Quem é Javier Milei, o político de extrema-direita que foi eleito presidente da Argentina

Javier Gerardo Milei é economista, político, professor, escritor, deputado e líder da coalizão política La Libertad Avanza. Neste domingo (19/11/2023), ele foi eleito presidente da Argentina no segundo turno. Ele é um economista de tenência ultraliberal, que defende a dolarização da economia, a redução do Estado e a privatização de empresas públicas. Ele também é um personagem polêmico, conhecido por seus discursos exaltados, sua aparência extravagante e personalidade excêntrica.

Em uma reviravolta dramática nas eleições presidenciais da Argentina, o deputado ultraliberal Javier Milei, comparado a líderes da extrema-direita como Donald Trump e Jair Bolsonaro, conquistou a Casa Rosada, refletindo a insatisfação popular com a situação econômica e o desgaste do peronismo.

Ele venceu Sergio Tomás Massa (San Martín, 28 de abril de 1972), advogado e político argentino, membro da Unión por la Patria, anteriormente chamada Frente de Todos, líder da coalizão política de tendência peronista e progressista que governa na Argentina desde 2019 e atual Ministro de Economia, Agricultura e Desenvolvimento Produtivo da Nação Argentina desde julho de 2022.

Com retórica agressiva e propostas controversas, Milei tornou-se um fenômeno político desde 2016. Sua vitória no segundo turno, marcada por alianças inusitadas e acusações sem provas, redefine o cenário político argentino. Mas, quem é Javier Milei?

Perfil de Javier Milei

Milei nasceu em Buenos Aires, em 1970, em uma família de classe média. Desde cedo, ele se interessou por economia e política, mas também enfrentou problemas familiares e bullying na escola. Ele se formou em Economia na Universidade de Belgrano e se especializou em finanças e tributação. Ele trabalhou como consultor, professor e analista, mas nunca se filiou a nenhum partido político.

Sua carreira política começou em 2022, quando ele se candidatou a deputado nacional pela coalizão La Libertad Avanza, formada por partidos de direita e libertários. Ele foi o mais votado nas eleições primárias, com 30,02% dos votos, e se tornou uma sensação nas redes sociais, onde acumula milhões de seguidores. Ele também ganhou notoriedade por suas participações em programas de rádio e TV, onde costuma criticar duramente seus adversários e defender suas ideias radicais.

Em 2023, ele decidiu se lançar à Presidência da República, com o slogan “Explosão ou Nada”. Ele propôs acabar com o Banco Central, eliminar o peso argentino e adotar o dólar como moeda oficial, reduzir drasticamente os impostos e os gastos públicos, privatizar todas as empresas estatais, abrir a economia ao comércio internacional e romper com o FMI. Ele também se posicionou contra o aborto, o casamento igualitário, a legalização das drogas e os direitos humanos.

Sua candidatura recebeu o apoio do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que o considera um aliado ideológico. Ele também contou com o respaldo de setores empresariais, religiosos e rurais, que viram nele uma alternativa ao peronismo e ao kirchnerismo. No entanto, ele também enfrentou forte oposição de partidos de esquerda, movimentos sociais, sindicatos, organizações de direitos humanos e personalidades da cultura e da academia, que o acusaram de ser autoritário, machista, xenófobo e neoliberal.

No primeiro turno, ele ficou em segundo lugar, com 27,8% dos votos, atrás do candidato peronista Sergio Massa, que obteve 32,4%. No segundo turno, ele surpreendeu ao vencer Massa por uma margem apertada de 50,6% a 49,4%, em uma eleição marcada por alta abstenção e polarização. Ele se tornou assim o primeiro presidente argentino eleito sem pertencer a nenhum dos dois grandes partidos históricos do país: o peronismo e a União Cívica Radical.

Milei assumirá o poder em 10 de dezembro de 2023, com o desafio de enfrentar uma grave crise econômica, social e sanitária, agravada pela pandemia de Covid-19. Ele também terá que lidar com um Congresso fragmentado, onde sua coalizão não tem maioria, e com uma forte resistência de setores que rejeitam seu projeto de governo. Ele prometeu fazer uma “revolução liberal” na Argentina, mas também disse que respeitará a Constituição e a democracia. Seu mandato terminará em 2027.

Javier Milei celebra vitória e promete transformações radicais

O recém-eleito presidente argentino, Javier Milei, proferiu o primeiro discurso pós-eleição, agradecendo colaboradores, destacando a importância de sua equipe e reconhecendo o papel fundamental de figuras como sua irmã Karina e Santiago Caputo. Milei ressaltou o término da “decadência” argentina, prometendo adotar ideias de liberdade, propriedade privada e comércio livre.

Ele expressou disposição em receber todos que desejam contribuir para a “nova Argentina” e advertiu que não haverá espaço para a violência em seu governo. Milei também apontou para os desafios críticos que o país enfrenta, como inflação, estagnação e insegurança, chamando a atenção para a necessidade de mudanças rápidas e estruturais.

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