O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou severamente a administração do prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins (MDB), nesta sexta-feira (23/08/2024), durante uma coletiva de imprensa em Salvador. A crítica surgiu em resposta à superlotação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Estadual do município, que, segundo o governo estadual, alcançou 183% de sua capacidade devido à paralisação dos servidores em algumas unidades de saúde municipais.
Jerônimo destacou que o prefeito, além de médico, tem o dever de garantir um atendimento adequado à população e afirmou que Colbert Martins não está cumprindo com suas obrigações.
“O prefeito de Feira é médico. Tem responsabilidade que é do município. Eu fico muito triste com o prefeito que fez dois juramentos: um de prefeito e outro de médico, e não está cumprindo nenhum”, declarou o governador, mostrando preocupação com a situação da saúde pública no município.
Reação à Proposta de Novo Hospital
O governador também criticou o anúncio feito por Colbert Martins sobre a construção de um novo hospital em Feira de Santana, classificando a iniciativa como insuficiente para atender às necessidades da população. Jerônimo considerou inadequada a proposta de construir um hospital com apenas 12 ou 13 leitos em uma cidade que abriga cerca de 600 mil habitantes. “Eu espero que o prefeito, que é médico, faça o seu dever. Anunciar um hospital com essa capacidade para uma cidade desse porte é um vexame”, afirmou.
Jerônimo Rodrigues aproveitou a ocasião para reforçar que o governo estadual está comprometido com a melhoria da saúde pública na Bahia, anunciando que, em breve, novos hospitais serão inaugurados, inclusive no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
“Estou fazendo o meu papel de construir hospitais de alta complexidade”, destacou o governador.
Superlotação na UPA e Acusações de Negligência
A superlotação da UPA Estadual em Feira de Santana foi amplamente denunciada pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), que apontou o colapso como resultado direto da falta de atendimento adequado nas unidades de saúde municipais. O coordenador da UPA, José Luiz, relatou que a unidade está sobrecarregada, com mais de 50 pacientes internados, a maioria em estado grave, o que prolonga o tempo de atendimento e aumenta a necessidade de internação.
Essa situação gerou um atrito entre o governo estadual e a prefeitura de Feira de Santana. Colbert Martins, em nota oficial, rebateu as acusações, negando a superlotação e afirmando que as unidades de saúde municipais estão funcionando adequadamente, com estrutura para atender casos graves. O prefeito classificou as declarações do governo estadual como “mentirosas” e defendeu a necessidade de mais investimentos do Estado na ampliação dos serviços de saúde no município.
Resposta de Colbert Martins
Em resposta, o prefeito Colbert Martins negou as acusações e defendeu a atuação de sua administração. Em nota, o prefeito chamou as críticas do governador de “mentirosas” e afirmou que as unidades municipais de saúde estão funcionando adequadamente. Ele destacou que a cidade conta com duas UPAs e sete policlínicas, todas operando 24 horas por dia, equipadas para atender os casos mais graves. Colbert também afirmou que o Estado deveria ampliar a infraestrutura de saúde na cidade, mencionando que 195 mortes já foram registradas na fila da regulação este ano.
Conflito Sobre a Preservação de Patrimônio Cultural
Além das críticas à gestão da saúde, Jerônimo Rodrigues também respondeu a uma provocação do prefeito nas redes sociais. Colbert Martins havia cobrado do governo estadual a revitalização de um monumento histórico de Feira de Santana, conhecido como “Abóbora” do Amélio Amorim. Jerônimo reagiu afirmando que cuidará do equipamento cultural, mas desafiou o prefeito a concentrar esforços na melhoria da infraestrutura da cidade.
“Eu vou dar conta da abóbora, mas ele deveria cuidar melhor da cidade”, provocou o governador.
Conflito Entre Governo Estadual e Prefeitura
O embate entre o governador Jerônimo Rodrigues e o prefeito Colbert Martins revela um cenário de tensão política em torno da gestão da saúde em Feira de Santana. Enquanto o governo estadual acusa a administração municipal de negligência, o prefeito responsabiliza o Estado pela insuficiência de serviços de saúde na cidade. Colbert Martins cobrou a abertura de uma nova UPA e a ampliação dos leitos hospitalares, apontando que, em 2024, 195 mortes foram registradas na fila da regulação estadual.
Por outro lado, Jerônimo Rodrigues criticou a atuação do prefeito e reafirmou o compromisso do governo estadual em fortalecer a rede de saúde pública, com a construção de novos hospitais e a ampliação de serviços de alta complexidade.







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