A eleição do maçom Luciano Sepúlveda, conquistada por meio de decisão liminar proferida pela Justiça Estadual da Bahia, que lhe assegurou disputar e vencer o pleito realizado em março de 2023 para o cargo de grão-mestre de Grande Oriente do Brasil – Bahia (GOB Bahia), antigo Grande Oriente Estadual da Bahia (GOEB), é um dos pontos centrais para o conflito estabelecido com o Grande Oriente do Brasil (GOB), sob a direção do grão-mestre geral Múcio Bonifácio Guimarães, que atua com o ex-grão-mestre do GOB da Bahia Oscimar Alves Torres, atual delegado regional do GOB no estado da Bahia.
A crise entre GOB e GOB Bahia persiste em meio à cisão e reorganização das lojas. Neste contexto, fontes do Jornal Grande Bahia (JGB) enviaram documentos e relatos sobre o que transcorre no interior da mais antiga Potência Maçônica do Brasil.
Conforme relato, 116 Lojas faziam parte do GOB Bahia. Fração dessas Lojas e maçons assinaram pedido de filiação junto à Delegacia Regional do GOB, com a finalidade de formar novo Oriente Estadual da Bahia.
Em contramedida, cerca de 9 Lojas ligadas à direção de Luciano Sepúlveda publicaram decretos de ‘Persona Non Grata’, promovendo a expulsão de maçons alinhados com Oscimar Torres.
Neste processo, fica evidente que uma cisão está se formando entre as Lojas e maçons que faziam parte do GOB na Bahia.
Histórico de crise
Infere-se que a ruptura no interior de uma Potência Maçônica não é fato novo. Mas a crise entre GOB e GOB Bahia (antigo GOEB) possui um componente que a difere pelo fato de Múcio Guimarães, Oscimar Torres e Luciano Sepúlveda terem atuado como aliados na Eleição de 2019 para o grão-mestrado estadual da Bahia, quando manobraram para evitar a posse de Alexandre da Silva Monteiro para o cargo de grão-mestre estadual (GME) e Jorvan Andrade, como grão-mestre estadual adjunto (GMEA), fato que resultou na cisão do GOEB, com a fundação do Grande Oriente da Corporação Maçônica da Bahia (CMB).
Outro ponto que chama a atenção é o que diz em manifesto assinado por Múcio Bonifácio Guimarães, soberano grão-mestre geral do GOB, no dia 18 de setembro de 2018:
— Na gestão que iremos iniciar no Grande Oriente do Brasil, entre outros princípios, vamos acolher a discordância, como forma de obter importantes ações de aprendizado e aprimoramento.
— A concordância faz com que permaneçamos estacionados. A discordância sadia faz com que cresçamos. Já ensinava Paulo Freire, que acolhia seu interlocutor, colocando a mão no seu ombro e estabelecia uma ligação e, assim, estimulava o crescimento do outro e de si mesmo. Depois, Paulo Freire, se fosse o caso, discordava, sempre aberto a acolher a discordância do outro, e, portanto, a aprender com ele.
Novas frentes
Poder e dinheiro estão também entrelaçados na relação entre GOB e GOB Bahia. Segundo fonte, cerca de R$ 1 milhão estava nas contas bancárias estaduais do antigo GOEB, valor que, em tese, passa a ser gerido pelo grupo de Luciano Sepúlveda. Ele também fica com os títulos de utilidade pública e com o histórico da entidade.
Em síntese, para aqueles que estão deixando o GOB Bahia para seguir Oscimar Torres, um longo e cansativo processo de formação de um novo Oriente Estadual está em curso. Nesta mesma ordem, a situação afeta o atual grão-mestre eleito do GOB Bahia e os que o seguem.
O que é a Maçonaria
Composta por personalidades de destaque da sociedade brasileira, a Franco-Maçonaria é uma entidade discreta que tem como finalidade a prática da fraternidade, o aprimoramento do espírito através do estudo filosófico e a promoção da filantropia entre os membros que a compõem e a sociedade.
Os membros, maçons, usam emblemas, distintivos e um código de sinais secretos para se reconhecerem. Eles praticam o respeito à religião por meio do ecumenismo e se organizam em Lojas autônomas, reunidas em Orientes Estaduais que, por sua vez, fazem parte de Potências Nacionais, estas últimas com vínculos com a comunidade maçônica internacional.
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