A Argentina surpreendeu ao ser admitida como um dos novos membros dos Brics a partir de janeiro de 2024, mesmo após os principais candidatos à presidência expressarem rejeição a associações com regimes orientais, especialmente no contexto da guerra na Ucrânia e da inclusão do Irã, país acusado de atentados no território argentino. Enquanto o presidente Alberto Fernández celebrou a adesão, os possíveis eleitos reforçaram sua oposição ao movimento.
A notícia foi uma surpresa até para o próprio presidente Fernández, que não acreditava na aceitação da Argentina no bloco e não compareceu à cúpula dos países emergentes. Apesar disso, em uma mensagem transmitida por rádio e TV, Fernández comemorou a entrada do país no Brics, destacando a oportunidade de abrir novos mercados e fortalecer as relações comerciais. Ele afirmou: “O Brics é, para a Argentina, uma nova oportunidade”.
Entretanto, a entrada da Argentina no Brics não é consensual no cenário político do país. Os principais candidatos à presidência expressaram sua discordância com a associação, citando preocupações com os regimes de alguns dos membros do bloco e suas políticas. Patricia Bullrich, candidata a sucessora de Fernández, afirmou que seu governo não fará parte de um bloco que representa uma política contrária aos princípios argentinos, mencionando especificamente o contexto da Ucrânia e a inclusão do Irã.
Javier Milei, outro candidato de destaque, foi ainda mais enfático ao rejeitar a aliança com os Brics, descrevendo-os como comunistas e afirmando que seu governo buscará um alinhamento com os Estados Unidos e Israel. A rejeição dos candidatos reflete uma polarização entre aqueles que veem oportunidades econômicas e aqueles que temem a associação com países questionados no cenário internacional.
A decisão de aderir aos Brics também gerou debate entre os setores econômicos e especialistas argentinos. Alguns criticaram a incorporação, destacando a necessidade de reafirmar a posição da Argentina como parte do mundo ocidental e defensora da liberdade e da democracia. Além disso, apontaram preocupações com a situação política e econômica de alguns membros do bloco, como a Rússia e a China, que enfrentam sanções e questionamentos no cenário global.
A inclusão da Argentina nos Brics também levantou questões legais, já que a decisão foi tomada durante o período eleitoral do país e sem consulta ao Congresso. O diplomata argentino Diego Guelar classificou a ação como uma irresponsabilidade do presidente Fernández, dado que ele não teria poder para tomar tal decisão nos últimos meses de seu mandato. Marcelo Elizondo, analista em comércio internacional, observou que a aliança é uma decisão estratégica para o país e deveria envolver a aprovação do Congresso.
A entrada da Argentina nos Brics, portanto, desencadeou uma série de reações e debates no país, destacando as tensões entre interesses econômicos, políticos e ideológicos. Enquanto o governo celebra a adesão como uma oportunidade de expansão econômica, os possíveis futuros líderes do país expressam cautela e rejeição a alianças que poderiam comprometer as relações e posicionamento internacional da Argentina. O desenrolar dessas posições distintas promete influenciar o cenário político e econômico argentino nos próximos meses.
*Com informações da RFI.








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