STF determina abertura de inquérito policial contra ministro Eduardo Pazuello; Investigação apura possível omissão no envio de oxigênio para atendimento de pacientes com a Covid-19 em Manaus

Ministro Eduardo Pazuello é investigado por possível omissão em caso de mortes em Manaus de pacientes que não tiveram fornecimento de oxigênio em unidades hospitalares.
Ministro Eduardo Pazuello é investigado por possível omissão em caso de mortes em Manaus de pacientes que não tiveram fornecimento de oxigênio em unidades hospitalares.

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (26/01/2021) a abertura de inquérito policial para investigar eventual conduta criminosa do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em relação ao colapso da saúde pública em Manaus (AM), que registrou falta de oxigênio hospitalar no sistema de saúde. O Inquérito (INQ) 4862 foi aberto em atendimento a requerimento do procurador-geral da República, Augusto de Aras.

Na representação, Aras destaca a necessidade de aprofundar investigações para apurar se Pazuello cumpriu o dever legal de agir com celeridade e eficiência para, no mínimo, mitigar os resultados adversos da calamidade, pois eventual inação pode caracterizar conduta omissiva, passível, em tese, de responsabilização cível, administrativa e criminal.

Representação

Segundo o procurador-geral, em 15/1, o partido Cidadania assinou representação criminal contra Pazuello, a partir dos fatos narrados em matéria jornalística que noticiava o desabastecimento de oxigênio nas redes de saúde pública e privada de Manaus. O partido argumentava que nenhuma medida preventiva teria sido adotada pelo Ministério da Saúde, mesmo após o titular da pasta ter sido alertado, com antecedência, para a iminente falta de cilindros de oxigênio nos hospitais da capital do Amazonas.

Situação calamitosa

De acordo com Aras, embora tenha sido constatado o aumento do número de casos da Covid-19 já na semana do Natal de 2020, o ministro da Saúde optou por enviar representantes a Manaus apenas em 3/1, uma semana após ter sido cientificado da “situação calamitosa”. O procurador-geral salienta que Pazuello informou ter tomado conhecimento da situação em 8/1, por e-mail em que a White Martins, fabricante do produto, explicava o possível desabastecimento e indicava outras fontes para buscar o produto. No entanto, apenas em 12/1 iniciou a entrega de oxigênio na rede de saúde local.

Inquirição

Lewandowski encaminhou os autos à Polícia Federal, para que ouça Pazuello sobre as ações efetivamente adotadas em relação ao estado crítico da saúde pública de Manaus. Considerando a fase ainda embrionária das investigações, o relator estabeleceu que a inquirição poderá ser realizada com dia e hora previamente ajustados, respeitando-se o prazo de até cinco dias, contados de sua intimação, conforme previsto no Código de Processo Penal (artigo 221). O prazo para a conclusão do inquérito, que tramita sob sigilo, é de 60 dias.

Sofrimento de familiares foi intensificado ao saberem que mortes em Manaus ocorreram por falta de fornecimento de oxigênio em unidades hospitalares.
Sofrimento de familiares foi intensificado ao saberem que mortes em Manaus ocorreram por falta de fornecimento de oxigênio em unidades hospitalares.
Paciente com a Covid-19 morre por falta de oxigênio em UPA José Rodrigues, situada na zona norte de Manaus.
Paciente com a Covid-19 morre por falta de oxigênio em UPA José Rodrigues, situada na zona norte de Manaus.
General Eduardo Pazuello, ministro da Saúde do Governo Bolsonaro.
General Eduardo Pazuello, ministro da Saúde do Governo Bolsonaro.

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