Indígenas denunciam violência de garimpeiros após operação da PF no Pará; Ação foi deflagrada em cumprimento a ordem do STF

Ação está sendo desenvolvida nas terras Munduruku e Sai Cinza.
Ação está sendo desenvolvida nas terras Munduruku e Sai Cinza.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) denunciaram ataques de garimpeiros, nesta quarta-feira (26/05/2021), contra lideranças indígenas da Terra Indígena (TI) Munduruku, no estado do Pará. Segundo as entidades, os garimpeiros que atuam na região estavam disparando tiros e incendiando casas em retaliação à operação Mundurukânia, da Polícia Federal (PF).

A PF deflagrou a operação na terça-feira (25/05/2021), em cumprimento às medidas solicitadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de combater a prática clandestina de garimpos nas terras indígenas Munduruku e Sai Cinza, no município de Jacareacanga (PA).

No entanto, hoje, durante a continuidade das ações, as forças de segurança foram surpreendidas pelos garimpeiros, que fizeram um protesto contra a operação. Segundo a PF, os manifestantes tentaram invadir a base da operação e depredar patrimônio da União, aeronaves e equipamentos policiais.

Ainda conforme o órgão, eles foram contidos por policiais federais, após medidas de contenção para a dispersão dos invasores sem que houvesse feridos. Além da PF, participam da operação a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Força Nacional.

“Essa prática [garimpo clandestino], além de provocar graves danos ao meio ambiente devido ao uso de produtos químicos altamente nocivos, causando a poluição de rios e lençóis freáticos, também gera uma série de outros problemas sociais na região, como conflitos entre garimpeiros e indígenas”, divulgou em nota a PF.

A Apib afirmou que a presença das Forças Nacionais não inibe os garimpeiros, que seguem cometendo atos de violência para ameaçar e intimidar lideranças contrárias à atividade ilegal em terras indígenas.

“Homens armados, que exibiam galões de gasolina, invadiram a aldeia da TI Munduruku onde se encontrava Maria Leusa Munduruku, coordenadora da Associação das Mulheres Munduruku Wakoborũn (organização que vem sendo atacada por denunciar os garimpeiros) e incendiaram sua casa”, denunciou a entidade.

Operação da PF

Os crimes investigados na operação são de associação criminosa (Artigo 288 do Código Penal), exploração ilegal de matéria-prima pertencente a União (Artigo 2º da Lei 8.176/1991), e delito contra o meio ambiente previsto no Artigo 55 da Lei 9.605/1998, além de outros crimes que possam ser descobertos ao longo da investigação.

Ao todo, foram empregados 134 servidores entre policiais e agentes de fiscalização, além da utilização de aeronaves e veículos 4×4.


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