A Federação Única dos Petroleiros (FUP) lançou luz sobre um suposto ataque especulativo de agentes econômicos que estariam envolvidos na formação de estoques, gerando temores de um iminente desabastecimento no mercado interno de combustíveis. A FUP apontou que, desde a queda do PPI (Preço de Paridade de Importação), em maio deste ano, refinarias privadas têm expressado insatisfação com os preços praticados pela Petrobrás. Alegam que a estatal estaria mantendo preços elevados, induzindo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) a intervir para que a Petrobrás diminua os preços do óleo vendido às refinarias privadas.
Segundo Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, o número de importadores de combustíveis aumentou de 100 para mais de 500 desde a entrada em vigor do PPI no Governo Temer. Concomitantemente, as refinarias têm operado com um fator de utilização médio entre 60% e 65%, seguindo o preço de paridade de importação. Bacelar ressalta que, recentemente, a Petrobrás elevou o fator de utilização para cerca de 93%, inclusive importando gasolina e diesel para garantir o abastecimento doméstico.
O dirigente sindical destaca que não há justificativa para o desabastecimento com base nas importações, pois os dados públicos não indicam uma queda significativa. Ele sugere que possíveis entraves na distribuição e revenda poderiam estar ocorrendo. Revendedores podem estar formando estoques especulativos, apostando em um aumento nos preços da Petrobrás no futuro próximo.
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), por sua vez, emitiu um comunicado afirmando que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) não relatou qualquer indício de desabastecimento de diesel e gasolina no país. Portanto, a preocupação da FUP parece estar em desacordo com os dados fornecidos pela agência reguladora.
Desde o início de julho, houve um aumento significativo nos preços do petróleo e de seus derivados, atingindo níveis elevados. A Petrobrás, por sua vez, tem mantido a estratégia de evitar transferir a volatilidade dos preços internacionais para o mercado interno, buscando estabilidade nos preços praticados. A empresa continua comprometida com o fornecimento adequado às distribuidoras, como confirmado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (Ineep).
Em resumo, o cenário atual envolvendo a Petrobrás, refinarias privadas e importadores de combustíveis revela um conflito complexo de interesses e divergências. Enquanto a FUP denuncia um possível ataque especulativo para forçar um desabastecimento, entidades como a Fecombustíveis e a ANP sustentam que não há indícios de falta de diesel e gasolina no país. Diante das incertezas do mercado global e das dinâmicas locais, a busca por uma solução justa e transparente permanece no centro do debate.
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