É o fim para mim, não para o futebol feminino, diz Marta ao se despedir da seleção após eliminação no Mundial

“Nem no pior dos meus pesadelos imaginava me despedir desta Copa do Mundo assim”, confessou a capitã Marta, ao dar adeus à seleção brasileira e à competição, depois do empate fatal com as jamaicanas nesta quarta-feira (02/08/2023). “Mas vem uma nova geração aí. O Brasil pediu renovação, ela veio. Acabou pra mim, não para o futebol feminino. Apoiem essas meninas, vocês precisam apoiá-las”, pediu Marta, ao deixar o gramado em Melbourne.

Duas cenas comoveram particularmente os espectadores ao final da disputa entre Brasil e Jamaica nesta quarta-feira (2) em Melbourne, na Austrália. De um lado, as reggaegirls, 83° lugar no ranking da Fifa, chorando de emoção ao eliminar o Brasil, 8° colocado na mesma lista. De outro lado, as câmeras de TV internacionais seguiam a atacante Marta pelo gramado, primeiro cumprimentando o técnico da seleção da Jamaica, e posteriormente numa troca emocionada com Khadija Shaw, considerada a “arma letal” das jamaicanas, e uma jovem jogadora de grande futuro.

Durante minutos, as duas se abraçaram e trocaram palavras. “Como é bonito ver a importância da transmissão entre duas estrelas do futebol de gerações diferentes”, lembra o comentarista esportivo do canal France 2. “Mais do que uma grande jogadora, é uma grande dama, que venceu todas as adversidades da vida para chegar onde chegou”, completa a colega, fazendo referência à brasileira Marta.

Carreira marcada por gols e posicionamentos claros

A jornalista francesa acerta quando sublinha o incrível percurso de Marta no futebol mundial. Basta lembrar, por exemplo, que a alagoana nasceu em um país onde o futebol, considerado esporte brasileiro por excelência, por mais de quatro décadas foi proibido para as mulheres no Brasil. A proibição foi revogada em 1979, e o futebol feminino brasileiro, regulamentado apenas em 1983.

Ainda que mulheres tenham persistido nos campos clandestinos, os anos de proibição brecaram o desenvolvimento do esporte e deixaram marcas na sociedade. O atraso no desenvolvimento do futebol como esporte amador e profissional é o legado prático dessa interdição.

Em 2007, quando a seleção feminina de futebol de Marta foi vice-campeã do Mundial, o Brasil ainda não tinha um campeonato nacional para as mulheres. Foi apenas em 2013 que a CBF criou o Brasileirão Feminino. E a lenda brasileira, que se despediu hoje de Copas do Mundo e da seleção brasileira, protagonizou esses 20 anos de ascensão do futebol feminino brasileiro.

“Igualdade”

Desde 2019, quando se tornou a maior artilheira da história das Copas e também na Olimpíada de 2020 no Japão, Marta tem representado a luta pela igualdade de gênero através de suas chuteiras. Seus calçados esportivos exibem apenas um símbolo de igualdade, nas cores rosa e azul.

Desde 2018, a seis vezes eleita melhor jogadora do mundo não possui contrato com nenhuma marca de material esportivo. A decisão não é por acaso: trata-se de um protesto contra a desigualdade de gênero no futebol. Marta decidiu usar calçados de sua própria marca, evitando qualquer patrocínio na chuteira.

Em 2019, quando a seleção brasileira foi eliminada da Copa na França, Marta fez um desabafo, lembrando o país que o futebol feminino precisava ser mais profissionalizado. A rainha do futebol afirmou, na época, que não dava para contar para sempre com uma Marta ou uma Formiga.

Hoje, em sua despedida em Melbourne, depois que a seleção não conseguiu furar o consistente bloqueio da defesa jamaicana, Marta retomou seu apelo pelo apoio ao futebol feminino no Brasil.

“Temos renovação, temos novas jogadoras muito talentosas. É hora de apoiá-las. Acabou para mim, não para elas”, frisou, antes de deixar o gramado.

*Com informações da RFI.


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