Presidente Lula lamenta ausência de Javier Milei na Cúpula do Mercosul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua insatisfação com a ausência do presidente da Argentina, Javier Milei, na Cúpula do Mercosul realizada em Assunção, no Paraguai. Milei foi o único chefe de Estado que não participou da reunião semestral do bloco, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e que recentemente formalizou a entrada da Bolívia como membro pleno.

Em entrevista a jornalistas antes de partir para a Bolívia, Lula destacou a perda para aqueles que não comparecem a esses encontros.

“Eu acho que quem perde não comparecendo não são os que vieram, é quem não veio. Quem não veio desaprende um pouco, quem não veio não sabe o que está acontecendo. Sempre que tem uma reunião com outro chefe de Estado, eu faço questão de participar, porque eu sempre estou aprendendo alguma coisa, sempre converso com gente que está mais preparada do que eu”, disse o presidente brasileiro.

Lula ressaltou a importância da Argentina para o Mercosul.

“É uma bobagem imensa o presidente de um país importante como a Argentina não participar de uma reunião com o Mercosul, é triste para a Argentina. Estamos trabalhando o fortalecimento do Mercosul com a Argentina porque acreditamos na importância da Argentina. A Argentina é um país extremamente importante para o sucesso do Mercosul”, afirmou.

A ausência de Milei na reunião do Mercosul coincidiu com sua participação em uma conferência no fim de semana, que reuniu políticos de extrema-direita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e ativistas liberais conservadores, em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Sobre o evento, Lula comentou:

“Sinceramente, é o tipo de reunião que não me interessa. Eu acho que, no final das contas, o presidente da República [Milei] perdeu tempo fazendo uma coisa de extrema-direita tão desagradável, tão antissocial, tão antipovo sociável, tão antidemocrático. Eu não sei o que as pessoas ganham participando disso”.

Em seu discurso na sessão principal da Cúpula do Mercosul, Lula criticou o que chamou de “nacionalismo arcaico e isolacionista”.

Virada na França

Lula também comentou sobre o resultado das eleições legislativas na França, onde a Nova Frente Popular, uma coalizão de esquerda, conquistou a maioria dos assentos na Assembleia Nacional, superando a extrema-direita de Marine Le Pen.

“O que aconteceu na França é aquela coisa maravilhosa do que representa a democracia. Quando parecia que tudo estava confuso, eis que o povo se manifesta e diz: ‘nós queremos que os setores democráticos continuem governando a França, a gente não quer extrema-direita, a gente não quer fascista, a gente não quer nazista, a gente quer democracia’. Foi isso que aconteceu na França, e estou muito feliz”, declarou Lula.

Sobre a formação de um novo governo na França, Lula expressou sua esperança de que um acordo entre as lideranças de esquerda e de centro seja alcançado.

“Espero que meu amigo [Emmanuel] Macron, que meu amigo [Jean-Luc] Mélenchon [líder de esquerda], que meu amigo François Hollande [ex-presidente da França] e tantos outros companheiros da França se coloquem de acordo para montar um governo que possa atender aos interesses do povo francês”, disse.

*Com informações da Agência Brasil.


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