Presidente Lula critica falta de efetividade nas negociações globais durante 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a incapacidade das lideranças globais em alcançar resultados eficazes diante dos desafios contemporâneos. Em seu discurso de abertura do debate de chefes de Estado da 79ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, realizada nesta terça-feira (24/09/2024), em Nova York, Lula ressaltou a necessidade urgente de transformações estruturais nas instituições multilaterais, principalmente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O presidente argumentou que a atual configuração dessas instituições limita o alcance de acordos eficazes, deixando o sistema multilateral paralisado e incapaz de lidar com as crises globais.

A crise da governança global

Lula iniciou seu discurso abordando a crise da governança global, destacando que as nações, ao invés de avançarem com ações concretas, “andam em círculos” em torno de compromissos que resultam em medidas insuficientes. Ele citou como exemplo o Pacto para o Futuro, um documento assinado por vários países para reforçar a cooperação global, cuja difícil aprovação, segundo o presidente, reflete a fragilidade do diálogo internacional.

“Seu alcance limitado é a expressão do paradoxo do nosso tempo”, afirmou Lula, ao destacar que, mesmo diante da pandemia de covid-19, os líderes não conseguiram concretizar um Tratado sobre Pandemias na Organização Mundial da Saúde (OMS).

O presidente brasileiro também criticou a falta de ambição das lideranças internacionais para dotar a ONU dos meios necessários para enfrentar as mudanças rápidas no panorama global. Segundo ele, a governança multilateral precisa ser reformada para se adaptar às novas realidades políticas e econômicas.

A necessidade de reformar a ONU

Lula foi enfático ao defender que a Carta das Nações Unidas, prestes a completar 80 anos, está desatualizada e não aborda os desafios contemporâneos, como os conflitos armados com potencial de escalarem para confrontos globais. O presidente sugeriu que a ONU, na sua forma atual, está cada vez mais esvaziada e paralisada, e que apenas uma ampla revisão da Carta poderá revitalizar seu papel no cenário internacional.

Entre as propostas apresentadas por Lula, destaca-se a transformação do Conselho Econômico e Social da ONU em um órgão central para tratar de desenvolvimento sustentável e combate às mudanças climáticas. Ele também sugeriu o fortalecimento da Assembleia Geral, com um papel mais ativo na resolução de temas relacionados à paz e à segurança internacional, e a reforma do Conselho de Segurança, um dos principais órgãos de decisão da ONU.

A exclusão de países emergentes

Em seu discurso, Lula destacou a exclusão de países emergentes, especialmente da América Latina e da África, de assentos permanentes no Conselho de Segurança, um órgão que conta apenas com cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido). Para o presidente brasileiro, essa exclusão reflete práticas de dominação colonial do passado que não podem mais ser aceitas em pleno século XXI.

Lula propôs que o Conselho de Segurança passe por uma reforma profunda, que inclua novos membros permanentes e reformule seus métodos de trabalho e o direito de veto. Segundo ele, uma representação adequada de países emergentes tornaria o órgão mais eficaz e representativo das realidades globais contemporâneas.

“Não podemos esperar por outra tragédia mundial, como a Segunda Grande Guerra, para então construir sobre seus escombros uma nova governança global”, afirmou.

A agenda do Brasil no G20

O discurso de Lula na ONU também refletiu os temas prioritários do Brasil no G20, bloco que o país preside até novembro de 2024. Entre as principais pautas defendidas pelo presidente brasileiro estão o combate às desigualdades sociais, a fome, e o enfrentamento às mudanças climáticas. Para Lula, o Brasil tem um papel importante na liderança dessas discussões, especialmente diante dos crescentes desafios globais que exigem soluções coletivas.

Durante sua estadia em Nova York, Lula participou da Cúpula para o Futuro, evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, onde enfatizou a importância de um novo pacto global que priorize a cooperação e a solidariedade entre as nações. O presidente também se reuniu com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro do Haiti, Garry Conille, para discutir temas de interesse mútuo, como o desenvolvimento sustentável e a reforma das instituições de governança global.

Fortalecimento da democracia e combate ao extremismo

Ainda na terça-feira, Lula coordenou o evento “Em defesa da democracia, combatendo os extremismos”, em parceria com o presidente da Espanha, Pedro Sanchez. O evento teve como objetivo promover o fortalecimento das instituições democráticas e o combate à desigualdade, à desinformação e ao radicalismo. Lula destacou que a defesa da democracia deve ser uma prioridade global, especialmente em um momento em que discursos extremistas e antidemocráticos ganham força em várias partes do mundo.


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