FIEB critica alta na Selic promovida pelo Governo Bolsonaro

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) pelo novo aumento da taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual, levando-a para 10,75% ao ano, teve repercussão negativa na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), nesta quinta-feira (03/02/2022).

Para o presidente da FIEB, Ricardo Alban, enquanto o mundo inteiro está praticando juros negativos, o Brasil vai na contramão, favorecendo somente o Sistema Financeiro. “Até mesmo a economia americana, que sofreu uma pressão inflacionária na faixa de 7%, como há muito não sofre, está trabalhando com uma linha de juros reais negativos. Então, nós temos um país com baixo poder de consumo e com sérios problemas no seu setor produtivo, mas vamos penalizar esses setores com uma ferramenta isolada de política monetária”, critica.

Alban argumenta que o aumento de juros é apenas uma ferramenta dentro de uma política monetária. “No processo inflacionário, várias causas devem ser observadas: desde a pressão de um déficit fiscal até a falta de oferta ou pressão de demanda. A pressão de demanda, seguramente, não é no Brasil. A falta de oferta é algo muito localizado, em alguns encadeamentos produtivos que já estão mostrando não serem uma preocupação a médio prazo. Então, estas não são premissas que justifiquem sermos tão agressivos na nossa política monetária de juros”, afirma.

Ele acrescenta que o Brasil, segundo as estatísticas, tem os maiores juros reais do mundo. “Isso, por si só, já mostra alguma equação equivocada. Mais uma vez nós deixamos de lado o combate ao déficit fiscal e à redução de despesas para, mais uma vez, penalizar o consumo, o setor produtivo e a sociedade como um todo. O combate da inflação para fins eventualmente políticos vai justificar todas as sequelas que vamos ter?”, questiona.

Por fim, o presidente da FIEB revelou preocupação com os rumos da economia. “Cobram tanto da indústria criatividade, inovação, investimento para sair dessas amarras que levaram a esta estagnação. E o que nós estamos vendo realmente de política econômica, fiscal e monetária nesse país? Como está, a nossa capacidade de consumo, o encadeamento produtivo e, consequentemente, a capacidade de retomada econômica ficarão comprometidos. Não podemos achar que os problemas do Brasil serão resolvidos eternamente com a venda de commodities, seja do agro ou da mineração”, aponta.


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