Ao casal amigo Victoria e Fernando Bonilla!
Uma análise fria das últimas pesquisas para as eleições presidenciais confirma, em grande medida, o acerto da frase, atribuída ao estadista e historiador francês Adolphe Thiers (1797-1877), segundo o qual “os discursos mudam as opiniões, mas não mudam os votos”. Pensamos que, para ser integralmente correta a frase deveria ser: “Discursos que mudam opiniões, só raramente mudam os votos”.
Os eleitores racionais de Lula e de Bolsonaro, que lutam para evitar a confusão entre o que desejam e o que veem, reconhecem não haver coincidência entre os candidatos que preferem com os que demonstram maior conhecimento para presidir o Brasil, requisito em que os candidatos Ciro Gomes e Simone Tebet, ocupam a dianteira, figurando o candidato do PT em último lugar, consoante sua desnecessária e deseducativa declaração de que nunca leu um livro. Os candidatos Felipe D’Ávila e Soraya Thronicke vêm impressionando de modo muito favorável. O Presidente Bolsonaro, levando em conta seu reiterado modo desabrido de se expressar, tem se apresentado de maneira relativamente contida, com pequenas e desnecessárias recaídas que respondem pelo seu elevado índice de rejeição, o grande obstáculo a vencer, para assegurar a reeleição. O maior adversário de Bolsonaro é ele mesmo, fenômeno que pode resultar do auto inveja, conforme teoria do psicanalista canadense, nascido na Venezuela, Rafael Lopez-Corvo, objeto de análise em artigo de nossa autoria, neste mesmo espaço.
Até o momento, o fato mais marcante desta campanha presidencial foi o descompasso entre a ostensiva parcialidade da Rede Globo e a eticamente neutralidade dos demais canais televisivos. Não se pode negar, porém, à Vênus Platinada, a coragem de, fugindo ao seu elementar e sagrado dever de imparcialidade, sequer, haver tentado esconder que o seu candidato é o ex-presidente Lula, por representar a única via de vencer o seu inimigo jurado, o Presidente Bolsonaro. Na entrevista inaugural do ciclo com os candidatos mais bem situados, eleitoralmente, os âncoras Renata Vasconcellos e William Bonner, metaforicamente, agasalharam, no colo, o candidato Lula, de um modo que levou à suspeição geral de que a entrevista foi precedida de um longo treinamento, já que o candidato teria tido conhecimento prévio das perguntas e sua formulação sequencial. Uma reação de desesperada legítima defesa que vem comprometendo a imagem da maior rede de Televisão da América do Sul, perante parcela expressiva de seu público. Na hipótese de uma eleição de Lula, tudo voltará a ser como dantes no quartel de Abrantes. Por outro lado, na hipótese da reeleição de Bolsonaro, parece inevitável que os irmãos Marinho optem pela venda da emissora, produto de excepcional liquidez dentro e fora do Brasil. Essa hipótese vem suscitando comentários acrimoniosos, o mais humorado dos quais veio de um jornalista ao dizer que passou a jogar na loteria para ganhar dinheiro a fim de comprar a Globo, só para ter o prazer de mandar demitir Myriam Leitão e Gerson Camarote para puni-los pelas afrontas que vêm praticando contra a dignidade do jornalismo.
Tudo indica que os próximos dois meses serão de muitas e intensas emoções.
Entre as respostas que estas eleições darão, inclui-se a de permitir aos brasileiros conhecer o número de seus irmãos, entre os moral e mentalmente doentes, que optaram por votar em ladrões, em prejuízo de tantos candidatos honrados e competentes.
*Joaci Góes, advogado, jornalista, empresário, ex-deputado federal constituinte e presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB).







