Fundo partidário e eleitoral somado a tempo de tv definem a fusão entre os partidos de direita Partido Social Libera (PSL) e Democratas (DEM). A unificação estava cogitada para a segunda quinzena de setembro de 2021, mas foi adiada.
“Não posso antecipar. É complexo. Mas a ideia é a da criação do maior partido do Brasil”, diz ACM Neto, presidente nacional do DEM e ex-prefeito de Salvador, sobre a possível fusão entre as legendas.
Segundo ACM Neto, ele próprio estaria disposto a abrir mão do comando da nova legenda em favor de Luciano Bivar, presidente nacional do PSL. “Os próximos 15 dias serão decisivos”, prevê.
Com a fusão, os 53 deputados federais do PSL, equivalente ao PT, é acrescido dos 28 parlamentares do DEM, totalizando 81 deputados.
Em comum, os partidos apoiaram e apoiam a eleição e o Desgoverno Bolsonaro, mas, percebendo a fragilidade eleitoral para 2022 do extremista presidente sem partido Jair Bolsonaro, estão buscando construir uma candidatura de direita e não uma ‘terceira via’ como preconiza o conceito da ciência política.
Uma reunião da Executiva Nacional do DEM deve ocorrer nos próximos dias. Na agenda, a confirmação da união partidária.
“A prioridade é ter candidato próprio. No DEM, temos dois nomes: Henrique Mandetta e Rodrigo Pacheco”, diz ACM Neto, que mantém o desinteresse pelo apoio a João Doria (PSDB), governador de São Paulo. “Não escondo que vejo potencial muito maior na candidatura de Eduardo Leite do que na de João Doria”, diz o presidente do DEM. “Mas não é hora do DEM meter a colher na panela do PSDB”, completa.
A briga política entre João Doria e ACM Neto foi decorrente da desfiliação do vice-governador de São Paulo Rodrigo Garcia do DEM. Ele ingressou no PSDB a convite do governador e pretenso candidato a presidente nas Eleições 2022.
Embora filiado um um partido socialdemocrata, portanto, Terceira Via, João Doria é um político de direita.
Possível perda
A nova legenda pode ensejar a saída de parlamentares. Existem partidários convictos do extremista Jair Bolsonaro que devem aproveitar a fusão para pedir a desfiliação e aguardar para qual partido Jair Bolsonaro vai concorrer à reeleição em 2022.
Conceito de ‘Terceira via’
Os políticos e setores conservadores e reacionários da mídia reafirmam a existência de potencial eleitoral para uma terceira candidatura, à qual, de forma errônea, utilizam o conceito da ciência política como ‘Terceira Via’.
‘Terceira Via’ é a denominação que se dá para uma corrente ideológica da socialdemocracia.
A socialdemocracia é uma ideologia política que apoia intervenções econômicas e sociais do Estado para promover justiça social dentro de um sistema capitalista, e uma política envolvendo Estado de bem-estar social, sindicatos e regulação econômica, assim promovendo uma distribuição de renda mais igualitária e um compromisso para com a democracia representativa. É uma ideologia política originalmente de centro-esquerda, surgida no fim do século XIX dentre os partidários de Ferdinand Lassalle, que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista deveria ocorrer sem uma revolução, mas sim, em oposição à ortodoxia marxista, por meio de uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário.
Partidos liberais são partidos de direita e a proposta de fusão entre setores conservadores e reacionários do espectro político vai gerar candidatos de direita, ao invés de políticos socialdemocratas.
Neste contexto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é filiado a um partido de esquerda, cuja base ideológica é o socialismo, sinaliza abertura para união com setores da direita e formação de um governo socialdemocrata.
A política nacional liderada pelo Partido dos Trabalhadores marcou os quatros governos nacionais dominados pela ideologia socialdemocratas. Eles foram presididos pelo próprio Lula, em dois períodos e Dilma Rousseff, em outros dois mandatos, sendo o último interrompido por forças de direita que contaram com o apoio de ACM Neto e a tomada de poder pelo presidente liberal, Michel Temer (MDB) e ultraliberal, Jair Bolsonaro (ex-PSL), cujo resultado foi o empobrecimento acentuado da população, com regressão dos indicadores socioeconômicos do país.
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