O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com um discurso que abordou temas centrais da diplomacia brasileira. O Brasil, tradicionalmente o primeiro país a falar no evento, teve a oportunidade de reforçar seu posicionamento em questões globais, como a defesa da democracia, a reforma de organismos internacionais e o combate às desigualdades. Lula também enfatizou a importância de um crescimento econômico sustentável e inclusivo, e o papel das plataformas digitais nas atuais dinâmicas de poder.
O presidente fez um apelo por uma reforma nos órgãos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, que considera defasados frente à nova ordem mundial. Lula chegou a mencionar a possibilidade de propor uma Constituinte para reescrever a Carta das Nações Unidas, com o objetivo de fortalecer os princípios de igualdade e respeito entre as nações. A necessidade de reformar esses organismos vem sendo defendida por Lula em diversos fóruns internacionais, como forma de assegurar maior representatividade aos países em desenvolvimento.
Além da questão institucional, o presidente brasileiro deu ênfase aos recentes avanços na agenda climática, que têm colocado o Brasil como protagonista no cenário global. No entanto, os recentes incêndios florestais no país geraram preocupações, e o tema foi tratado com cautela em seu discurso. Lula reforçou o compromisso do Brasil com a preservação ambiental, destacando os esforços para reduzir o desmatamento e combater a mudança climática, mas reconheceu os desafios ainda presentes.
Lula também alertou para o poder crescente das plataformas digitais, que, em sua visão, afetam diretamente a soberania dos países. Embora não tenha citado nomes específicos, o presidente fez uma referência indireta a Elon Musk, ressaltando a necessidade de regulamentação dessas plataformas. Lula argumentou que os países devem manter sua autonomia diante dessas corporações, que possuem um impacto significativo sobre a democracia e o processo político.
A situação no Oriente Médio também foi tema de destaque. Lula condenou a violência em Gaza e chamou a atenção para a desproporção entre os ataques do Hamas e a resposta militar de Israel, que resultou na destruição de vastas áreas do território palestino. Ele reiterou a necessidade de uma solução pacífica e negociada para o conflito, defendendo o respeito ao direito internacional e aos direitos humanos.
No mesmo dia, Lula participou da iniciativa “Em defesa da democracia, combatendo o extremismo”, uma mesa-redonda organizada em parceria com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. O evento reuniu líderes de diversos países para debater estratégias de proteção das instituições democráticas, especialmente diante do avanço de movimentos extremistas e da disseminação de desinformação. Além de Brasil e Espanha, participaram da reunião representantes de países como Estados Unidos, França, Quênia, México e Senegal, além de membros do Conselho Europeu.
A mesa-redonda abordou também a necessidade de promover um crescimento econômico inclusivo, que beneficie todas as camadas da sociedade. Foram discutidas formas de combater as desigualdades, tanto dentro dos países quanto entre nações, com ênfase na criação de políticas públicas que promovam a inclusão social e econômica.
Em encontros bilaterais à margem da Assembleia Geral, Lula se reuniu com líderes de várias nações. Em conversa com o chanceler alemão, Olaf Scholz, os dois discutiram a agenda ambiental, com foco nas próximas Conferências das Partes (COP29 e COP30) e na cooperação para a transição ecológica. Scholz confirmou sua participação na cúpula do G20, que será realizada no Rio de Janeiro em novembro. Durante o encontro, Lula destacou a importância de uma transição justa, que combine a preservação ambiental com a geração de empregos.
Lula também se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O Brasil expressou preocupação com a nova legislação ambiental europeia, que visa restringir a importação de produtos agrícolas de áreas recentemente desmatadas, o que pode impactar a economia brasileira de forma significativa. Lula defendeu a necessidade de diálogo para evitar barreiras protecionistas disfarçadas de medidas ambientais.
Outro ponto de destaque nas reuniões bilaterais foi a situação do Haiti. Lula e o primeiro-ministro haitiano, Garry Conille, discutiram a crise humanitária no país. O presidente brasileiro comprometeu-se a mobilizar a comunidade internacional para apoiar o Haiti e destacou a importância da solidariedade global na resolução de crises humanitárias. Conille, por sua vez, elogiou o comprometimento de Lula e destacou a disposição do Brasil em cooperar com o Haiti.
Lula critica líderes globais por ineficiência nas negociações na ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, durante seu discurso na abertura da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a falta de eficiência dos líderes globais nas negociações para resolver os principais problemas mundiais. Segundo o presidente, os resultados obtidos são insuficientes e refletem a incapacidade de diálogo e negociação entre as nações. Lula destacou que o Pacto para o Futuro, adotado pelos países como forma de reforçar a cooperação global, demonstra o enfraquecimento dessa capacidade de articulação.
Lula ressaltou que mesmo diante de crises globais, como a pandemia de covid-19, os países não foram capazes de se unir em torno de um Tratado sobre Pandemias na Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele defendeu que é necessário equipar a ONU com os recursos necessários para enfrentar as rápidas mudanças no cenário internacional. O presidente também afirmou que a crise de governança global demanda transformações estruturais, e a Assembleia Geral da ONU tem papel fundamental nesse processo, como expressão máxima do multilateralismo.
Durante seu discurso, Lula argumentou que a Carta das Nações Unidas, prestes a completar 80 anos, precisa ser revisada. O documento, que foi elaborado quando a ONU contava com apenas 51 membros, hoje não reflete as demandas de seus 193 estados-membros. Para o presidente, a versão atual da Carta não aborda alguns dos desafios contemporâneos mais urgentes, como os diversos conflitos armados em curso pelo mundo, que têm o potencial de se tornarem confrontos de maior escala.
Lula observou que, à época da fundação da ONU, muitas nações africanas ainda estavam sob domínio colonial e, portanto, não tiveram participação na definição dos objetivos e funcionamento da organização. Ele destacou a falta de equilíbrio de gênero nas principais funções da ONU, lembrando que o cargo de secretário-geral nunca foi ocupado por uma mulher.
O presidente brasileiro afirmou que as Nações Unidas, atualmente, enfrentam um processo de esvaziamento e paralisia. Ele defendeu que uma revisão abrangente da Carta da ONU é necessária, e que não basta realizar ajustes pontuais. Lula propôs a transformação do Conselho Econômico e Social no principal fórum para tratar do desenvolvimento sustentável e das mudanças climáticas, com capacidade de influenciar as instituições financeiras internacionais. Além disso, defendeu a revitalização do papel da Assembleia Geral em questões de paz e segurança internacional, o fortalecimento da Comissão de Consolidação da Paz, e a reforma do Conselho de Segurança.
Lula defende multilateralismo e combate à urgência climática na Assembleia Geral da ONU
Na 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a interdependência dos países em relação às mudanças climáticas. Ele alertou que o planeta está saturado com acordos ambientais não cumpridos e comprometeu-se a erradicar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030. Ao abrir o debate de chefes de Estado, Lula destacou que a crise climática não pode mais ser ignorada, ressaltando que tragédias recentes, como furacões no Caribe e enchentes no Brasil, são evidências claras do aquecimento global. Em sua fala, o presidente reafirmou o compromisso do Brasil com a proteção ambiental e a soberania nacional, com uma postura firme contra crimes ambientais.
Lula defendeu o multilateralismo como solução para a urgência climática, destacando que o Brasil é um exemplo de liderança no uso de energias limpas. Ele abordou a necessidade de acelerar a descarbonização global, apontando para a transição energética como um caminho vital. O presidente ainda comentou sobre os incêndios florestais na Amazônia e as iniciativas do seu governo para reduzir o desmatamento. Enfatizou a importância da inclusão de povos indígenas e comunidades tradicionais no debate sobre florestas tropicais, destacando o papel da bioeconomia na preservação do meio ambiente.
Além das questões climáticas, Lula utilizou seu discurso para abordar a necessidade de uma reforma nas instituições financeiras globais, como o Banco Mundial e o FMI, para garantir uma representação mais justa dos países em desenvolvimento. Ele criticou a concentração de riqueza global e defendeu a cooperação internacional para uma tributação mais justa, especialmente sobre os super-ricos. O presidente brasileiro também ressaltou a crise da fome no mundo, observando que 9% da população global enfrenta subnutrição. Propôs uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que será lançada oficialmente em novembro, durante a cúpula do G20 no Rio de Janeiro.
Em relação à política internacional, Lula chamou atenção para os conflitos armados em várias partes do mundo, incluindo Ucrânia e Oriente Médio. Defendeu o papel das Nações Unidas na busca por soluções pacíficas e criticou o aumento dos gastos militares globais. Ele reiterou o compromisso do Brasil com a promoção do diálogo entre as partes envolvidas em conflitos, incluindo uma proposta conjunta com a China para o fim das hostilidades entre Rússia e Ucrânia.
No âmbito da governança global, Lula propôs um regime internacional para regular a inteligência artificial, com o objetivo de garantir que seus benefícios sejam amplamente compartilhados, respeitando os direitos humanos e a integridade das informações. Ele destacou a crescente concentração de poder em poucas corporações e países, alertando para os riscos de um oligopólio do conhecimento.
*Com informações da RFI e Agência Brasil.











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