A data foi 17 de agosto. A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) Completou 93 anos. Fundada em 1930 nos salões da Associação Tipográfica Baiana por alguns abnegados, entre os quais 73 jornalistas, a ABI é um marco de lutas e resistências em defesa da liberdade de expressão e comunicação. Os profissionais que a integram informam, diariamente, os fatos mais relevantes ocorridos na Bahia e no mundo, acompanhando e analisando as transformações políticas, sociais e econômicas.
Na época de sua fundação, o Brasil iniciava o extenso período de violência e exceção decorrente do golpe de Estado que depôs o presidente Washington Luís. Esse fato adiou os sonhos de seus fundadores. As restrições à ordem pública e às liberdades individuais mudaram o seu programa, que, diante daquela situação, fixou-se na defesa da liberdade de expressão e da lei.
Seu idealizador, Thales de Freitas, era farmacêutico e proprietário da Farmácia Americana. Dinâmico na área da comunicação, fundou, ano antes de falecer (1947), o Clube da Imprensa. Também atuou no segmento de revistas com o colega Constantino de Souza, criando a revista A Rua, que circulou por mais de uma década. Mesmo assim, jamais o consideraram jornalista. Referiam-se a ele como o farmacêutico, inclusive no seu obituário. Em 1947 a ABI o homenageou inaugurando seu retrato no salão nobre da entidade, ao lado dos retratos dos ex-presidentes da Casa.
Altamirando Requião, professor primário com atuação no jornalismo, nas letras e na política foi seu primeiro presidente. Foi também deputado federal por duas vezes, em 1935 e em 1945. Presidiu a Comissão de Educação e ocupou a 2ª vice-presidência da Câmara. Faleceu em 1989. Outros presidentes se destacaram na direção da ABI, como Ranulpho Oliveira, Jorge Calmon, Afonso Maciel, Samuel Celestino e Walter Pinheiro. Seu atual presidente é o jornalista Ernesto Dantas Araújo Marques. A ABI é uma história de luta que continua nos tempos atuais. Tem como foco principal a defesa do direito fundamental declinado no art. 220 da CF/88, cujo anunciado determina que “nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social”. O seu § 2º que veda a censura.
A ABI congrega os profissionais que merecem o reconhecimento da Bahia, conquistado com muita luta, esforço e dedicação. Em sua luta diária transmitem os acontecimentos ocorridos no mundo através de artigos e notícias que publicam, sempre em defesa da liberdade, independentemente das posições políticas de cada um. Segundo Camus “Uma imprensa livre pode, é claro, ser boa ou ruim, mas, certamente sem liberdade, a imprensa sempre será ruim”. E a ABI é boa e livre. Parabéns.
*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.








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