O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (29/04/2026) reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, movimento que foi avaliado positivamente pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB). A entidade considera que a medida sinaliza um novo ciclo da política monetária, com potencial para reduzir o custo do crédito, estimular investimentos e impulsionar a geração de empregos, ainda que reconheça a manutenção de um patamar elevado de juros e os desafios impostos pelo cenário econômico interno e internacional.
A decisão do Copom ocorreu em um ambiente marcado por pressões inflacionárias e instabilidade externa, especialmente em razão dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de combustíveis e alimentos. Ainda assim, o corte foi amplamente esperado pelo mercado financeiro e representa a segunda redução consecutiva da Selic, após um período prolongado em níveis elevados, que chegaram a 15% ao ano entre 2025 e o início de 2026.
O Banco Central indicou que segue monitorando o comportamento da inflação, que apresentou aceleração recente. A prévia medida pelo IPCA-15 atingiu 0,89% em abril, acumulando 4,37% em 12 meses, próximo ao teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%.
FIEB avalia corte como passo estratégico
Em nota oficial, a FIEB destacou que a redução da Selic representa um “caminho fundamental para um novo ciclo da política monetária”, reforçando a expectativa de continuidade dos cortes nas próximas reuniões. A entidade observa que, embora os juros permaneçam elevados, há espaço para ajustes adicionais diante de uma inflação ainda controlada.
A federação ressalta que a queda gradual dos juros é essencial para reativar a economia, especialmente após um crescimento modesto de 0,10% no último trimestre, e para aliviar os custos operacionais enfrentados pela indústria. O setor produtivo, segundo a entidade, enfrenta dificuldades agravadas pela elevação do preço do petróleo e pelos impactos da crise energética global.
Crédito mais acessível e impacto na atividade econômica
A redução da taxa básica tende a produzir efeitos diretos sobre o sistema financeiro, tornando o crédito mais acessível para empresas e consumidores. Esse movimento é considerado estratégico pela FIEB, que vê na flexibilização monetária um instrumento para estimular a produção, o consumo e o investimento produtivo.
Do ponto de vista macroeconômico, a diminuição da Selic contribui para dinamizar a economia, ainda que imponha desafios adicionais ao controle inflacionário. O próprio Banco Central projeta crescimento de 1,6% para o PIB em 2026, enquanto o mercado financeiro trabalha com estimativas ligeiramente superiores, próximas de 1,85%.
Comparação internacional e competitividade
A FIEB também destaca que a redução dos juros aproxima o Brasil de padrões internacionais mais competitivos. Economias como os Estados Unidos, a Europa e o México operam com taxas significativamente inferiores, o que amplia a pressão por melhor posicionamento do país no cenário global.
Segundo a entidade, uma sinalização consistente de queda da Selic pode contribuir para fortalecer a competitividade brasileira, especialmente em um contexto de volatilidade nas cadeias de suprimento e tensões geopolíticas, que exigem maior coordenação entre política monetária e estratégias de desenvolvimento.
Desafios persistem para política monetária
Apesar do movimento de redução, o Banco Central mantém postura cautelosa diante das incertezas externas e da evolução das expectativas inflacionárias. O boletim Focus aponta projeção de 4,86% para a inflação em 2026, acima do teto da meta, o que reforça a necessidade de equilíbrio entre estímulo econômico e controle de preços.
A autoridade monetária também enfrenta desafios institucionais, como a vacância em cargos da diretoria e a necessidade de atualização de suas projeções em função das oscilações cambiais e dos impactos geopolíticos recentes.










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