
Em entrevista à Policarpo Junior, publicada neste sábado (03/06/2017), o presidente Michel Temer reafirma que não pretende deixar o cargo, defende os assessores denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) e Procuradoria-Geral da República (PGR), e levanta suspeita de uma conspiração contra o governo.
A entrevista aborda as investigações do Caso Lava Jato que atingem membros do governo e o próprio presidente Michel Temer, que é investigado pela Procuradoria-Geral da República por obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa, em inquérito autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin.
Confira trecho da entrevista
Apesar do bombardeio da crise, o presidente Michel Temer aparenta serenidade. Na tarde de quinta-feira (01/06/2017), ao receber a equipe de jornalista da revista Veja no gabinete no Planalto, apenas demonstrou emoção em três momentos: ao falar da repercussão do escândalo em sua família, ao defender o coronel João Baptista Lima Filho e ao garantir que não deixará o cargo: “Não saio daqui. Não saio mesmo”. Encerrada a entrevista, fez duas revelações: tem medo de estar sendo grampeado e nunca se sentou na cadeira presidencial (“que Lula encomendou à Nasa”). Ele despacha na grande mesa redonda do gabinete.
Veja — O senhor pediu para suspender seu depoimento à polícia até que a perícia da gravação de sua conversa com o empresário Joesley Batista fosse concluída. Isso é fundamental, considerando que o senhor não negou o conteúdo da conversa?
Michel Temer — Processualmente é fundamental que se faça a perícia pela via oficial, o Instituto de Criminalística da Polícia Federal. A partir daí é que podem surgir as perguntas.
Veja — O senhor tem o direito de não responder às perguntas que lhe serão formuladas. Pretende responder a elas?
Michel Temer — Não sei. Quando vierem as perguntas é que eu vou examinar. Primeiro preciso ver o teor delas. O ministro Fachin teve a delicadeza de determinar que fossem respondidas por escrito. Quando chegarem, eu vou meditar sobre elas.
Veja — O senhor disse que não sabia que Joesley Batista estava sendo investigado quando o recebeu no Palácio do Jaburu. Quando ele começou a contar que tinha no bolso procuradores e juízes, não lhe ocorreu que ele poderia estar com problemas na Justiça?
Michel Temer — Sempre o tive como um sujeito de fanfarronices, falastrão. Um sujeito que quer mostrar prestígio. Ele queria mostrar prestígio. Eu não dei maior relevância àquilo. Confesso, adequada ou inadequadamente, não importa, não dei a menor importância.
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