Em uma entrevista ao The Guardian, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que a guerra em seu país já pode ser considerada a III Guerra Mundial. A declaração ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizar o uso de mísseis ATACMS, capazes de transportar ogivas nucleares, pela Ucrânia contra alvos russos nas proximidades de Kharkiv. Além disso, a França anunciou o envio de instrutores militares para território ucraniano, apesar das preocupações entre os aliados.
O especialista em Relações Internacionais Tiago André Lopes comparou a situação atual com o início da II Guerra Mundial, quando o então primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain anunciou na BBC a declaração de guerra contra a Alemanha em 3 de setembro de 1939. Lopes considera válida a comparação entre os anúncios de Chamberlain e Zelensky em meios de comunicação britânicos, mas ressalta que o “momento Munique” ainda não ocorreu. Referindo-se ao Acordo de Munique de 1938, Lopes destacou que ainda não houve uma tentativa de concessão na guerra da Ucrânia, como houve antes da invasão da Polônia pela Alemanha nazista.
Segundo o major-general Arnaut Moreira, a recente decisão de permitir o uso de armamento ocidental avançado mudou significativamente a dinâmica da guerra. Ele explicou que o Ocidente percebeu a necessidade de impedir que as tropas russas avancem além da fronteira ucraniana. Moreira destacou que a decisão de enviar armamento sofisticado foi tomada rapidamente devido às movimentações russas perto de Kharkiv.
Tiago André Lopes destacou que a luz verde de Washington para o uso dos ATACMS oficializa práticas que já ocorriam de maneira não pública. Em contraste, ele considera a decisão da França de enviar militares como instrutores para a Ucrânia uma medida mais complexa e potencialmente arriscada, prevendo uma possível resposta agressiva de Moscovo.
Lopes também comentou sobre a estratégia da Polônia de formar um batalhão de ucranianos residentes em território polaco para enviar à Ucrânia, considerando essa uma manobra para manter o apoio da opinião pública polaca. Arnaut Moreira minimizou o impacto do envio de militares franceses, afirmando que o apoio técnico e a manutenção de sistemas de armas são práticas comuns, observando que a Rússia também realiza operações semelhantes na África.
Ambos os especialistas concordam que a entrada de tropas ocidentais na Ucrânia alteraria significativamente os objetivos do Kremlin, com possíveis repercussões graves para os europeus envolvidos no conflito.
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