Presidente Lula alfineta o Norte Global na ONU por desigualdades mundiais

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula, proferiu um discurso contundente na manhã desta terça-feira (19/09/2023) na 78ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York. Em seu discurso de abertura, Lula lançou críticas ao Norte Global, responsabilizando-o pelas desigualdades sociais e políticas que afetam o mundo.

Lula abriu seu discurso aludindo à atual desconfiança na capacidade humana de superar desafios globais. Ele destacou a crise climática como um exemplo, mencionando a tragédia das enchentes no estado brasileiro do Rio Grande do Sul como um dos impactos devastadores.

Outro ponto importante de seu discurso foi a desigualdade entre os Estados. Lula apontou que milhões de pessoas em várias partes do mundo ainda sofrem com a fome, destacando que apenas dez bilionários acumulam mais riqueza do que os 40% mais pobres da população global.

O presidente brasileiro atribuiu a falta de vontade política, especialmente por parte dos países ricos do Norte Global, como responsável pela persistência da desigualdade global. Ele sugeriu medidas como incluir os mais pobres nos orçamentos nacionais e impor impostos proporcionais à riqueza dos mais ricos como soluções para combater a desigualdade.

Lula também mencionou seu compromisso em lutar pela igualdade racial e pelo combate ao feminicídio no Brasil, destacando questões importantes de ordem nacional.

Ao abordar a questão ambiental, Lula apontou que os países ricos, responsáveis por altas emissões de gases prejudiciais ao meio ambiente durante a Revolução Industrial, têm uma responsabilidade especial em lidar com a crise climática. Ele enfatizou que as populações do Sul Global são as mais afetadas pelas mudanças climáticas, enquanto os 10% mais ricos do mundo contribuem significativamente para a crise.

Lula também fez referência à Amazônia, afirmando que a região deve ser tratada pelos Estados soberanos que a possuem, sem interferência externa. Isso ocorre em meio a preocupações sobre a soberania brasileira na região, levantadas por críticas europeias sobre a gestão ambiental no Brasil.

Além disso, o presidente criticou o Fundo Monetário Internacional (FMI), alegando que a instituição favorece mais os países europeus do que os africanos. Ele destacou a importância dos BRICS como uma plataforma estratégica para a cooperação entre países emergentes.

Lula não poupou críticas ao neoliberalismo econômico, que ele culpou pelo desemprego e pela precarização do trabalho em várias nações, levando ao surgimento de nacionalismos autoritários.

Por fim, ele lamentou que as instituições internacionais dominadas pelo Ocidente precisam de reformas e criticou o Conselho de Segurança da ONU por falhar em promover uma cultura de paz global.

*Com informações da Sputnik News.


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