacidade de legislar sobre vários aspectos administrativos e econômicos das províncias, incluindo assuntos relacionados à polícia, instrução pública, e obras públicas. A Assembleia Legislativa Provincial da Bahia, composta inicialmente por 36 Deputados, passou a funcionar de forma mais independente, exercendo um papel mais ativo na política local. No entanto, o edifício que abrigava o Legislativo estadual era temporário e não foi adequado ao longo do tempo.

O Imóvel da Assembleia: Desafios e Mudanças de Sede

A preocupação com a construção de uma sede própria para a Assembleia Legislativa da Bahia foi uma constante ao longo dos anos. Em 1876, chegou a ser elaborado um projeto para a edificação de um palácio destinado a abrigar o Poder Legislativo, porém o projeto nunca foi executado. Durante esse período, a Assembleia funcionava em diversos edifícios temporários, como o Convento do Carmo e, posteriormente, o Paço Municipal. Em 1889, a Proclamação da República alterou a configuração do governo, criando uma nova estrutura para os Estados brasileiros. Na Bahia, a mudança também implicou na redefinição da sede legislativa, passando a funcionar em locais improvisados até que, finalmente, em 1912, a Câmara dos Deputados passou a ocupar o Palácio da Ladeira da Praça, um edifício histórico da cidade.

A Consolidação do Senado e da Câmara dos Deputados

No início da República, a Assembleia Legislativa da Bahia passou a ser formada por duas casas: a Câmara dos Deputados e o Senado. O Senado Estadual, com mandato de cinco anos e composto por 21 membros, teve seu funcionamento na Praça 13 de Maio até 1914. A Câmara dos Deputados, por sua vez, ficou instalada no Palacete Machado, na Praça Duque de Caxias, até 1930, quando os legislativos estaduais foram dissolvidos pela Revolução de 1930. Durante o período da República Velha, o Senado e a Câmara enfrentaram diversos desafios políticos, incluindo processos de “degola”, ou a exclusão de deputados e senadores pela Comissão de Verificação de Poderes, um fenômeno político comum da época.

Transformações e Adaptações: O Impacto do Regime Militar

Com a ascensão do regime militar em 1964, o Parlamento baiano e outras casas legislativas estaduais sofreram severas restrições. Durante o governo de Getúlio Vargas, em 1932, houve uma mudança significativa com a criação do Código Eleitoral, que extinguiu os senados estaduais e instituiu o título de eleitor. O Parlamento baiano, porém, permaneceu fechado entre 1937 e 1945, voltando a funcionar em 1947. A transição para um novo período democrático trouxe consigo alterações na Constituição Estadual e a reorganização da estrutura legislativa.

A Nova Sede: Um Marco na História da ALBA

Em 1974, a Assembleia Legislativa da Bahia finalmente passou a ocupar sua sede própria, localizada no Centro Administrativo da Bahia. O novo edifício foi projetado para abrigar todas as funções legislativas, permitindo maior autonomia ao poder legislativo estadual. Contudo, a sede enfrentou alguns contratempos, como incêndios em 1978 que atingiram o plenário e exigiram mudanças temporárias nas condições de funcionamento da Assembleia. Mesmo com esses desafios, a ALBA continuou a desempenhar um papel crucial na política do Estado.

O Reconhecimento do Poder Legislativo na Bahia

A participação ativa da ALBA em momentos decisivos da história política baiana foi marcante. Em 1988, a Assembleia teve um papel fundamental na campanha “A Bahia Não Se Divide”, movimento que buscou impedir a divisão do Estado e a criação do estado de Santa Cruz. Em 1989, a Constituição Estadual foi alterada, aumentando a representação do poder legislativo, que passou a contar com 63 deputados estaduais. A importância histórica da ALBA também é visível em sua crescente influência sobre as decisões políticas do Estado da Bahia.

O Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães e o Complexo Anexo

O Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães, inaugurado em 1998, foi batizado em homenagem ao ex-presidente da ALBA, falecido naquele ano. Além disso, a Assembleia passou a contar com novos anexos, como o Anexo Barbosa Romeu, que foi inaugurado em 2004 e prestou homenagem ao ex-deputado e presidente da casa. Nesse período, a Assembleia continuou a se modernizar, com o objetivo de acomodar melhor os parlamentares e oferecer uma estrutura mais eficiente à Casa Legislativa.

O Painel ‘Procissão de Bom Jesus dos Navegantes’ e a Tradição Cultural

Dentro do plenário da Assembleia, o monumental painel ‘Procissão de Bom Jesus dos Navegantes’ representa uma tradição popular baiana, pintada por Carlos Bastos em 1993, após a primeira versão da obra ser destruída por incêndios em 1978. Esta obra reflete o compromisso da ALBA com as manifestações culturais e populares que fazem parte da história da Bahia.

A Assembleia Legislativa da Bahia Como Patrimônio Cultural e Político

Com uma trajetória repleta de transformações, a Assembleia Legislativa da Bahia continua a ser uma das principais instituições políticas do Estado, com impacto na organização social e cultural da Bahia. Desde suas primeiras reuniões no Convento do Carmo até sua sede moderna, a ALBA se consolidou como um centro de decisões importantes, refletindo a história política do Brasil e da Bahia, além de ser um ponto de visitação para os interessados na cultura e política local.

Confira imagens da ALBA

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Uma resposta a “Assembleia Legislativa da Bahia: História e Tradição de Poder”


Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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