Os ataques a tiros à caravana do ex-presidente Lula entre os municípios de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no Paraná, na terça-feira (27/03/2018), repercutiram na Câmara dos Deputados. Dois veículos foram atingidos por disparos de arma de fogo; ninguém se feriu. No Plenário, parlamentares de diferentes partidos repudiaram o ataque.
Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, os tiros à caravana de Lula assim como a notícia de que o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, está sofrendo ameaças são episódios graves, que merecem investigação e punição exemplar.
“Os tiros no ônibus foram o ponto final de alguns dias de absurdos, inviabilizando a mobilização do ex-presidente Lula, que é legítima, democrática. Somado às ameaças ao ministro Fachin, são de uma gravidade extrema”, afirmou Rodrigo Maia.
“Está na hora de o Estado brasileiro como um todo, o Ministério da Segurança, o governo federal e os governos dos estados avançarem rapidamente sobre esses dois episódios, que são simbólicos, descobrir e dar punições firmes, rápidas e exemplares para que não se repitam num país que se diz democrático”, continuou.
Pedidos
Os deputados petistas Maria do Rosário (RS) e Wadih Damous (RJ) entregaram ontem um documento a Rodrigo Maia em que solicitam providência para que a Casa combata o ódio contra a vida política. Os parlamentares lembraram o caso da vereadora do Psol Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro, e o fato de que na comitiva de Lula estavam os deputados petistas Zeca Dirceu (PR), Enio Verri (PR) e Paulo Pimenta (RS).
Na avaliação de Maria do Rosário, as investigações sobre os ataques aos ônibus da caravana de Lula deveriam ser federalizadas. Ela se reuniu com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann – que considerou “inaceitável” o ataque à caravana, mas disse que cabe às autoridades do Paraná investigarem se foi ou não um atentado político.
Discursos
Em Plenário, o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) alertou para o risco que ataques como esse trazem à democracia. “Parem com isso! Permitam o debate livre das ideias. Não é possível que o nosso país termine resolvendo as coisas na bala, no meio da rua!”
Para o deputado Cabo Sabino (Avante-CE), extremismos não ajudam. “O direito de falar, de votar, de colocar o que se pensa em debate são a maior conquista que temos. Não vai ser com paus, pedras, tiros e intolerância que vamos construir um Brasil melhor.”
Maioria dos presidenciáveis condena ataque a caravana doe ex-presidente Lula
Foi com indignação e solidariedade que reagiu a maioria dos pré-candidatos à Presidência da República ao atentado a tiros que sofreu a caravana de Lula pelo Sul do país na última terça-feira (27/03/2018).
À exceção de Jair Bolsonaro PSL/RJ, que até a publicação desta nota não havia se pronunciado, e Geraldo Alckmin (PSDB), que afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que “o PT está plantando o que colheu”, os demais presidenciáveis externaram não apenas contrariedade, mas preocupação com um fazer político que se aproxima da violência e se afasta do livre debate de ideias e propostas. Veja abaixo o que eles disseram:
Guilherme Boulos (PSOL): Esperado para se unir ao ato final da caravana de Lula nesta quarta-feira, em Curitiba, o pré-candidato disse. Os fascistas ultrapassaram qualquer limite. Toda solidariedade a Lula contra as agressões. É momento de unidade democrática e de resistência ativa. Com fascismo não se brinca.
Manuela d’vila (PC do B): Transformemos o ato da caravana de Lula de hoje, em Curitiba, num grande ato de resistência ao fascismo e ao ódio. De reafirmação do compromisso com a democracia.
Ciro Gomes (PDT): Isso é um ato de barbárie que só pode ser reagido com uma providência: severa e veloz punição dos culpados. (…) Não podemos deixar sob pendência a apuração de quem fez aquilo e levá-lo às barras dos tribunais. Isso para ontem.
Marina Silva (Rede): O uso da violência com motivações políticas é uma afronta ao regime democrático. Devemos lutar pelo direito a livre manifestação e pelo respeito às instituições da Justiça, que são preceitos constitucionais e alicerces fundamentais da nossa democracia.
Henrique Meirelles (MDB): O que aconteceu ontem no Paraná foi um atentado contra a liberdade de expressão de um líder político e isso é inadmissível numa democracia.
Nota da Bancada Progressista do Parlasur sobre ataques fascistas ao ex-presidente Lula
A bancada Progressista do Parlamento del Mercosur (Parlasur) publicou na manhã desta quarta-feira (28) nota em repúdio aos atentados sofridos pela caravana Lula pelo Brasil no dia anterior no estado do Paraná.
No texto, a assembleia que funciona como órgão deliberativo do Mercosul manifesta “solidariedade a Lula e a todos os companheiros e companheiras que sofreram este novo ataque fascista”.
Em outro trecho, o Parlasul “alerta que o contexto de intolerância e violência seguirá crescendo se as autoridades públicas do país e os organismos internacionais de direitos humanos não fizerem um chamado claro para respeitar a vida dos dirigentes de esquerda e dos movimentos sociais”.
Depois de Marielle, querem a morte de Lula?, questiona Robinso Almeida, suplente de deputado federal
O atentado a bala sofrido pela Caravana de Lula na tarde de hoje no Paraná é mais um capítulo da saga de ódio estimulada por Bolsonaro, MBL e afins. Perderam definitivamente o pudor civilizatório. Sob o silêncio cúmplice das forças de segurança de Temer e dos governos do RS, SC e PR querem impor a barbárie no país.
É cada vez mais ousada a violência facista no Brasil. A execução covarde de Marielle Franco revelou o novo modus operandi da extrema-direita. Não basta ameaçar, xingar e agredir. A eliminação física de lideranças públicas de esquerda entrou na práxis política do fascismo à brasileira.
Sem nenhuma dúvida, o atentado a bala à Caravana de Lula foi uma tentativa de homicídio. A Lula e sua comitiva toda a nossa solidariedade, manifestada na forma de denúncia ao Brasil e ao mundo da verdadeira vontade dos fascistas: sem poder prendê-lo, nem o tirar do processo político, tentam matar o presidente Lula.
Vereadora Aladilce Souza condena ataques à caravana de Lula
Na noite dessa terça-feira (27/03/2018), um dos ônibus da caravana de Lula no Paraná foi vítima de uma emboscada. Os agressores usaram “miguelitos” para furar os pneus dos veículos e alvejaram o ônibus da comitiva do ex-presidente com três tiros.
Em Salvador, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) condenou os ataques, alertando para a crescente onda de violência política que o Brasil atravessa. “O discurso de ódio dos grupos de direita, fascistas, saíram das redes sociais e agora partem para a violência física contra lideranças de esquerda. Recentemente os tiros ceifaram a vida de Marielle e agora o alvo é o presidente Lula”, afirmou Aladilce.
Segundo a vereadora, as ações dos grupos contrários ao ex-presidente são respaldadas por discursos que incentivam o ódio aos políticos de esquerda. “Na própria Câmara de Salvador temos vereadores articulados com o MBL, o maior propagador de fakenews e de incitação ao ódio nas redes sociais, usando a tribuna para agredir Lula e os partidos de esquerda, e que defende que os inimigos devem ser ‘abatidos’”, declarou Aladilce. De acordo com a vereadora, tais posturas legitimam os ataques extremistas realizados por grupos de extrema-direita, a exemplo do que ocorreu contra o ex-presidente Lula.
Aladilce ainda cobrou das autoridades do Paraná um posicionamento oficial e exigiu reforço na segurança da comitiva.
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