Na tarde de terça-feira (31/10/2023), a Comissão Parlamentar da Câmara (CPI) dedicada a investigar alegadas irregularidades na gestão do Shopping Popular e no contrato entre o consórcio empresarial e a Prefeitura de Feira de Santana ouviu sua primeira testemunha, Luzia dos Santos Silva. Transferida do centro da cidade para o Shopping Popular, Luzia fez um relato comovente sobre sua experiência e as dificuldades enfrentadas pelos camelôs no local. A sessão contou com a presença do presidente da CPI, Jhonatas Monteiro (PSOL), do relator Luiz da Feira (Avante) e do membro Sílvio Dias (PT).
Nesta quarta-feira (1), a CPI continuará suas investigações, convocando dois camelôs do Setor de Artesanato e outras pessoas ligadas ao processo do Shopping Popular: Licia Maria Jorge, Lucas Henrique Santos Soares, Adriana Estela Assis (presidente da comissão de licitação durante a parceria entre a Prefeitura e o Consórcio) e Cleudson Santos Almeida (procurador do Município à época e atual superintendente Municipal de Transporte e Trânsito). O secretário Municipal de Planejamento, Carlos Alberto Oliveira Brito, também será reconvocado para depor na qualidade de testemunha, por ter sido o presidente do Conselho Gestor das Parcerias Público Privadas (PPPs).
Luzia, que atuou por um ano e quatro meses no Shopping Popular (de dezembro de 2020 a abril de 2022), compartilhou sua vivência e acentuou os desafios enfrentados pela classe de camelôs. Segundo ela, a falta de público e vendas resultou em dificuldades imensas para aqueles que se mudaram para o empreendimento. A situação levou à acumulação de dívidas e desapontamento devido à discrepância entre as promessas feitas e a realidade.
Antes de sua experiência no Shopping Popular, Luzia e seu marido vendiam aparelhos eletroeletrônicos novos e usados no Mercado de Artes, mantendo sua família com sucesso ao longo de anos. Entretanto, devido à proposta do consórcio gestor, seu marido “se viu obrigado a assinar o contrato, porque a proposta era ‘ou assina e recebe a chave, ou não terá mais direito ao box’.” Segundo Luzia, não houve discussões prévias sobre cláusulas contratuais ou valores a serem pagos.
Ao ocupar um espaço no Shopping Popular, as vendas de Luzia diminuíram drasticamente, tornando impossível pagar despesas básicas, incluindo a taxa de condomínio.
Ela relatou: “Durante este período em que estive no empreendimento, vendi apenas R$ 724. Tinha que pagar mensalmente uma taxa de condomínio de R$ 189,90, entre outras despesas, que ultrapassavam em média R$ 2 mil no total.”
Sua situação refletiu a de muitos outros camelôs, que não conseguiam arcar com as despesas devido à falta de clientes, mesmo após tentativas individuais de promoção do local. As vendas insuficientes e as dívidas crescentes forçaram muitos a fechar suas lojas. A segurança para os camelôs e as reuniões entre trabalhadores e o conselho de administração do Shopping Popular, conforme Luzia, “nunca existiram ou foram sequer mencionadas.”
Luzia expressou desapontamento com as promessas não cumpridas do consórcio e do poder público. Ela sugere a formação de uma diretoria do Shopping Popular com representantes tanto do consórcio quanto dos trabalhadores para facilitar a resolução de problemas e questões pendentes.








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