Na terça-feira (04/12/2018), a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados promove audiência pública para debater o conflito fundiário na região de Coaceral, no município de Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia. A área em disputa, com cerca de 380 mil hectares, foi ocupada desde os anos 1980 por produtores paranaenses beneficiados pelo Programa Prodecer I, voltado à expansão da agricultura no Cerrado.
A audiência foi requerida pelos deputados Osmar Serraglio (PP-PR), Adilton Sachetti (PRB-MT) e Valdir Colatto (MDB-SC). O foco principal da sessão foi a disputa judicial envolvendo a Fazenda São José, cuja titularidade foi atribuída, em 2015, a José Valter Dias, a partir de um registro de inventário iniciado em 1915, sem definição de limites claros e sem consulta prévia às famílias ocupantes.
Denúncias de ilegalidade no processo de regularização fundiária
De acordo com o deputado Osmar Serraglio, a obtenção da matrícula do imóvel por José Valter Dias se deu de forma ilegal. O parlamentar afirmou que não foram apresentados documentos exigidos pela legislação fundiária, como registro anterior, cadastro no Incra ou comprovação do pagamento de ITR. Segundo ele, a Justiça concedeu a matrícula sem ouvir os colonos, desconsiderando que estes estavam há décadas na posse produtiva das terras.
O caso foi analisado pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), que, em petição apresentada no processo, classificou a decisão judicial como concessão de uma “posse mágica”, em desacordo com a legislação brasileira de registros públicos.
Envolvimento do Judiciário e impactos sobre os produtores
Ainda segundo Serraglio, há indícios de envolvimento de servidores e magistrados do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) em atos que beneficiaram José Valter Dias de maneira indevida. A matrícula foi concedida durante o período de colheita, o que teria forçado os agricultores a aceitar “acordos leoninos” com o suposto proprietário, comprometendo parte significativa da produção agrícola da região.
O TJBA chegou a conceder reintegração de posse em favor de José Valter Dias, mas decisões posteriores da própria corte e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) suspenderam os efeitos da medida.
Os parlamentares demonstraram preocupação com a insegurança jurídica instaurada na região, sobretudo em relação à preservação dos direitos adquiridos por produtores que investiram em benfeitorias e contribuíram para o desenvolvimento agrícola da área, hoje parte da estratégica região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Próximos passos da investigação parlamentar
Os membros da Comissão afirmaram que pretendem aprofundar a apuração sobre possíveis práticas de tráfico de influência, com foco nos envolvidos no processo de concessão da matrícula fundiária e nos acordos extrajudiciais impostos aos produtores. A iniciativa visa garantir segurança jurídica à região e evitar a expansão de práticas de grilagem institucionalizada com conivência de agentes públicos.
Leia +
Reforço para segurança na região Oeste é solicitado da SSP Bahia
Share this:
- Click to print (Opens in new window) Print
- Click to email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Click to share on X (Opens in new window) X
- Click to share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Click to share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Click to share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Click to share on Telegram (Opens in new window) Telegram
Relacionado
Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




